Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Você conhece bem a sensação. Pode tê-la sentido diversas vezes durante a vida, bem como estar sentindo-a pela primeira vez nesse exato momento. Não importa, o sentimento é sempre o mesmo. O peito aperta, a cabeça, já atribulada, começa a dar sinal de que vai pifar. As tarefas cotidianas já não contam com a simplicidade que outrora tiveram. O simples ato de colocar café em uma caneca agora tem o cheiro daquela pessoa. O gosto da bebida encostando na boca adormece a falta que aquele beijo faz. O movimento de virar na cama de madrugada é completado com sucesso, quando tudo o que se deseja é esbarrar com outro corpo adormecido ali. Não um corpo qualquer, o corpo daquela pessoa que, meio sem querer, meio de propósito, tomou de assalto todos os cantos de sua vida e se enroscou em todas as coisas que fazem com que você seja você mesma.

O problema com a felicidade é que ela é muito mais difícil de lidar do que, por exemplo, a apatia. Tendo em vista que, cedo ou tarde, todos os nossos sentimentos, até mesmo os mais sublimes, acabam se dissipando, a perspectiva de que toda essa suave alegria que envolve todas as coisas ao nosso redor acabe é aterrorizadora. O paradoxo da existência amorosa. Felicidade e medo, na mesma mistura.

Afinal, não é a primeira vez que isso acontece. Você já quebrou a cara algumas vezes, é claro. No seu celular tem aquela playlist especial para os dias de fossa. Dias que, aparentemente estava tudo bem, mas uma lembrança que há muito passou acorda coisas que você julgava que tivessem morrido. Aquele filme nunca foi assistido de novo. Aquele restaurante nunca recebeu uma segunda visita sua. Você deixou entrar e alguém entrou, se enroscou e se confundiu com todos os aspectos da sua vida, até mesmo aqueles que lhe eram comuns bem antes daquela pessoa chegar. E no fim, ela foi embora, deixando pra trás a lembrança e o gosto amargo da não-presença dela em tudo o que antes era seu, depois era de vocês e agora não pertence a mais ninguém além do passado.

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Você tá calejada, garota. Já sabe das regras do jogo e já joga muito bem. Tem certeza que está preparada para que nada disso aconteça novamente. E aí a vida, fazendo o que ela faz de melhor, não dá a mínima para seus planos e convicções. Você está, num domingo chuvoso, encarando o rosto adormecido daquela pessoa que chegou calminha e foi ficando e ficando e você percebe que sim, fodeu, você está apaixonada.

E aí começa o jogo de gato e rato que há muito você não participava mais. Telefonemas não atendidos, mensagens não retornadas, encontros seguidos de conversas desconfortavelmente monossilábicas. Toda aquela felicidade sentida espontaneamente durante qualquer momento do dia é o indicativo máximo de que, eventualmente, ela se transformará em uma das mais perfurantes dores que seu coração já experimentou. Você já esteve lá.

Mas passou, não passou? Veio, se instalou e rapidamente foi embora. Você sabe que todas as coisas vão passar, sejam elas boas ou ruins. O tempo é implacável e varre tudo. Reinos, civilizações, nossa própria existência. Seria diferente com nossos sentimentos? Corremos contra ele enquanto tentamos nos agarrar a qualquer coisa que seja significativa e especial o suficiente para que, muitos anos no futuro, quando sobrarem apenas as lembranças, elas nos façam sorrir pelo saudosismo e não chorar pela sua escassez.

Então, você sabe bem o que fazer. O que todos precisamos fazer. Fechar os olhos, abrir os braços e nos jogar. O salto de fé. A queda livre que sempre terminará no chão, não importa o quanto tempo leve, mas que, enquanto se está no ar, caindo sem amarras ou preocupações, é um dos momentos mais divinos que nossa curta existência pode presenciar.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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