Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Há mais ou menos 6 meses atrás eu decidi iniciar um projeto lindo na minha vida: um trabalho voluntário. Faziam alguns meses que eu havia me divorciado e com o tempo mais livre precisando ser preenchido com algo útil. Com o desejo de ser mãe que havia sido adiado, procurei a ONG Parceiros Voluntários da minha cidade. Já tinha realizado alguns trabalhos sociais pela empresa para a qual trabalho e sabia o quanto era gratificante. Na época que estava casada, não sobraria tempo semanal para o voluntariado –  até porque um dos erros que cometi no meu relacionamento era não fazer nada (ou quase nada) sem o marido junto.

Pois bem, com a separação senti que havia chegado o momento de ser voluntária. Estava com a ideia fixa de trabalhar com crianças, doar este amor de mãe que me “sobrava”. Fiz a sequência de passos necessária para iniciar: participei de uma reunião de conscientização, escolhi a instituição, visitei a mesma para conhecer a coordenadora e as crianças e, então, pude começar. A Parceiros Voluntários pede uma carga horária mínima de 3 horas semanais, até para criar vínculo com quem está recebendo o trabalho, foi então que escolhi o sábado pela manhã por já trabalhar durante a semana.

A instituição em que faço o trabalho voluntário abriga crianças de 0 a 16 anos retiradas das famílias pela justiça através de denúncias. Os problemas são os mais diversos: drogadicção dos pais, alcoolismo, problemas mentais, abuso sexual, violência, etc. As crianças podem ficar lá 1 ano enquanto a família se reestrutura para recebê-los de volta. Há todo um acompanhamento para garantir a integridade, mas o principal objetivo é que voltem de fato para a família nuclear. Caso após este prazo não hajam condições de serem devolvidos (a família continua com problemas), as crianças são encaminhadas para adoção.

Propus fazer um trabalho na minha área (sou Engenheira de Alimentos), montando um Manual de Boas Práticas de Manipulação para a cozinha, fornecendo treinamento para as cozinheiras, organizando recebimentos e armazenamento das doações de alimentos, entre outros. Mas, olha, vou te contar que nestes meses que estou lá acabo ficando a maior parte do tempo com as crianças, pois não há como não se apegar e não querer ficar a maior parte destas 3 horas semanais ao lado delas. Há dois grupos: o dos maiores e o berçário onde ficam os bebês de colo e crianças de até 3-4 anos. Brinco com eles, jogo joguinhos, bola, pinto desenhos, e com os bebês ajudo a cuidar, dar mamadeira e comida na boca para as crianças menores.

Sempre que falo com as pessoas sobre este trabalho, os comentários são quase sempre unânimes: “Nossa, que legal!Parabéns!”, “Puxa, um dia quero fazer também!”, “Parabéns pela iniciativa!”. E aí eu me pergunto: mas porque não fazem? Porque às vezes é mais fácil reclamar do governante (em tempos de caos na política) se a gente mesmo não faz nada para mudar a nossa sociedade? Claro que este tipo de trabalho tem de ser bem pensado antes de fazer, não é algo que de uma hora você vai outra não, é um compromisso, é algo que precisa do seu tempo, cuidado e atenção. É um trabalho de formiguinha sim, mas pense comigo: se cada um de nós fizesse um pouquinho quantas coisas poderíamos mudar nesse mundo, a começar pela nossa cidade, pelo nosso bairro?

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PARTICIPE: Como pedir um estágio voluntário?
PARTICIPE: Tempo livre desperdiçado

Vou te contar 3 lições de vida que aprendi para quem sabe você se empolgar e partir também para o voluntariado. Vamos comigo?

1. O TEMPO É O MESMO PARA TODOS NÓS

O tempo é algo que é igual para todos, independente da posição social. Seja rico, seja pobre, todos temos 24 horas por dia para realizarmos nossas atividades. O tempo é algo que não dá para comprar aumentando o seu, não dá para emprestar, não dá para doar para aumentar o do outro. Quantas vezes você ouviu de alguém e ouviu de si mesmo: “Quero (ou preciso) fazer tal coisa, mas NÃO TENHO TEMPO!”, “Puxa, estou sem tempo!”, “Precisava que meu dia tivesse 48 horas”.

Como algumas pessoas conseguem fazer tantas tarefas com o mesmo tempo que o nosso? Nos falta tempo ou nos falta organização? Quantas vezes você pensou em fazer algo de médio ou longo prazo (como um curso ou faculdade), pensou que era tempo demais (muitos anos se dedicando) e acabou deixando de fazer? Bom, o tempo passou igual e se você tivesse começado naquela época quem sabe agora já estaria terminando…

A verdade é que o tempo passa de qualquer jeito, ele não pára, ele não espera por ninguém. E aí, quer passar o seu tempo fazendo algo útil, algo que faça bem para você e para alguém ou vai preferir continuar desperdiçando?

O tempo é uma das coisas mais preciosas que a gente pode doar a alguém, pois uma vez passado, é completamente impossível voltar. Desta forma também acredito que o hoje, o agora, seja o momento mais importante para fazermos algo, para vivermos, pois o ontem já passou e o amanhã ainda não está aqui.

2 – VOCÊ REDEFINE O SEU CONCEITO DE FELICIDADE

Já parou para pensar no que é felicidade pra você? O que te faz realmente feliz? Para muitas pessoas a felicidade está ligada a status, bens materiais, dinheiro que você pode investir na compra disso ou daquilo. Aí você adquire o que tanto queria, passa um tempo e não se sente mais feliz. Passa a buscar sempre algo novo, está sempre em busca de aquisições. E então passa a notar que este sentimento é temporário, e que a felicidade verdadeira não tem nada a ver com bens materiais.

