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São 7h00.

Ela cai da cama. Não dormiu nada a noite toda. Acordou enjoada como se tivesse tomado um porre daqueles, mas, com o volume de trabalho dos últimos meses, nem se lembra quando foi a última vez que realmente curtiu uma balada. Ela não imagina, mas seu corpo pressente o que viria a acontecer.

São 10h05.

Já no trabalho, é chamada a sala do superior hierárquico. Ela pensa que recebera uma nova missão de trabalho. Sobrecarregada, mentalmente deseja que o assunto seja outro. Ele pede para ela se sentar. O assunto é sério, ele diz, seguido da frase: “Hoje vamos fazer o seu desligamento da empresa” (…) Depois disso, ela não ouve mais nada, apesar de visualizar os lábios do chefe continuando a se mover.

Ela assinou os papeis da demissão e recolheu suas coisas. Sentia-se envergonhada, todos os colegas a observavam sem entender exatamente o que estava acontecendo. Na verdade, todos entendiam, mas ninguém ousou falar nada, talvez porque naquele momento o sentimento de temor por si mesmo fosse maior do que o de solidariedade para com o próximo. Não há como julgar.

Aquela situação era nova para ela, que nunca havia sido demitida. Não sabia como agir, não sabia se si despedia dos companheiros de trabalho ou se explicava. Tinha vontade de chorar, gritar e até falar mal da empresa, mas não o fez. Sentia-se injustiçada, mas guardou o sentimento para si mesma e preferiu ser racional mantendo uma aparente maturidade emocional.

Horas depois mandou uma mensagem via grupo de whastapp agradecendo o coleguismo no trabalho e prometendo que os happys hours continuariam. Algumas respostas de incentivo, alguns emoticons de copos de cerveja (nem todos tem o dom da palavra, a de se perdoar!), mas nenhuma proposta de ajuda para se recolocar.

São 12h35.

Em casa, telefona para a família e anuncia o acontecido. Sua mãe tenta disfarçar a voz trêmula e a encoraja falando: “Minha filha, você é ótima! Logo, logo arrumara outra coisa!”. Seu pai, mais prático, pergunta se ela precisa de dinheiro.

PARTICIPE: Minha carreira está em minhas mãos, mas não sei o que fazer!
PARTICIPE: Não consigo para em nenhum emprego, por que eu sou assim?

Apesar do horário, ela não tem fome. Anestesiada com o susto, pouco a pouco digere o choque. Em sua cabeça ela relembra diálogos e imagina respostas que deveria ter dado. As vezes até verbaliza frases que queria ter dito, mas que não ousou dizer por achar que calada, sem se expor, manteria uma posição de neutralidade e consequentemente sua paz e permanência na empresa.

Um filme passa em sua cabeça, ela tentar relembrar onde errou e o que poderia ter feito diferente. Esforço em vão. Naquele momento, o único erro percebido era o de ter se dedicado tanto a uma empresa que não reconheceu seu esforço e entrega.

Mais tarde aprenderia as verdadeiras lições: “ninguém, por melhor que seja, é insubstituível”, “fazer o melhor trabalho é um dever, mas não garante nada”, “o mundo é movido por dinheiro e interesses, contra isto não se tem o que fazer, é preciso saber jogar este jogo a seu favor”, “viva e faça o que sentir que deve fazer para não se arrepender depois”, “aceite e reconheça seus limites, imponha-se, pois isto ninguém pode fazer por você”, “valorize-se! seu valor esta em você, não naquilo que você acha que dizem sobre você”.

São 17h15.

Um sopro de vida bate em seu coração. Após uma tarde triste regada a choro, lamentação, sentimento de culpa, misturado ao de raiva e indignação, resolve tomar um banho demorado e, apesar de se arrumar toda, coloca roupa de ginastica, pois resolveu ir à academia que paga faz meses sem utilizar porque esta sempre cansada demais do trabalho para poder frequentá-la.

Por mais de uma hora, ela esquece o medo de ficar sem dinheiro e sente a liberdade do desemprego. Como é bom não ter horário! Como é bom não ter pressão! Quer saber?! Eu mereço! Vou viajar! Sentada na bicicleta ergométrica, a partir do celular, pesquisa preços de pacotes de viagens e cursos de idiomas no exterior. Ela deseja permitir-se o prazer, mas sente-se ainda na obrigação de justificar perante a sociedade uma ausência no mercado de trabalho. Melhor dizer que vai aperfeiçoar o inglês.

Subitamente, indaga-se: “o que vou dizer aos meus amigos?!”. Sem graça, não deseja anunciar que foi dispensada. Por outro lado, acredita que seria bom declarar estar a procura de novos desafios profissionais, vai que alguém pode indica-la uma nova vaga? Opta por dizer que preferiu sair da empresa, que fazia tempo que estava infeliz na posição ocupada, que sentia necessidade de dar um novo rumo à carreira e que escolheu aquele momento. Assim, as pessoas saberiam da sua disponibilidade sem parecer que ela era uma profissional ruim e por isto a demissão.

São 23h45.

O medo volta a assombrar sua mente e carteira. Ela senta-se em frente do computar, sem sono, atualiza o perfil no LinkeInd, se inscreve em sites de busca por emprego e reescreve seu Curriculum Vitae.

Às 7h00 do dia seguinte, desperta sem o despertador. Seu corpo já esta habituado a acordar cedo. Ela se levanta da cama, senta  novamente em frente ao computador e começa a enviar e-mails em busca de emprego.

Este dia repete-se várias e várias vezes durante meses. E o dia anterior, se repetiu várias e várias vezes na vida de outras pessoas. Ela foi a primeira do seu círculo de amizades e conhecidos a passar pela dor dos cortes de funcionários. Mudanças na economia não perdoaram ninguém, dos mais altos postos aos mais baixos, muitos dançaram a dança das cadeiras.

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O maior desafio dela não é recolocar-se no mercado de trabalho, afinal, ela é uma ótima profissional, mas sim manter o equilíbrio. Administrar bem os recursos financeiros, economizar sem deixar de gastar e aproveitar a vida. Balancear tempo dedicado a entrevistas de emprego e tempo para divertir-se e fazer tudo aquilo que quando se trabalha não é possível fazer. Dominar a ansiedade, o medo, a autoconfiança e a presunção, porque, muitas vezes, em nome da autoestima, nos supervalorizamos e descartamos boas oportunidades. Em tempos complicados é preciso ser flexível e ponderado!

Crise ou oportunidades? Tudo depende do ponto de vista. Quando as lições são aprendidas, tudo pode ficar mais fácil. A “mentira” conveniente pronunciada aos amigos sobre o motivo da saída do antigo emprego pode gerar uma reflexão existencial a respeito de onde encontrar a felicidade, qual a razão para se viver, quais as motivações para se trabalhar, quais habilidades pessoais possuímos e quantas delas realmente utilizamos ou ainda o que queremos para o futuro.

Ela não sabia o dia angustiante que teria, mas seu corpo anunciou… Ela mentalmente desejou não ser chamada para um novo projeto e seu desejo foi atendido. Sinais! Às vezes, precisamos apenas interpreta-los! Exausta, ela precisava de tempo para cuidar de si mesma – e agora o tem. Ela quer desesperadamente voltar a trabalhar, agora só precisa definir onde. E a boa noticia é que o poder esta com ela, não nas ofertas de RH.

Imagem: Pinterest


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