Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

“As Horas” é a adaptação cinematográfica do premiado romance de mesmo nome escrito por Michael Cunningham, dirigido por Stephen Daldry e indicado a nove Oscars em 2003, dos quais venceu o da categoria de melhor atriz pela atuação de Nicole Kidman. David Hare foi o responsável pelo roteiro que conta a história de três mulheres ligadas ao livro “Mrs. Dalloway” que vivem em três períodos diferentes.

As protagonistas do filme são muito ricas e para compreendê-las é necessário levar em consideração o contexto histórico e cultural em que estão inseridas, o que era esperado das mulheres e o papel desempenhado por elas em cada época retratada na obra:

Virginia Woolf (Nicole Kidman) é a única que de fato existiu, nasceu em Londres em 25 de Janeiro de 1882. Foram quase 60 anos, dentre eles, mais que a metade, marcados pela luta contra seus conflitos internos, até que em 28 de março de 1941 acabou por cometer suicídio. Estava a frente de seu tempo e, por meio da literatura, expressou sua inconformidade com a sociedade que a cercava, abordando o papel da mulher como nunca antes tinha sido feito na escrita, apresentando em seus livros questões políticas, sociais e também um pensamento feminista, que refletia sobre a situação da mulher e suas limitações diante das imposições de um mundo masculino. Foi membro de grupos de intelectuais de sua época, chegando a fundar uma editora com a marido, lançando assim, grandes escritores de renome.

Reconhecida mundialmente e considerada uma das maiores romancistas do século XX por experimentar em suas histórias o fluxo de consciência (ato de transcrever o processo de pensamento de um indivíduo) e a psicologia íntima nas tramas emocionais dos seus personagens, foi uma mulher de personalidade conturbada que lutou para viver dignamente cada momento de sua vida e este, sem dúvida, foi o tema mais recorrente em suas criações, o que colaborou para deixar aos seus leitores a lição de que o mais próximo que podemos chegar da ideia de felicidade é viver nossas horas intensamente. 

No filme, é retratada em pleno “bloqueio criativo” no dia em decide começar a escrever seu livro mais famoso, o já mencionado,”Mrs Dalloway”, que conta as 12 horas de um dia da vida de Clarissa, uma típica dona de casa rica dos anos 1920, que prepara uma festa que dará à noite. Ao longo dessas horas,o leitor entra em contato com a identidade da protagonista que, ao se casar, se vê obrigada a deixar para trás sonhos e expectativas para se tornar a “boa esposa”. Muitos desejos e angústias da própria autora fazem parte de algumas situações narradas, trazendo ainda mais veracidade na representação dos problemas femininos da época.

Completamente envolvida com a leitura deste livro, Laura Brown (Juliane Moore) é a típica mulher americana do final dos anos 40, vista como o ideal de esposa, tem uma família e uma vida comuns e aparentemente não tem conflitos, o que faz com que o espectador seja capaz de pensar que não há motivos, pelo menos aparentes, para ser depressiva. Sofre calada, já que vive no período pós- guerra e tem tudo para ser feliz no meio em que vive, uma sociedade que cobra da mulher as obrigações do lar e vê o casamento e a maternidade como o único caminho de sucesso feminino.

Tem um bom marido, trabalhador, companheiro e bom pai, mas que desconhece suas aflições, já o filho mais velho percebe que há algo errado com a mãe, mesmo sem saber o que é. Apesar da presença dele e do filho que ainda carrega no ventre, todos os pensamentos da personagem giram em torna da morte e seu grito de socorro é mudo, suas ações do dia a dia são mecânicas e seu olhar distante. Assim como Mrs. Dalloway, deixou desejos pra trás e é sempre definida pelo outro, pelo homem, nunca se pertencendo nem sendo ela mesma.

