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Acho que por mais que existam milhares de textos sobre isso, nunca será o suficiente. O quão certo pode ser vivermos uma vida baseada nas expectativas impostas por sei lá quem, sei lá quando, sei lá onde?  O quão justo pode ser eu me martirizar por não estar dentro de padrões que não concordo, mas que, ao mesmo tempo, me assombram, me perseguem, me fazem questionar ou até mesmo desvalorizar quem eu sou e todas as minhas lutas apenas por não me enquadrar?

Todo o processo pelo qual passamos para chegar onde queremos e sermos quem queremos ser já é tortuoso. A gente já se cobra o tempo inteiro (leia mais aqui). Por tudo. E permanecemos nos cobrando, é algo intrínseco. Inerente. O que ainda me deixa esterrecida, volta e meia, é saber que ser feliz e realizada não é o suficiente. Nós temos que ser felizes e realizados dentro dos padrões e formas estabelecidas e construídas por terceiros. Se não, invalidam nossa felicidade, banalizam nossas conquistas e nos taxam e reduzem conforme suas noções do que é aceitável ou normal.

Nós passamos a vida sendo podadas sexualmente, falar claramente sobre sexo ou ter questionamentos sobre isso ainda é tabu. Ou nos faz parecer “fáceis”(leia mais aqui). Temos que namorar, temos que casar (antes dos 30, viu?), temos que engravidar, temos que ter vidas economicamente estabelecidas (de preferência antes dos 30 também, tá?), temos que nos encaixar ou nos ajustarmos a certos comportamentos para que os “maridos em potencial” possam gostar  de nós, nos aprovarem e assim nos tomarem como esposa. Casa bonita, de cerca branca… Ou casinha de sapê, o que interessa mesmo é a ideia do que felicidade tem que significar pra você, do contrário meu amor, você não regula bem.

Casar, ter filhos, ter um canudo, ter dinheiro, ser ponderada, não rir alto, não falar palavrão, não ter visões políticas, não falar sobre sexo… Se é mãe solteira?  Não pode. É feio. Mas ninguém vê o tanto de amor que cabe no peito na hora que uma mãe resolve ser mãe e pai. E batalhar sozinha na construção do caráter e molde de um outro ser humano.

Cabelo curto? Lésbica.

Unha por fazer? Desleixada.

Short curto? Vulgar.

Saia comprida? Cafona.

Cabelo azul? Quer aparecer!

Cabelo com a cor natural? Careta, sem graça.

Entre outros tantos rótulos, devo ter esquecido de algum, a gente continua nadando e se impondo. Tanto homens quanto as mulheres sofrem com essas projeções, mas elas ainda precisam lidar com elas de uma forma mais latente (e isso é muito óbvio!).  A questão é que as coisas vêm mudando e claro isso pode não agradar a alguns mas fato é que a cada desânimo nosso perante a uma postura provinciana, só nos dá mais força pra continuarmos. Ninguém disse que seria fácil nos libertarmos mas não pretendemos parar.

Imagem: Pinterest

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