Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

A pergunta destinada à crianças nunca deixa de fazer sentido, mesmo após crescermos. Alguns “nascem” com a tal “vocação” para algo e desde muito cedo sabem exatamente o que querem fazer profissionalmente para o resto da vida ativa; para outros, como é difícil fazer tal escolha!

Mais complicado ainda é ser firme diante de uma sociedade que impõe respostas. Muitas vezes, deixamos de ter individualidade e personalidade para sermos aquilo que nosso crachá ou registro em carteira diz que somos, nos tornamos cargos! Uma prova disto é que em reuniões sociais, entre amigos, frequentemente ao apresentar duas pessoas entre si falamos: – Carol, esta é a Paula, ela é arquiteta e trabalha na empresa X. Paula, a Carol é gerente de projetos, formada pela universidade Y.

Por que simplesmente não podemos apresentar as pessoas falando algo real sobre elas?! Como por exemplo: – Carol, Paula é ótima desenhista, tem interesse por arte de rua e cozinha um risoto como ninguém. Paula, Carol é a pessoa mais generosa que conheço, somos amigas faz 3 anos e nos conhecemos numa situação inusitada de viagem. Enquanto não conseguimos mudar estes maus hábitos e mesmo que nos sintamos perdidos ou deslocados profissionalmente, importante é nunca deixar de avançar na vida e, pouco a pouco, se aproximar de atividades que possam nos proporcionar prazer e sustento – ao mesmo tempo ou em momentos diferentes.

Conhecer a diferença entre formação, profissão, emprego, trabalho, carreira, hobby e voluntariado, pode nos ajudar a tornar o caminho da procura profissional mais leve e agradável.

Formação é a aquisição teórica e prática de conhecimentos, habilidades e atitudes exigidos para o exercício das funções próprias de uma profissão especifica. A formação pode acontecer formalmente através de faculdades, centros tecnológicos ou cursos especializados, mas pode ocorrer igualmente através da vivência junto a profissionais experientes que trabalham na área.

A diferença entre a formação formal e a informal é de que a primeira oferece um comprovante, o diploma, que atesta aptidão para executar tal profissão e na segunda não existe tal certificação. Infelizmente, a seleção e o ingresso no mercado de trabalho ainda são feitos através da análise de atestados e não de competências. Portanto, o diploma, ainda faz-se essencial atualmente, por mais que venhamos a discordar.

Profissão é uma atividade especializada que requer formação. Por exemplo: profissão de médico, advogado, professor, aeromoça, enfermeira, etc.

Emprego é uma atividade remunerada realizada. Ela pode ser relacionada a uma formação, neste caso o emprego coincide com a profissão ou não, pode-se ser formado em uma área e estar empregado em algo completamente diferente. Por exemplo: formado em Engenharia Civil, mas não trabalha na profissão de engenheiro, atualmente seu emprego é o de ser responsável por vendas de uma empresa de cimentos.

Nota-se que formação e profissão são algo com durabilidade extensa, ou seja, são escolhas feitas e que por serem atreladas a conhecimento são, de certa forma, perenes. Emprego é algo realizado naquele momento. Normalmente, têm-se somente uma formação e vários empregos durante a vida ativa profissional.

Trabalho são atividades que realizamos e que não necessariamente recebemos retorno financeiro por elas. Um exemplo fácil de entender é a tarefa de ser dona de casa. Uma mãe que se dedica a cuidar da família e da casa realiza um trabalho, mas não recebe um salario por isto, portanto, não é uma empregada do lar. Seu trabalho é importante, indiscutivelmente ela tem conhecimentos, habilidades e atitudes determinantes para executar suas tarefas diárias, mas não fez formação para isto, foi a pratica diária que a aperfeiçoou.

Carreira é o percurso profissional que fazemos dentro de uma empresa ou área. Por exemplo: Beatriz fez carreira no varejo, começou como estoquista numa loja, mudou de empresa para assumir a responsabilidade de caixa, posteriormente foi promovida para vendedora, vendedora responsável, subgerente e hoje é gerente de loja, liderando uma equipe de 20 pessoas.

