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[+18] A RUIVA DO METRÔ

Jose Lucio

Colunista Superela

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Era só mais um final de tarde comum. A noite já acariciava os prédios de São Paulo e eu, como sempre, distraído, passava os olhos pelo telefone enquanto esperava o metrô. Dois passos à frente e resolvo olhar para o lado, sem querer acabo esbarrando em alguém.

-Desculpa!

-Não, imagina moço, a culpa foi minha.

Disse a ruiva arrumando o cabelo atrás da orelha e curvando o olhar tímido, enquanto a luz da estação ressaltava as sardas em sua face, que mais pareciam gotas de chuva em um botão de rosa branca. Entramos no vagão e era como se pudessem explodir uma bomba ao meu lado que mesmo assim eu não ligaria. Eu já estava hipnotizado pela moça com a inocência mais perversa que eu conheci em toda a minha vida.

– Então, o que você faz da vida? Perguntou.

– Escritor, respondi.

– Nossa, nunca conheci um Escritor, que legal. E escreve sobre o que?

– Sobre o que eu vivo. Ou sobre experiências que eu gostaria de ter vivido. E você o que faz da vida?

– Me deixou curiosa agora. Eu estudo enfermagem. Estou no 5º semestre.

– Hm, Enfermeira? Quer dizer que gosta de cuidar das pessoas?

– Gosto. Disse ela, mais uma vez arrumando os fios atrás do ouvido.

Perguntei se era solteira e ela me respondeu que sim, retribuindo o questionamento. Fiz sinal de positivo com a cabeça. O ar do ambiente estava gelado, mas o meu sangue corria tão quente quanto a cor madeixas da chapeuzinho vermelho, que de ingênua só tinha a risada.

– Está indo pra casa?

– Sim, eu disse. Mas estou a fim de uma cerveja. Topa?

– Pode ser! Quem sabe eu não me torne inspiração para um texto seu? Em meio a gargalhadas desconfiadas.

PARTICIPE: Subindo pelas paredes. É normal?
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Já havia escurecido. Descemos na estação da Consolação e seguimos até o bar mais próximo. 2 cervejas depois e muita conversa jogada fora, ela me indaga:

– Qual o seu nome? Ainda não perguntei isso. Estou na rua com um desconhecido!

– Lúcio, prazer! E o seu? Espera, deixa eu adivinhar. Antônia? Seus olhos estão me dizendo que você se chama Antônia. Acertei?

– Não, Lívia. Também acho Antônia bonito, mas me chamo Lívia, respondeu com um sorriso.

Curvou os ombros sobre a mesa, virou o copo de cerveja em um gole e me indagou:

– E ai escritor? O que mais meus olhos te contaram?

Agora toda a inocência já havia descido goela abaixo, junto com a bebida, e era ela quem me comia com os olhos.

Respondi com a mão na nuca e a minha língua na dela, brincando de provocar o instinto animal que estava dormindo naquele corpo até então.

– Vamos para outro lugar que eu te conto.

O tesão já marcava a minha calça e não tínhamos mais pra onde escapar. Enquanto nos amassávamos, tropeçando nas cadeiras do estabelecimento, entramos no banheiro feminino e ela trancou a porta na mesma velocidade em que abriu meu zíper e abocanhou meu pau, sedenta. Peguei-a por um punhado de cabelos e a levantei com os braços, enquanto a escorava na gélida parede de azulejos brancos que se confundia em meio a sua cor.

A saia preta preferiu não atrapalhar e caiu sozinha enquanto eu apertava seu seio esquerdo e chupava o outro fugidos de um decote cavado. Em seguida, adentrei-a sua caverna doce e úmida com a minha boca enquanto ela gemia e apertava minha mão tão forte que as unhas chegaram a rasgar a minha pele. Coloquei-a sentava sobre o meu colo, sem tirar o sapato. Ela se movimentava como uma exímia amazona. Vai e vem, na engrenagem perfeita do meu movimento com o dela. Era como se atrás daquela porta, tivéssemos deixado todos os problemas, o pudor e todas as gentilezas.

– Me fode, me fode gostoso. Vai, não para. Ela sussurrava quente ao pé do meu ouvido ao mesmo tempo em que suas unhas abriam caminho pelas minhas costas.

Eu a levantei sobre o meu corpo. 1, 2, 3, 4, 5, 6. Era encantadora a forma como ela explodia de prazer. Gozamos de forma tão prazerosa que acabamos perdendo o equilíbrio e caímos sentados no chão. Com o peito já suado, minha corrente de prata contrastava com o vermelho suave do cabelo dela. Era como se fosse o sol batendo na janela qualquer de um prédio. O final da tarde que morava no corpo dela esvaiu toda a minha energia.

Nos limpamos, saímos dali e pagamos a conta. Ainda meio amarrotados, ela me deu um beijo de despedida, sacou um sobretudo da bolsa e foi embora, envolta pelo casaco como se ele fosse a própria noite. Negou-se a me dar o telefone ou esboçar qualquer sorriso que pudesse me convidar para qualquer outra coisa, mesmo a contra gosto da dona. A enfermeira sabia a doze certa para anestesiar aliviar o desejo e tornar o pouco de saudade que ela havia deixado em veneno.

Nunca mais a encontrei por aí, mesmo passando pela estação sempre que possível. Talvez ela só quisesse algumas páginas dos meus cadernos. E quem sabe, ela fosse mais má e atriz que o lobo esperto que eu sempre me gabei de ser.

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