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Ela raramente me pede favores ou presentes. E nas vezes em que ofereço algo, costuma me responder: “Não precisa”. Ou: “Eu compro, pode deixar”. Na semana retrasada, porém, por WhatsApp me mandou a foto de um sapato com a seguinte descrição: “Se você vender muitos livros, eu quero!”. Respondi com uma carinha amarela sorridente e, em seguida, brinquei: “quando vender mais livros do que o Paulo Coelho, eu comprarei.”

Eu não gostei muito do sapato, sendo bem sincero. Aliás, gostei das bolinhas brancas e do salto, mas não curti o bico quadrado. Ela gosta dos sapatos de bico quadrado, curte desde antes de me conhecer, e eu os acho estranhos. Ponto. No entanto, quem precisa gostar do sapato é ela, certo? E como eu gosto dela mais do que curto nhoque recheado, resolvi presenteá-la.

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Graças ao logotipo que havia em um dos cantos da imagem e a uma ajudinha básica do mestre Google, achei o site da loja que estava vendendo o tal calçado. Depois, sem muita dificuldade, encontrei-o entre muitos outros, comparei-o algumas vezes com a foto recebida – para ter certeza de que não compraria o modelo errado -, assinalei “35” em numeração, cliquei em “adicionar ao carrinho” e, no passo final – depois de preencher todos os dados do meu cartão de crédito -, desisti da compra. Pipoquei porque me lembrei dos gastos extras que havia feito e das contas impiedosas que logo chegariam.

Hoje, porém, a editora me informou que já vendi 800 livros. Não chega nem perto do Paulo Coelho, mas… Resolvi comemorar concluindo a compra do sapato. Resolvi, contudo não consegui. Deu ruim. A numeração dela havia acabado, para a minha surpresa (subestimei a quantidade de gente que curte bico quadrado). No momento, só 39 e 40. Fiquei triste, confesso. Triste porque consigo imaginar, com uma riqueza de detalhes impressionante, a cara dela ao tirar a tampa retangular da caixa de papelão, e o grito que ela certamente daria em seguida, e um abraço constritor de lutador de MMA logo depois, e… Fiquei triste porque o sorriso dela, por um surto de racionalidade e excesso de pé no chão, escapou do meu alcance. Fiquei triste porque poderia ter usado um pouco da reserva financeira que fiz para emergências. Fiquei triste porque hoje, por acasos que não posso reverter, ela está triste, e sei que ficaria um pouco menos se esbarrasse, de repente, com o sapato de bico quadrado acompanhado por um bilhete, algo como: “Sempre que estiver triste, calce-me e dance até a tristeza evaporar”.

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Para conseguir o sapato, pouco posso fazer. Na real, já fiz o que estava ao meu alcance: no site, cadastrei meu e-mail para que me avisem quando o sapato chegar. Agora, só me resta esperar. Pensando bem, posso fazer algo, sim. Ela só chegará do trabalho daqui a duas horas, ou seja, tenho tempo mais do que suficiente para aprender a fazer onion rings, comprar um pedaço de Red Velvet (bolo que ela adora) e, numa folha colada à geladeira, escrever algo que a faça achar o mundo um pouco mais confortável e bonito. O quê, por exemplo? “Quem tem amor, onion rings, bolo e Netflix não precisa de mais nada, não acha?”

Ela gosta dos sapatos de bico quadrado. E eu gosto dela. Muito.

Imagem: Pinterest

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