Pode-se desenvolver carreira dentro de uma profissão ou, como mostra o exemplo acima, pode-se seguir carreira a partir de um emprego. Ana gosta muito de costurar, este é seu hobby. Ela faz isto tão bem que seus amigos e familiares a convenceram a abrir uma pequena confecção de roupas; não deu certo!

Frequentemente, ouvimos historias destas pessoas que se sentiram impulsionada a fazer do momento de lazer um “ganha-pão” e terminaram frustradas. Às vezes, hobby é somente algo que gostamos de fazer e não precisa obrigatoriamente tornar-se fonte de renda.

Mariana adora viajar e sempre volta das férias com fotos incríveis. Como presente de casamento para uma amiga, ofereceu-se para fotografar a igreja e a festa; o resultado foram muitos elogios e convites para registrar outros casamentos. Mari largou o emprego como administradora e hoje é feliz participando da felicidade dos outros. Ela nunca imaginou ser fotografa profissional.

Por outro lado, constantemente, historias como as acima acontecem; o hobby vira trabalho, que vira emprego nas horas vagas e aos poucos se torna profissão. Interessante deixar espaço para a vida nos surpreender e permitir que o inesperado vire algo concreto.

Camila é a Felícia da turma, ama animais desde pequenininha. Criada no interior, sempre desejou ser veterinária, infelizmente, não conseguiu cursar a faculdade. Ela é funcionaria publica em sua cidade, às vezes reclama da rotina, mas tem um bom salario e agradece por isto. Para preencher sua ância por uma vida com mais sentido é voluntaria numa ONG de animais abandonados, promovendo a adoção de cães e gatos.

Voluntariado é isto, é realizar uma atividade, sem fim lucrativo. Não deixa de ser um trabalho com responsabilidades, não deixa de ser algo que nos oferece prazer, mas geralmente, é relacionado ao cuidado com o outro, enquanto o hobby, em si, é algo que gostamos de fazer para nos mesmos, um scap contra o stress, talvez criado até pela rotina de trabalho.

Existe pressão para “sermos alguém”, no sentido de termos status profissional… Existe pressão para sermos felizes em nossos empregos… Existe pressão para cursar boas faculdades… Existe pressão para sempre ganharmos dinheiro com tudo que fazemos… E estas pressões não ajudam em nada para descobrirmos quem queremos ser “quando crescermos”… Atender as infinitas expectativas são mais importantes que a descoberta da resposta a pergunta.

Não sou de escrever sobre mim, mas este tema me motiva: Tenho mestrado em Filosofia, uma formação que muitos criticam, afinal “- Pra que serve filosofia?!… – Como se ganha dinheiro com isto?!”… blablabla…

Fui professora universitária, mas não segui a profissão; larguei tudo e fui aprender francês em Paris. Trabalhei como AuPair, um nome chique para dizer Baba, e realizei este trabalho em troca de casa e comida. Novamente, fui inundada por criticas nada construtivas e preconceituosas… “- Estudou tanto para trabalhar na casa dos outros?!… – Mas isto é temporário né?!”… blablabla…

Arrumei emprego como vendedora em uma loja de óculos de sol, troquei de empresas algumas vezes até que uma delas me convidou a gerencia uma  loja no Brasil; fiz carreira na área. Ainda sim vieram comentários: “- Gerente de loja é profissão?!… – Emprego bom é quando se trabalha de segunda a sexta, não sábado e feriados”… blablabla…

Após três anos trabalhando, procurei novos desafios e voltei a dar aulas em meus horários livres, agora na área de gestão comercial… Em paralelo, como hobby, voltei a escrever e não penso em fazer disto um meio de ganhar dinheiro, apesar de sempre ouvir que deveria pensar em escrever um livro… Sou igualmente voluntaria e apesar de restar pouco tempo no dia, me sinto realizada profissionalmente e pessoalmente.

O segredo do equilíbrio foi entender que apesar de sinônimos muitas das palavras relacionadas a trabalho possuem em realidade significados distintos e que não é preciso buscar em um único lugar satisfação para as varias necessidades que temos.

O que eu quero ser quando crescer?! Minha resposta é FELIZ!

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