Lembra daquele sentimento bom de infância quando tinha um bolo da sua mãe ou avó assando, aquele cheiro delicioso no ar, família reunida, você correndo e brincando? Porque agora você insiste em trabalhar cada vez mais, em adquirir cada vez mais, e mesmo assim nunca está satisfeita?

Ao mesmo tempo, porque você reclama que está chovendo, sai de casa mal humorada porque é mais uma segunda-feira? “Que droga acordar cedo!”, reclama, mas sem parar para pensar que muitos neste momento de crise estão sem emprego. Aí você vai ficando cada vez mais sem paciência, até para os familiares e as pessoas que te rodeiam.

Agora imagine morar em uma casa onde você não tem familiares, onde você já sofreu antes de chegar ali apesar da pouca idade, onde não tem livre arbítrio para fazer o que quer, não pode sair sem acompanhamento, para receber visita de quem você gosta só com horário marcado.

Assim é a rotina na casa de passagem. Fico assustada com bebês recém nascidos que saíram do hospital direto pra lá, porque as mães não “quiseram”. Imagine você mal ter vindo ao mundo e já não ter ninguém para contar? Tudo bem, muitos de vocês lendo este texto podem ter crescido sem a presença de pai ou mãe, mas sempre se tem algum parente, amigo, em que se pode dividir os momentos felizes e tristes.

E vou te contar que apesar de tudo isso, a felicidade impera naqueles rostinhos. Claro, são crianças ainda, não possuem todas as preocupações de um adulto, mas eles são muito felizes. Brincam, se divertem, pulam, correm, aprontam, como qualquer criança. Quando um processo de adoção se inicia, a felicidade deles é tão grande, em ver a chance de ter uma família, de ter brinquedos que não precisam dividir, de ter um quarto só pra si. Coisas que a maioria de nós temos ou tivemos, mas que é tão corriqueiro que não damos a devida importância.

Lembra quando você era adolescente, começou a se maquiar, se arrumar mais, já de olho nos gatinhos da escola? Lembra o quanto essa fase nos deixava envergonhadas? Pois então, tem algumas meninas lá de 13-14 anos, e pelo que as funcionárias relatam, elas tem vergonha de dizer que moram na Casa, sentem vergonha dos colegas, imagine quão mais difícil será esta fase (porque adolescência por si só já é complicada) para estas meninas?

Portanto eu te digo com toda a convicção: você tendo saúde, família, amigos, um emprego para lhe manter, o que mais você quer da vida menina? O resto todo que conquistar é bônus, mas o principal você já tem!

3 – QUEM FAZ VOLUNTARIADO GANHA MUITO MAIS DO QUE QUEM RECEBE O TRABALHO

Esta é a frase que mais se ouve quando se fala em voluntariado, que quem dá seu tempo e trabalho ganha muito mais do que quem efetivamente está recebendo este trabalho. E te digo com toda a certeza, é verdade!

Sabe aqueles dias que você está de TPM, ou simplesmente cansada, ou triste com alguma situação chata que tenha acontecido? Aí você chega lá e é recebido com tanto mas tanto carinho que tudo passa na hora!

Normalmente crianças vem correndo te abraçar e beijar (falando aqui de primos, sobrinhos, etc) somente quando esperam algo não é mesmo? Podem até te beijar e abraçar, mas logo em seguida saem correndo…

Em um local como a Casa de Passagem, por exemplo, as crianças são tão, mas tão carentes que eles disputam sua atenção entre eles. “A tia é minha!”, um grita, “Não! É minha!”, dispara o outro. “Tia, tu é o amor da minha vida sabia?”, ”Tia, né que eu sou teu grude?”, ouvir estes tipos de frases te faz sentir a pessoa mais importante da face da Terra pra eles. E o melhor: é absurdamente verdadeiro, pois eles não esperam nada de ti além do teu carinho e da tua atenção. Tu pode não ter vínculo nenhum de sangue ou familiar (e são apenas 3 horas semanais), mas percebe que pra eles aquelas horas são ansiosamente aguardadas.

Eu não sei que diferença vou fazer na vida daqueles pequenos, mas sei que crianças também tem memória e que fatos e pessoas que marcaram nossa infância são sim lembrados. Lembro de professoras que tive na pré-escola e não mais esqueci. Portanto eu vou dar o meu melhor para eles, e o principal: o mais puro e verdadeiro amor e carinho. Porque afinal amor é uma das poucas coisas que quanto mais se dá, mais se tem…

MAIS: A DIFERENÇA ENTRE SER E ESTAR FELIZ
MAIS: COMO SABER SE CRESCEMOS?

Ficou interessado? A Parceiros Voluntários é uma ONG que existe somente no Estado do Rio Grande do Sul (www.parceirosvoluntarios.org.br), mas em outros Estados existem outras redes de voluntariado, basta procurar.

Importante lembrar que ser voluntário não é depositar um valor na conta de alguém, não é entregar doações na porta e ir embora. Ser voluntário é participar da vida de quem está recebendo o voluntariado, é interagir, é fazer algo por aquela ou aquelas pessoas.

Procure, participe, faça o bem sem olhar a quem!

E como diria o mestre Steve Jobs, pai da Apple: “Os que são loucos o suficiente para pensarem que podem mudar o mundo, são os que realmente o fazem.”

Imagem: Pinterest

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