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Mais conhecida no ambiente de trabalho, a síndrome da abelha rainha diz respeito as mulheres com sucesso profissional, que normalmente exercem cargos de liderança, mas que não se interessam em cooperar com outras mulheres, chegando, às vezes a infernizá-las. Em ambientes de trabalho predominantemente masculino, uma abelha rainha não vai favorecer o desenvolvimento profissional de uma colega – normalmente, se isolam e são pouco colaborativas.

Sua competitividade é direcionada às outras mulheres, movidas pelo inconsciente desejo de afastar uma feminilidade que ela julga incompatível com o sucesso profissional. Trocando em miúdos: na tentativa de minimizar os efeitos psicossociais que as mulheres podem sofrer em ambientes masculinizados marcados por desigualdade de gênero, como o assédio sexual, barreiras na progressão de carreira e exclusão das redes de informação, desconsideração de ideias e opiniões, estresse, desigualdade salarial, entre outras, procuram se proteger adotando um “modelo masculino”, também bastante estigmatizado, afastando de si traços considerados “femininos”.

Para as abelhas rainhas, colegas que, de alguma maneira, privilegiam a vida familiar e amorosa tanto quanto a profissional, ou que são preocupadas com bem-estar dos outros no ambiente de trabalho, são encaradas como frágeis e menos competentes. São chefes que não desenvolvem empatia com os sentimentos de outras mulheres, dobrando, inclusive, a sua carga de trabalho e exigindo cada vez mais. Uma abelha rainha acredita que se ela for “feminina” (ou o que se considera socialmente) ela perde oportunidades na carreira e por isso tenta anular o fato de ser mulher.

São as relações de trabalho com abelhas rainhas que reforçam uma crença social de competitividade destrutiva entre mulheres. Quantas vezes você já ouviu que é melhor ter “um chefe homem”, que as mulheres são mais cruéis, fofoqueiras, traidoras e pessoas com quem você não pode contar? Mito. Inverdade. Existem estudos que demonstram que ambientes de trabalho predominantemente femininos (sem abelhas rainhas) tendem a ser mais agradáveis e igualitários.

Mas de onde vem essa crença no tal “gene da maldade feminina”?

competição feminina 1

Assista Cinderela que você vai entender: mulheres aprenderam a rivalizarem, umas com as outras, para serem as escolhidas dos homens. Perseguem características de gênero delineadas pela cultura para se enquadrarem em um feminino que conquiste algo: seja um bom casamento, uma projeção social, financeira ou profissional. Então, se é para vencer a disputa e ser a “escolhida no baile” vale tudo: ser bondosa, generosa, prendada e linda; seduzir mas não se deixar tocar, saindo correndo à meia-noite plantando o desejo no outro.

Como se não bastasse ter tanto trabalho assim em se moldar a um modelo asfixiante de embotamento criativo, vale também cortar os próprios dedos ou calcanhares para tentar calçar enfim o sapatinho de cristal que não é seu (lembra das meias-irmãs de Cinderela?), o símbolo máximo da castidade feminina (tão frágil que só algo do tamanho certo cabe lá dentro).

A madrasta de Cinderela é uma verdadeira abelha rainha, assim como a da Branca de neve. Diminuíam e humilhavam aquelas que mais se aproximavam de um modelo desejado, tramando toda a sorte de crueldade.  Uma versão machista da mulher que tinha “algum” poder e que só beneficiava um grupo: o dos homens.

Enquanto as mulheres se estapearem por razões que for, seja de ciúmes pelos homens que supostamente acreditam que tem, seja pelas ideias que defendem e se contrapõem, seja pelo modo de vida, religião que professam ou orientação sexual diferente, estaremos todas aprisionadas e perdendo a melhor parte da vida: a colaboração, o fortalecimento e o aprendizado que podemos ter uma com as outras. Uma vida sem “missão”, que não favoreça só você, mas que também impulsione o outro, definitivamente, não vale a pena. Vamos nos unir!

 Imagem: Divulgação

 


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