O que você procura?

É engraçado como a maioria de nós, “molieres”, nos sentimos inseguras, ou no mínimo preocupadas com nossa aparência desde pequenininhas. A gente escuta alguns de nossos avós conversando sobre como uma mulher só tinha valor quando andava toda arrumada – afinal, é delas que os homens gostam. Aliás, não preciso ir muito longe não. O padrão social nos impõe o “dever da beleza” diariamente, e uma das maiores provas disso está naquelas atrizes que viram notícia porque estavam sem maquiagem, ou ganharam uns quilinhos a mais, e não pelos seus trabalhos.

O problema é que eu, por exemplo, nunca respondi bem a esses padrões de beleza, uma vez que nunca fui alta, loira, magra, de cabelos lisos e olhos azuis. Pelo contrário, nasci com os cabelos encaracolados (não era moda na época ainda), um pequeno defeito nos olhos (um era maior que o outro) e um corpo todo desengonçado de tanta magreza. Para piorar, também nunca soube me orientar sobre beleza e estética feminina, uma vez que minha família nunca ligou muito para isso. Ou seja: sempre fui alvo das piadas mais cruéis o possível, e é claro que eu sofria com isso.

Parte do meu dia-a-dia era escutar coisas do tipo “ninguém nunca vai querer te namorar”, ou “porque que você não compra uma prancha de uma vez e dá um jeito nesse seu cabelo?”, ou ainda “meninas não costumam ser tão desengonçadas assim, dê um jeito!”.

Sentindo-me um peixe fora d’água, acabei desesperando por ser aceita e me sentir querida. A rotina era, basicamente, me olhar no espelho pelo menos metade do dia, procurar defeitos, tentar solucioná-los e, no resto do dia, ouvir dos outros mais defeitos meus. E acreditando neles, o que era o pior. E essa fase durou um tempão. Eu aprendi a me maquiar, mas meu cabelo ainda não estava nos padrões de beleza das meninas da minha idade. Quando não era o peso, era a roupa que eu usava. Quando não era o esmalte, era a sobrancelha. Ou seja? Nada nunca foi perfeito. E eu não tinha grana, nem recursos para ser perfeita.

Depois de chegar em casa um dia exausta de tanta cobrança (minha e dos outros), percebi que eu  podia fazer duas coisas: odiar-me para sempre, me sentir uma incompetente por não conseguir ser “a mulher ideal”, ou largar essa bobagem toda de uma vez e tentar ser feliz. Confesso que não foi fácil. Passei muito tempo achando que eu precisava ser a mais bonita, ou a mais desejada, para ser amada, ou pelo menos bem vista.

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Com muita prática, passei a tentar me olhar no espelho com mais carinho. Fui abandonando, aos poucos, essa obrigação de sempre ter que esconder minhas olheiras, ou essa preocupação em evitar usar aquela blusinha apertada porque, se rola uma barriguinha, ela nuuuuuunca pode aparecer – a menos que você esteja grávida.

E aí foi bacana porque comecei a enxergar belezas diferentes em mim, e nas outras pessoas também. Aos poucos percebi que, do mesmo jeito que eu era fervorosamente julgada por minhas amigas, eu também julgava. Parei de julgar as meninas que tinham monocelha e simplesmente não queriam raspar, ou ainda aquelas mulheres hiper gostosas que usavam mini-saia e mostravam aquelas pernas maravilhosas.

Digamos que, a partir do momento que aprendi a me amar por aquilo que eu sou e cultivo, passei a amar mais as pessoas. Tornei-me menos preconceituosa, mais aberta a mudanças e, consequentemente, mais rica em tolerância e conteúdo. Também larguei aquela besteira de achar que a garota mais bonita é minha rival porque, no fundo, eu nunca seria como ela. Aprendi a dar o braço a ela e caminhar junto, trocando miúdos.

Na verdade, a gente tem que se sentir bem, independente do que isso signifique. Tem mulher que é mais feliz porque decidiu que depilação não é a praia dela, e tem mulher que é completamente apaixonada por rímel e não sai sem ele. O importante é isso partir de você, e não dos outros. Ficar com medo de não ser aceita, de ser julgada, ou qualquer outro motivo que seja, é besteira. Infelizmente, SEMPRE vai ter uma alma infeliz para te julgar. A diferença é se você vai ligar para isso, ou vai seguir em frente dando mais importância ao seu bem-estar.

Falando assim, parece que hoje sou um ser completamente centrado, mas não. No meio de um império da beleza tão forte como o nosso, sempre me pego procurando defeitos, me sentindo mal porque engordei alguns quilinhos, ou soltando aquelas frases infelizes do tipo “vadias não sentem frio” quando vejo uma moça usando tubinho madrugada a fora. O lance é saber reconhecer quando isso acontece, e ligar o fodômetro.

No fim das contas, deixa-me ser quem eu sou, e deixa ela também. A vida sempre vai ser um aprendizado, e é importante que sempre tentemos caminhar para frente. E digo mais: a partir do momento que escolhi esse caminho, meu reflexo no espelho se tornou muito mais prazeroso de se ver.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial


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