O que você procura?

Pouco divulgado, o suicídio é uma das causas de morte mais comum em todo o mundo e é considerado um problema de saúde pública. De acordo com o Mapa da Violência, de 2004 a 2014, a taxa de suicídio entre os adolescentes brasileiros de 10 a 14 anos aumentou 40% e houve também um aumento de 33% entre aqueles com idades entre 15 e 19. Diariamente, 28 pessoas se suicidam no Brasil e estima-se entre 10 e 20 tentativas para cada morte.

O suicídio é fenômeno complexo, com causas variadas. As histórias de vidas individuais, a particularidade que cada um lida com o sofrimento e a influência do ambiente social em que a pessoa está inserida, podem levar a maiores ou menores chances de suicídio. A depressão é a patologia que mais há correlação com o suicídio. O transtorno bipolar e o transtorno de personalidade borderline também são associados.

Devido a todo o seu tabu social e preconceito, por muitos anos o suicídio foi pouco discutido no Brasil e no mundo. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem incentivado países que apresentam dados consideráveis a investirem em políticas públicas que conscientizem e orientem a população para os sinais que demonstram que uma pessoa pode se matar. Em apoio a causa, o Setembro Amarelo, e com objetivo de esclarecer a população, abaixo segue uma lista com 8 formas de se identificar um possível suicida.

Os melhores conteúdos do Superela.
Um único email por semana.

1. Observe os padrões comportamentais da pessoa

Entre as pessoas que se matam, há uma forte presença de um sofrimento profundo. Além disso, é comum vê-las remoendo pensamentos de forma obsessiva, sem conseguirem parar de fazê-lo. A vida para elas não tem sentido, dessa forma se sentem sem esperança e incapazes de mudar a sua condição, por isso não encontram outro modo para se livrar desse sofrimento.

É comum ver pessoas depressivas e suicidas sem energia para realizar tarefas básicas. Se você notar uma pessoa está com falta de energia e fica o dia inteiro na cama, com dificuldades para tomar decisões que antes resolvia normalmente e perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, essa pessoa está precisando de ajuda. Tente ouvi-la, conversar em um tom acolhedor e suave e procure uma ajuda profissional. A acompanhe e mostre o quanto você está ao lado dela. Leia o meu artigo “10 frases que só atrapalham pessoas com doenças psicológicas”.

2. Reconheça as drásticas mudanças de humor

Todos têm mudanças de humor durante o dia e isso é natural. Em alguns momentos você pode se sentir ótimo e vem uma notícia ruim ou um feedback negativo e a partir daí você muda de humor:  fica triste ou ainda, se achar que foi injusto, fica com raiva.

Entretanto, algumas pessoas sofrem alterações de humor extremas. Elas podem se sentir com um enorme vazio e tristeza. Pode ocorrer também um forte sentimento de raiva ou vingança, irritabilidade exagerada, intenso sentimento de culpa ou vergonha, como também sentem-se sozinhas, mesmo estando com outras pessoas. Pessoas que têm transtorno Bipolar ou borderline apresentam sentimentos extremos e podem agir de forma impulsiva. Fique atento a essas mudanças repentinas e exageradas. Se acredita que ela corre risco imediato, ligue para a emergência (disque 190).

3. Dê ouvidos aos alarmes e avisos verbais

A dor é tão profunda e o sofrimento tão sufocador, que parece que não há outra saída. Em um ato de desespero e pedido de ajuda, a pessoa que está pensando em tirar a sua própria vida grita por socorro. Ela geralmente fala: “não aguento mais”, “quero sumir”, “quero morrer”, “minha vida não vale a pena”, “não aguento essa dor”, “você vai sentir a minha falta quando eu for”, “vocês vão ficar melhores sem mim”, “era melhor não ter nascido” e outras falas que tem o sentido parecido.

Muitas pessoas não dão ouvidos a esses comentários e acham que são formas de chamar atenção. Já ouvi muito comentários como: “quem quer se matar, se mata, não fica avisando”. Este é um dos maiores absurdos, como citado anteriormente, para cada morte há entre 10 e 20 tentativas. Quem tenta se matar uma vez, pode tentar se matar de novo.

Preste atenção quando ouvir alguém falar assim. Ela pode está querendo te dizer algo e estar com um sofrimento profundo, se sentindo limitada. Procure uma ajuda especializada.

4. Note mudanças inesperadas

Há acontecimentos na vida das pessoas que são tão traumáticos ou extremos que geram sentimentos intensos e impulsivos. Se aquele indivíduo encontra-se fragilizado em uma dessas situações, dificilmente conseguirá lidar com essa mudança inesperada. Por isso, fique atento a esses eventos estressantes, como a perda de um ente querido, demissão de um emprego importante, bullying ou uma doença séria e/ou crônica podem ser gatilhos para o suicídio.

