O que você procura?

Depois de um tempo sozinha  assistindo pessoas à minha volta entrarem e saírem de relacionamentos das formas mais diversas possíveis, cheguei a uma conclusão: talvez o grande problema que permeia a vida amorosa da maioria das pessoas é que elas estão mais preocupadas com o “viveram felizes para sempre” do que com viver o “era uma vez…”. Na verdade, sendo mais precisa, eu arriscaria dizer que o grande problema da vida amorosa das pessoas em geral é que elas lidam com o “felizes para sempre” como uma certeza, como o único fim possível, como uma consequência lógica da vida. Mas o que há de errado nisso? Não queremos todos ser felizes?

O ponto que torna o “viveram felizes para sempre” problemático, na verdade, não está no quesito felicidade. Está, mais precisamente, no uso da terceira pessoa do plural para conjugar o verbo “viver”. Se pararmos para refletir, acho que a maioria de nós nem saberia dizer exatamente em que ponto da vida começou a projetar seu ideal de felicidade e realização na conquista de uma vida a dois. É muito difícil que alguém consiga lembrar em que momento começou a entender que encontrar a metade da laranja e conseguir manter essa metade ao seu lado pro resto da vida seria sinônimo de felicidade e plenitude.

Eu, particularmente, não consigo lembrar quando foi que decidiram por mim que um dia eu casaria. Sei – muito mais por intuição do que por uma memória exata, datada – que desde que eu entendo que dois seres humanos podem se relacionar amorosamente fiquei sabendo que me casaria. Fiquei sabendo através do “quando você casar você vai entender”, do “no dia que você casar e tiver filhos você vai ver como…” e por aí vai. Ninguém nunca me apresentou outra alternativa. Os adultos à minha volta nunca deixaram em aberto a possibilidade de que talvez eu pudesse escolher não casar, não ter filhos. Nunca houve um “SE um dia você casar”. O meu casamento já era um ponto de parada certo na trajetória da minha vida. Nunca me falaram sobre outros formatos de relacionamento que não o monogâmico, nem sobre formas de amor diversas, nem sobre ser feliz sozinha. Tudo que me foi ensinado (e acredito que à maioria das pessoas da minha geração também) é que um dia, ao chegar à vida adulta, eu encontraria alguém que finalmente me completaria e daria sentido à minha vida, casaria com essa pessoa e….lá vem ele…le grand finale: seríamos felizes para sempre!

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Acontece que na matemática da vida a equação não fecha. A imposição desse modelo de felicidade a dois como único caminho possível para alcançar o sentido pleno da vida nos empurra, muitas vezes, para um abismo existencial. Passamos a vida perseguindo e depositando nossa felicidade numa coisa que, talvez, simplesmente não exista para nós. Digo isso porque as pessoas não se dão conta em seus discursos de que o mundo não tem um número exato de pessoas, não é  1X1. Ou seja, não existe para o número de mulheres heterossexuais a proporção exata de homens heterossexuais que garanta que o encontro com a alma gêmea está só esperando o tal “momento certo”. Nem de mulheres homossexuais entre si, nem de homens homossexuais entre si e por aí vai. Chegar a essa conclusão óbvia (porque são dados numéricos irrefutáveis) deveria nos fazer refletir que, diante desse quadro, um grande número de pessoas há de não “encontrar alguém”. Pelo menos não aquele tal alguém para passar a vida inteira. Talvez muitos de nós encontrem vários “alguém” ao longo da vida, divida muitos momentos com essas pessoas, mas não se estabeleça de maneira definitiva com nenhuma delas.

Concluindo-se pela matemática inexata da vida, o que é preciso pensar é: por que afastamos com tanta veemência, por que temos tanto medo de ser aquela cota de seres humanos que não encontrarão a tampa da sua panela? Por que ainda temos tanto medo de conviver com a solidão que é inerente a todo e qualquer ser humano?

Hoje, depois de passar muito tempo frustrada esperando pela minha vez na fila do “viveram felizes para sempre”, quando digo para as pessoas que fiz as contas da vida sobre a qual me referi logo acima e decidi abrir mão de esperar por esse tal encontro com a minha suposta alma gêmea e fazer os meus planos de vida contando apenas comigo mesma, muitas pessoas dizem que eu estou muito “amarga”. Cada vez que ouço isso sinto um pouco de pena das pessoas que não se enxergam – elas sim – amargas por não conseguirem conceber a ideia de viveram apenas na sua própria companhia. Penso se é difícil a minha vida, fazendo planos sozinha, ou a dessas pessoas, sempre esperando por alguém para serem felizes. Ser feliz sozinho e fazer planos colocando apenas você mesmo na conta não é ser amargo, é trabalhar com o que se tem. É estar em paz com a sua realidade e não ficar contando com o imprevisível para ser feliz. O que de nenhuma forma quer dizer que se alguém surgir não será bem-vindo.

Então, tudo que eu posso dizer a você, querido leitor, é que talvez você não encontre alguém. Talvez você não case, talvez você não seja o grande escolhido para passar a vida ao lado de uma outra pessoa. E talvez você até seja escolhido, mas a recíproca não seja verdadeira. Talvez você divida partes da sua vida com pessoas diferentes e cada uma dessas partes seja extremamente especial, mas você não se ligue a ninguém em caráter definitivo. Talvez você se encontre em outro formato de relacionamento que não o monogâmico. Tudo pode ser muito diferente daquilo que você acreditou que seria a sua vida inteira.

Diante disso, você tem duas opções: você pode passar toda a sua vida perseguindo o ideal de felicidade que ensinaram pra você, tentando se encaixar naquele modelo pronto de final feliz, sofrendo a cada dia que se der conta de que ele não está acontecendo para você ou que não tem nenhuma perspectiva em vista de que vá acontecer; ou pode se dar por completo sozinho, parar de esperar o “felizes para sempre” e alcançar um “feliz (no singular mesmo) agora” e experimentar estar aberto a outros formatos de felicidade, de experiências amorosas e de realizações em si mesmo e, de repente, acabar até mesmo caindo nas graças de um relacionamento monogâmico com sua possível metade da laranja por acaso. O X da questão é não fazer dessa ultima circunstância a sua única alternativa possível. Dizem que “quem se define se limita”. Talvez seja isso com a felicidade. Definir de antemão uma forma de ser feliz e se apegar a ela como se fosse a única fórmula da felicidade que poderia funcionar na receita da sua vida pode ser exatamente aquilo que te põe em angústia e te faz sofrer.

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E lembre-se: mais vale um “era uma vez” bem vivido na mão do que um “viveram felizes para sempre” incerto voando. A felicidade acontece agora. Olhe à sua volta e desfrute do que você pode viver nesse momento. Este é o conselho que eu daria. Viver contando com algo que pode acontecer, mas também pode NÃO acontecer, para ser plenamente feliz…bom…eu, pessoalmente, não considero a opção mais inteligente. A felicidade possui várias formas, tem muitos objetos de desejo, mas ela ocupa um único lugar: nós mesmos. Não espere por alguém pra ser feliz

Imagem: Pinterest

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