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Empoderamento é uma das palavras-chave para a minha sobrevivência e militância enquanto mulher, negra e gorda numa sociedade machista, racista, gordofóbica e preconceituosa de várias outras formas.

Pra quem não vivencia a discriminação diariamente, pode parecer papo desnecessário, caô, vitimismo ou até mesmo frescura. Mas aí é que deveria entrar a tal da empatia, que virou palavrinha da moda, porém, na prática, pouca gente tem.

Escrevo sobre empoderamento, não para mudar o mundo, pois seria muita pretensão da minha parte. Mas sim, para encorajar as mulheres com quem convivo e as que leem os meus textos e dizer que, assim como eu, elas não estão sozinhas. Que por mais que sejamos diferentes – algumas com mais privilégios, outras com menos – em algum momento, todas seremos vítimas do machismo. Um fiu-fiu na Avenida Paulista, uma passada de mão na escada rolante da Estação Sé, um beijo forçado na micareta, uma encoxada no ônibus lotado. Essas, infelizmente, são situações pelas quais iremos passar – se é que isso já não ocorreu. E se algo pior acontecer, a culpa NUNCA é nossa, por mais que tentem nos convencer de que fomos a causa do abuso.

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Escrevo sobre empoderamento porque sou mulher. Porque sou retratada nas propagandas de cerveja e automóveis como mercadoria o tempo inteiro. Porque todo dia sou “premiada” com assédio de forma nojenta e assustadora de homens de todas as classes sociais – de mestres de obras a executivos bem sucedidos e pós-graduados. Porque sou interrompida em excesso quando falo nas reuniões. Porque tentam me impor padrões inalcançáveis e doentios de beleza e juventude. Porque sempre sou vista como um problema, aquela que vai roubar a liberdade de um pobre homem, e depois terminar de destruí-la no casamento.

Escrevo sobre empoderamento porque perdi a conta das vezes em que meu cabelo já foi puxado na rua. Porque cansei de chegar em casa com ele cheio de chicletes, que os coleguinhas da escola eram peritos em esconder quando estava distraída. Porque fui chamada de piolhenta até na adolescência – e, até onde sei, esses pequenos insetos não tem predileção por um tipo específico de cabelo, muito menos de pele. Porque as humilhações foram tantas, que já desejei ser branca, pra acabar com parte do meu sofrimento.

Escrevo sobre empoderamento porque pessoas desconhecidas me abordam no meio da rua com um “e aí, quando é que você vai emagrecer?”. Ou então “você já pensou em fazer uma bariátrica?”. Gente que com certeza não está nem um pouco preocupada com a minha saúde, mas que exerce “brilhantemente” o papel de fiscalizar corpos que não lhes dizem respeito.

Escrevo sobre empoderamento por um simples motivo: eu não tenho muitas opções. Ou luto contra um sistema que tenta reduzir a minha autoestima a frangalhos, tolher o meu direito de escolha e extinguir a minha dignidade, ou me permito ser sepultada por ele – mas essa, definitivamente, não é a opção que escolhi. Sozinha, sei que não posso transformar essa realidade, porém juntas nos tornamos cada vez mais fortes!

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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