Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Oi, Cris Côrrea. Tudo bem? Assisti ao seu vídeo intitulado de “O verdadeiro feminismo”, título o qual achei meio pretensioso, pois ao decorrer do vídeo pude notar que você não está falando sobre o verdadeiro feminismo, mas sim do feminismo sob o seu ponto de vista. A primeira coisa que eu pude notar é que você faz uma pequena crítica ao símbolo do “We can do it!” pelo fato de que a Geraldine Doyle (a moça a qual serviu como modelo para o cartaz) se casou e teve filhos. Aliás, você até fez uma “piadinha” de que ela só aguentou trabalhar duas semanas. Bem, vamos falar sobre mulheres que trabalham/trabalhavam como operárias e casamentos?

Feminismo e o casamento

Cris, eu não sei quem te falou que feministas ou as mulheres símbolos do feminismo não podem casar, mas vou te dizer que podemos sim. O feminismo não dita regras e nem nos obriga a nada. Você pode ser feminista e ser casada, ter um casamento feliz e a quantidade de filhos que quiser! O que o feminismo defende e luta a favor é o direito da mulher decidir com quem, quando e se quer casar. Você fala muito sobre estudar o feminismo a fundo e etc, eu te aconselho a estudar este tópico, pois como muitas pessoas sabem, em muitos países (principalmente na Ásia e Oriente Médio) as mulheres não têm o direito de escolher com quem vão se casar e caso neguem o pedido de casamento, são atacadas com ácido. Muitas acabam sendo assassinadas.

As mulheres operárias

Se eu te disser que a Geraldine não era a única mulher na época a ter que trabalhar em fábricas e em serviços manuais que exigiam força enquanto os homens estavam em guerra, você acreditaria? Pois é, acredite se quiser, mas ela não era a única. Aliás, estude um pouco sobre a Rose Will Monroe, que foi uma das personificações da Rose, the Riveter. Enfim, milhares de mulheres começaram a trabalhar nas fábricas que estavam sofrendo com a falta de mão de obra (pois muitos dos trabalhadores haviam ido para a guerra).

Muitas delas eram mães e esposas, mostrando que nós, mulheres, também podemos aguentar um trabalho pesado. Podemos usar como exemplo o Dia Internacional da Mulher, que é o resultado da luta de mulheres por condições de trabalho melhores, pela igualdade trabalhista, pelo direito do voto feminino e pelo fim do trabalho infantil. Essa luta ocorreu no dia 8 de março 1857, 8 de março de 1908 e no dia 25 de março de 1911 quando cerca de 145 trabalhadores morreram queimados em um incêndio em uma fábrica de tecidos em Nova York.

Dos 145 funcionários queimados, a grande maioria era mulher. Respondendo ao seu comentário no vídeo, elas aguentaram muito mais do que 2 semanas de trabalho e, além da demanda pesada, elas aguentaram abusos, estupros e desvalorização pelo simples fato de serem mulheres.

Vintage image of Rosie the Riveter by J. Howard Miller. Courtesy National Museum of American History, Smithsonian Institution

Vintage image of Rosie the Riveter by J. Howard Miller. Courtesy National Museum of American History, Smithsonian Institution

Outra coisa que eu notei no seu vídeo, Cris, é que você fala que todas as vezes que conversar sobre o feminismo, as feministas surgem “raivosas e cheias de mimimi”. Te direi que nós não somos raivosas e também não somos cheias de mimimi. Talvez a nossa manifestação seja pelo simples fato de que quando alguém fala sobre um movimento/ luta pela qual nós somos “militantes”, nós gostaríamos que a pessoa falasse coisas reais sobre o movimento, mesmo que sua posição seja contra ele.

Mas quando você fala sobre o feminismo, diz coisas que não fazem sentido, você o desrespeita e desvaloriza. Cris, nós não temos raiva e muito menos perseguimos as mulheres que não são feministas. Como disse anteriormente, o feminismo não nos obriga a nada! Você tem todo o direito de não querer ser feminista, mas nos respeite. Não ser feminista não significa sair por ai fazendo discursos difamatórios do movimento e alegando que as feministas querem obrigar a todas as mulheres serem como elas.

Quando você disse que o feminismo não é uma luta pela igualdade, eu fiquei me perguntando onde você buscou informações sobre o feminismo. Claro que o movimento não se baseia só na igualdade, há muitas outras coisas pelas quais lutamos, mas o feminismo é, sim, uma lutapor direitos iguais. Mas vou te explicar um pouco mais sobre isso:

Quais são as lutas do movimento feminista e o porquê de precisarmos do feminismo.

Não há nada formal que confirme que o surgimento do feminismo foi no século XVIII, porém, é possível encontrar na historiografia denúncias da opressão que as mulheres sofriam sendo inferiorizadas e postas como submissas pelos homens.Na época, as mulheres já almejavam poder participar direta e indiretamente na formulação de leis e da política em geral. No século XVIV o movimento ressurgiu trazendo a luta das mulheres pelo direito de votar, de instruções (poucas mulheres tinham acesso a estudos), de exercer uma profissão e de poder trabalhar. Hoje em dia a luta feminista se concentra na liberdade feminina.

Hoje o feminismo luta pelo direito da mulher poder decidir sobre sua própria vida e seu próprio corpo sem sofrer julgamentos sociais. Defende a liberdade da mulher de escolher se quer ou não se casar, ter filhos e em que área profissional atuar. O feminismo luta pelo fim da cultura do estupro, pelo fim dos assédios sexuais, verbais e morais, pelo fim da violência contra a mulher e pelo fim do julgamento da vítima. Hoje as feministas se juntam, não por bandeiras, como você disse, mas por todas as mulheres pelo fim do machismo, pelo fim da desigualdade salarial que ainda ocorre, pelo direito de ir e vir sem medo de ser estuprada e para que a voz da mulher seja ouvida e valorizada.

Talvez, Cris, você não precise do feminismo porque você não se sente oprimida ou desvalorizada, mas há muitas mulheres que precisam dele. Há muitas mulheres que choram escondidas e sofrem diariamente por causa da opressão que sofrem, por causa da inferioridade e da submissão. Precisamos do feminismo para acabar com a violência doméstica, para podermos decidir se queremos ou não ter um filho ou nos casarmos, para acabarmos com o abuso infantil, com o casamento infantil, com a mutilação genital feminina, com o tráfico de menores e de mulheres e pelo fim de muitas outras coisas.

Aliás, no seu vídeo você diz, em um tom de zombaria, que os dados de estupros são mentirosos. Você diz como se o número de mulheres estupradas ser menor que o número de crianças e adolescentes fosse uma derrota pro feminismo. Mas saiba, Cris, que o feminismo é muito maior do que o que você conhece. Nós lutamos pelas mulheres, pelos adolescentes e pelas crianças.

Número e estrutura (%) de atendimentos por violências no SUS, segundo etapa do ciclo de vida, sexo e local de ocorrência da violência. Brasil. 2014

Número e estrutura (%) de atendimentos por violências no SUS - feminismo

Te aconselho a alterar o nome do seu vídeo para “O feminismo no meu ponto de vista”, pois eu tenho total e completa certeza que o feminismo o qual você se refere o tempo todo não é o verdadeiro. As feministas não perseguem mulheres não feministas, não fazemos lavagem cerebral, não lutamos apenas por nós mesmas, não somos contra o casamento e a família. Queremos igualdade,liberdade feminina, empoderamento e o fim da violência infantil e contra a mulher. Cris, não fale mais sobre o feminismo, não enquanto você não aprender a verdade sobre o movimento, propagar mentiras só vai te difamar.

@ load more