Observe se há mudanças de comportamento, como exemplo, se a pessoa deixa de fazer coisas que antes considerava importante fazer e se você notar que a pessoa está tendo muita dificuldade para lidar com tudo isso, se aproxime, fique ao lado e seja acolhedor. Leve para consultas com profissionais: psicólogas e psiquiatras. (Você pode marcar uma conversa comigo aqui.)

5. Veja o abuso de drogas e álcool

Mais da metade dos casos de suicídio acontece por pessoas com depressão ou outros transtornos de humor associados ao consumo de álcool e drogas. Geralmente as pessoas que tentam tirar a própria vida, tentam mais de uma vez, por isso, é importante ficar atento ao consumo dessas substâncias. A associação de remédios e bebidas alcoólicas também é muito frequente e perigosa.

6. É adolescência ou Aborrescência?

Há uma ideia de que só os adultos se suicidam, entretanto, como você pode notar no recente dado citado anteriormente, a taxa de suicídio entre adolescentes aumentou significativamente.  Dessa forma, é preciso prestar bastante atenção neles.

A adolescência é uma fase de mudanças intensas e alterações no padrão comportamental. Por isso, você pode se questionar, como eu posso diferenciar essas mudanças do aborrencente com o padrão de uma pessoa que tenta se suicidar? O adolescente se manifestará buscando se isolar, se trancando no quarto sem querer falar com ninguém. Ele não sabe manifestar seu sofrimento de uma forma clara, muitas vezes ele nem entende o que se passa com ele. Tente se aproximar e principalmente tente ouvi-lo sem julgar ou sem amenizar o seu sofrimento. Se estiver difícil a comunicação, procure uma ajuda especializada.

7. Conheça os fatores de risco

Um grande fator de risco é a presença de doenças psicológicas como depressão grave, transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline, esquizofrenia, transtorno de estresse pós-traumático, vício em substâncias, entre outras. Em casos em que a pessoa apresenta mais de um transtorno mental, os riscos aumentam ainda mais. Casos de abusos físicos e sexuais também aumentam as chances da pessoa tirar a própria vida.

Outro fator de risco é o histórico da pessoa, caso ela já tenha tentado se matar é possível que ela tente novamente. Além disso, preste atenção aos comportamentos irresponsáveis, elas podem se expor a situações perigosas e correr riscos, como o abuso de álcool e drogas, dirigir de forma imprudente ou fazer sexo desprotegido.

É preciso ficar atento aos padrões de comportamento dessas pessoas. Mas, cuidado para não sufocá-lo, pois nem todo mundo que apresenta essas doenças ou históricos tem pensamentos suicidas. Os diagnósticos servem para orientá-los e tratá-los, por isso, observe cada pessoa e não só o diagnóstico que ela tem.

8. Esteja atento a melhoras repentinas

Preste atenção: se uma pessoa que estava bem triste e deprimida aparecer alegre de repente ela pode estar planejando cometer o suicídio e por isso simulou uma melhora. Essa melhora pode indicar que ela aceitou encerrar a própria vida e possivelmente já tem um plano para isso. É possível que nesse momento do plano, você perceba também que ela está tirando as pendências da frente e se organizando, doando posses, fazendo ajustes financeiros, como também se despedir dos familiares. Essa pessoa tem grandes chances de se matar, por isso, se você perceber essa mudança súbita, fique ao lado dessa pessoa para garantir que ela não cometerá o suicídio e tome medidas imediatas. Avise ao médico/psicólogo dela, ligue para o serviço de assistência (Disque 141 ou acesse a página do Centro de Valorização da Vida).

Em todos os casos, observe, esteja ao lado, principalmente OUÇA o que a pessoa tem a dizer, acolha a sua dor e angústia. Oriente e acompanhe nas consultas. Informe aos familiares mais próximos, para que eles fiquem atentos também. Tire dúvidas e veja como você poderá ajudar a pessoa.

E se você pensa em cometer suicídio, procure uma ajuda imediatamente. Você tem uma doença e precisa ser acompanhada. Peça ajuda! Estamos com você nessa luta. Você não está sozinha!

Participe do Superela Convida deste mês, especial Setembro Amarelo, eu estarei presente falando sobre doenças psicológicas, como ajudar pessoas nestas condições e como saber se você está nestas condições. Inscreva-se aqui no evento online gratuito.

Imagem: Pinterest


@ load more
E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
Obrigada, agora falta pouco...
Por favor, fique de olho em sua caixa de entrada (às vezes, pode acontecer do email estar no SPAM ou na aba Promoção caso use GMail). Quando receber nosso email é só clicar no link de confirmação ;)
Enviaremos nos próximos minutos um email para você confirmar o recebimento de nossos conteúdos.
Os melhores conteúdos do Superela.
Um único email por semana.
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Vamos ser amigas? :)
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Qual conteúdo você gostaria de ver no Superela?
A gente escreve sobre o que você quiser e ainda manda no seu email :)
Obrigada!
Recebemos sua sugestão.

Hey, você já conhece o Clube Superela? Lá você pode perguntar o que tem vontade anonimamente :)