O que você procura?

Depois que o avião parou de convulsionar como uma moça com baratas dentro da calça, você me perguntou: “Sentiu muito medo?” Na lata, eu respondi: CLARO! E ficou por isso mesmo, uma só palavra. Agora que estou em terra firme e com coração menos retumbante, porém, sinto a necessidade de lhe dar uma resposta mais detalhada, para que você entenda, perfeitamente, os detalhes do medo que senti. Posso?

Não tive medo da dor que, provavelmente, sentiria se o pássaro metálico em que estávamos se esborrachasse no chão. Aliás, será mesmo que dá pra sentir alguma coisa quando um avião cai? Não creio. Nem tive medo de ir diretamente ao inferno, afinal, fontes confiáveis me garantiram que o Elvis vive a tocar Raul nos churrascos cheios cerveja e vinagrete que ocorrem por lá, todo santo (ou nem tanto, né?) dia. Tive medo, apenas, do que não poderíamos fazer se morrêssemos naquele domingo, em algum lugar entre Floripa e Sampa, antes do Fantástico e depois do Faustão.

PARTICIPE: Ele não sabe que quero o mesmo que ele
PARTICIPE: Estou apaixonada pelo meu PA

Tive medo de não ter tempo suficiente para lhe chamar, mais uma vez, de “Cabeça de Oreo”. Tive medo de ser privado, sem qualquer chance de revide ou esperneio, de uma nova chance de lhe fazer gargalhar, até perder o ar, do meu jeito desengonçado de bailar. Tive medo de bater as botas antes de lhe dar um boneco de neve, uma capivara e um daqueles abraços que fazem com que você se esqueça – por alguns segundo, ao menos – do quanto este mundo é áspero e pouco acolhedor. Tive medo de nunca mais presenciar a cara de alívio que você faz quando, para combater as suas cólicas malditas, eu coloco uma toalha quente sobre sua barriga. Tive medo de não ter uma nova oportunidade para tentar lhe convencer de que “Isso é entre mim é você” é o jeito certo, apesar de soar estranho. Tive medo de não lhe flagrar, na calada da madrugada, cavocando o panetone. Tive medo de não ter tempo para assistir, com as pernas trançadas nas suas, à segunda temporada de Sense8, ao terceiro capítulo de Orphan Black e a todos os filmes que estão em nossa lista que requer, no mínimo, doze anos no sofá-cama para ser totalmente vista. Tive medo de lhe deixar com uma má impressão das minhas panquecas, duvidando da minha capacidade de fazê-las sem que grudem ou fiquem com cara de sucuri atropelada na BR-364. Tive medo de não conseguir lhe ajudar a realizar a sua vontade de abrir um abrigo para cães abandonados. Tive medo de não poder lhe ver gastando, sem moderação, o Vans que lhe dei de aniversário, dois dias antes daquele voo. Tive medo de morrer antes de descobrir a cara que fará ao ler meu novo livro, e descobrir que ele está empanturrado de você, de nós.

Tive medo, claro que tive. Medo de não conseguir realizar os tantos sonhos que você – dia após dia, beijo após beijo, “Vamos, né?” após “Vamos, né?” – plantou em mim.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial


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