Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Meu texto hoje é para todas nós, mulheres. Independente de suas lutas, convicções, posições políticas, raças, etnias e sexualidades.

Depois do fim de semana maravilhoso protagonizado pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), me coloquei a pensar. É claro que as pessoas contrárias ao feminismo publicariam textões sobre o quanto a prova foi, para eles, revoltante. Mas isso me gerou uma dúvida enquanto mulher: já que a coisa tá tão feia assim, o que eu poderia fazer, então, para ser mais respeitada pela sociedade? Para parar de receber/ler críticas infelizes dos outros sobre o meu gênero? Bem, se a condição fosse “parar de balançar a bandeira do Feminismo”, então não, sem chances. Mas eu estou numa posição confortável para não querer negar esta luta, uma vez que faço parte dela desde pequena. E, além disso, estou quase chegando à conclusão de que não adianta explicarmos o que é, de fato, o Feminismo, se as pessoas não quiserem absorver a ideia.

Daí pensei: mas então será que precisa se declarar feminista para conseguir se fazer respeitada(o) pela sociedade? Essa é a única maneira? E depois de um tempo cheguei à conclusão de que não, não é preciso, necessariamente, fazer parte deste movimento para conseguir mais respeito a todas as mulheres. E, além disso, convenhamos que, para uma parcela da sociedade, o Feminismo é bem mau visto. Logo, meninas, para quem não se sente confortável ao defender essa luta, basta voltar naqueles ensinamentos básicos que tivemos quando crianças. É aquele velho esquema da ação e reação: “Não faça aos outros o que você não quer que seja feito a você”, certo?

Pois é, mas por mais que essa teoria seja linda, a prática não chega a ser tanto. Uma das situações que mais me entristecem é ver uma mulher reproduzindo discursos machistas. E me impressiona porque a maioria que já reproduziu também já se encontrou em situações desconfortáveis justamente por ser mulher. Perceba, quantas vezes você já escutou de amigas ou conhecidas (ou até mesmo já falou) que as garotas que usaram roupas que deixavam o corpo mais à mostra mereceram ser cantadas/assediadas/estupradas? E vai me dizer que você nunca pensou que aquele namorado que traiu sua amiga era, no máximo, cafajeste, enquanto a menina era uma “puta piranha” que soube se aproveitar do moço? Acho que não precisamos contar, né? Além disso, gosto de ressaltar que existem casos onde as mulheres mais puritanas, ainda assim, são alvos de brincadeiras de mau gosto por parte das outras. Afinal, “essa menina é frígida, né? Uai, nunca “deu”. Só deve ser isso mesmo, coitada.”

PARTICIPE: Agi como uma vadia, será que mereço me perdoar?
PARTICIPE: Preciso de ajuda para emagrecer sofro muito com minha aparência…

Então, girls, hoje quero que vocês percebam que, basicamente, ser mulher já é difícil o bastante. Muitas situações ainda não nos são favoráveis, e não dá para colocar a culpa só nos homens por causa disso, e sabe por quê? Porque sempre dependemos do “aval” deles, e da sociedade no geral, para nos sentirmos bem conosco mesmas. Certa vez li uma entrevista com a historiadora Mary Del Priore que tinha como tema o machismo entre as mulheres. De acordo com ela, “muitas mulheres não conseguem se ver fora da órbita do homem e são dependentes da aprovação e do desejo masculino”. Então, uma boa maneira de combater o machismo sem ser, necessariamente, uma ativista feminista, caso você não queira, é começar a respeitar a colega que está ao seu lado. Vamos negar essa tendência de precisar da aprovação de um homem e começar a aprovarmos umas às outras.

Logo, mulheres, por favor, parem e pensem no momento em que vivemos, e em tudo que já passamos e teremos que passar. Parem e reflitam sobre nossa situação atual. Será que o mundo é tão justo assim conosco? Leiam as notícias das pessoas que tiveram a coragem de criticar o tema da redação do Enem sobre a persistência da violência contra a mulher. Quem, em sã consciência, criticaria um tema tão sério como esse? Provavelmente quem acha que existem certos tipos de mulheres que merecem apanhar, né não? No mais, comecem a ter um olhar mais crítico, reflitam sobre situações que vocês já passaram que possuem ligações com o machismo e que, é claro, não foram agradáveis. Parem de ter revoltas seletivas, não é assim que mundo funciona.

Assim, não precisa ser feminista se você não quiser, afinal, um NÃO É o contrário do outro. É só não reproduzir discursos machistas. Não alimente essa tendência da sociedade patriarcal, nos ajude a dar um basta nisso. Veja que não faz sentido achar uma injustiça quando uma esposa apanha de seu marido porque demorou com a janta, mas achar merecido um pedreiro assoviar para uma garota na rua porque ela decidiu sair de vestido. Não adianta.

No mais, é simples. Não adianta querer respeito, se você não respeitar.

Receba no seu e-mail dicas/textos sobre Vida

MAIS: REINVENTE O USO DAS SUAS CANGAS E FIQUE MARAVILHOSA!
MAIS: VOCÊ SABE MESMO O QUE É O FEMINISMO?

Imagem: pinterest.com/superelaoficial

@ load more