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Estreou o novo MasterChef, dessa vez com a versão Jr. Eu já estava animada, adoro esses programas, já havia assistido as versões estrangeiras e me perguntava se as crianças brasileiras seriam tão absurdamente boas de cozinha como as “gringas”.

Parte da minha diversão com o programa vem de acompanhar os comentários do Twitter, morro de rir dos “memes” quase instantâneos que vão surgindo a cada minuto de programa.

Entretanto, nessa estreia, o engraçado foi substituído pela indignação. Durante a exibição do programa, apareceu uma das participantes, V., de 12 anos de idade, e comentários pedófilos foram inundando o Twitter.

V. é uma criança linda, com trejeitos de criança, voz de criança e postura de criança. Pela idade, está entrando na puberdade, mas AINDA é uma criança. Nossa legislação é clara, sexo ou assédio sexual a uma criança é crime, estupro de vulnerável.

Isto porque nossos legisladores, e concordo plenamente, decidiram que criança não tem capacidade e maturidade de consentir, daí vem a vulnerabilidade.

Não pensem que nós, mulheres que, em sua grande maioria, se revoltou com os “elogios”, não temos senso de humor. Particularmente, eu sempre gostei de rir das “zueiras” que surgem no twitter, mas frases como:

MasterChef-Polemica

Não é brincadeira, não é engraçado, é CRIME. E apenas reforça os movimentos feministas que há muito tempo gritam acerca da cultura do estupro. Essa menina não pode ser responsabilizada pela escrotice humana.

No Brasil, até os direitos fundamentais são pesados em uma balança. A liberdade de expressão, não pode aferir um peso maior que o da liberdade sexual de uma pessoa, tão pouco o direito da criança. E esse vem sendo o entendimento dos Tribunais, incitar o crime, também é crime e, nem mesmo na internet, está permitido dizer o que quiser.

Após o episódio, foi iniciada uma campanha no Twitter com a hastag #primeiroassedio, onde mulheres deram seus depoimentos sobre o tema. Chega a dar um nó na garganta ouvir os relatos e perceber que a maior parte de deles, de fato ocorreu na infância.

primeiro-assedio

Muitos homens e alguns famosos, fizeram chacota da campanha, o que só reforça a veracidade dos crimes que têm sido cometidos, porque a mentalidade ainda é de que isso é normal, aceitável, só brincadeira. Mais uma vez ressalto, não é engraçado pra quem sofre, pra quem vive com medo, pra quem sente culpa por ser vitima. A falta de empatia dessas pessoas é clara, e imagino se os sentimentos são os mesmos, para com suas mães, irmãs e filhas.

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Em entrevista, o pai de V. disse que a filha está sendo devidamente protegida do contato com essas mensagem, que sequer chegaram a seu conhecimento. Em um universo extremamente digital é difícil imaginar o quão trabalhoso, senão impossível, é proteger a criança a exposição da informação.

Que ao menos esse caso ao menos fique de alerta, a cultura do estupro, não é frescura de mulher, não é ilusão de cabeça de feminista, ele existe e precisa ser combatido. Para que eu, você, V., e todas possamos nos se sentir seguras.

No mais, fica esse sentimento de impotência, essa vontade de poder fazer mais. Não fiquem caladas meninas, não fiquem quietas, testemunhas, podemos lutar.

Aos que ainda não entenderam, que me desculpem, mas até a zueira tem limites.

E, caso você ainda tenha dúvidas, a Jout Jout também explica:

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Imagem: facebook.com/empodereduasmulheres

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