Clarissa Vaugh (Meryl Streep), além de ter o mesmo nome, se vê na personagem central do livro de Virgínia por meio de suas dúvidas e angústias, pois também questiona sua existência, mas ao contrário de Clarissa Dalloway, tem uma companheira que lhe apóia e uma filha presente e disposta a ajudar . É uma moderna e independente editora de livros que se concentra em permanecer forte o tempo todo e colocando suas necessidades em segundo plano, é a personagem que menos deixa transparecer seus sintomas depressivos e suas frustrações .

Dedica-se a cuidar de seu antigo amor, Richard (mesmo nome do marido de Mrs. Dalloway), que está à beira da morte e se envolve tão profundamente que chega a se confundir entre os seus tormentos e os dele, é nítido que há uma relação de dependência entre os dois, mas é ela quem está no papel de dependente e não o contrário, pois é ele quem, através de seus discursos, tenta mostrar à amiga a importância de reagir e de viver a própria vida.

Por se tratar de uma personagem que vive a contemporaneidade, Clarissa é quem mais tem possibilidade de dar nome a suas tribulações , já que no final do século XX, surgiram mais informações e possibilidades de estudo, por isso a personagem tem mais chances de acabar com suas angústias, diferentemente das outras duas.

Virgínia, Laura e Clarissa, têm mais em comum do que apenas a ligação  com o livro, são três pessoas diferentes, não por acaso mulheres, que possuem experiências de depressão diferentes e relacionadas às épocas em que vivem, mas que dividem suas horas com sentimentos de frustração e  insatisfação com a vida que levam.

Vale ressaltar que o filme também retrata as modificações que ocorreram em relação ao tratamento da doença de acordo com o passar dos anos (leia mais aqui). No período em que Woolf viveu, o paciente ficava em casa em repouso, cercado pela proteção da família e amigos. Os casos graves eram internados para maior vigilância a fim de impedir suicídios, o que ocorreu muitas vezes com a escritora que viveu um grande sufocamento, pois não podia tomar suas próprias decisões, tudo era controlado pelos médicos, já que não havia tratamento no início do século XX.

Frequentemente confundida com outras doenças que possuem sintomas semelhantes como o estresse e a ansiedade e com sentimentos naturais do ser humano como a tristeza e o desânimo, a depressão ainda é pouco tratada, são poucos os que recebem tratamento adequado. Muitas vezes, o próprio deprimido enxerga seus sintomas como fraqueza e se sente fracassado e impotente, por isso, é primordial que ele saiba que seu problema existe, que outras pessoas também passam por isso, é provável que, cada uma a seu modo e em níveis diferentes, mas que ele não está sozinho e que há caminhos para a sua solução.

Assim como em “As Horas”, as manifestações artísticas podem e devem colaborar na expressão desse e de outros males que nos afetam e hoje podemos encontrar muitas  outras obras que tratam do assunto, o que é muito importante. Ao se identificar com a ficção, a pessoa se sente representada e todos os outros tem a possibilidade de entender melhor o que se passa em seu universo, tornando a comunicação muito mais fácil e aumentando as chances de conseguir ajudar de alguma forma.

Seja por meio de um filme, um livro, uma canção, artigos ou uma simples história contada entre amigos, é preciso que busquemos formas de manifestar apoio e emprestar os ouvidos, pois, muitas vezes, tudo o que o outro precisa é de uma oportunidade de ser escutado e visto. Afinal, “a arte pode muito mais do que nos fazem crer” e a empatia também.

Imagem: Pinterest

Participe do Superela Convida deste mês, especial Setembro Amarelo, duas psicólogas estarão presentes falando sobre doenças psicológicas, como ajudar pessoas nestas condições e como saber se você precisa de ajuda. Inscreva-se aqui no evento online gratuito.


@ load more
E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
Obrigada, agora falta pouco...
Por favor, fique de olho em sua caixa de entrada (às vezes, pode acontecer do email estar no SPAM ou na aba Promoção caso use GMail). Quando receber nosso email é só clicar no link de confirmação ;)
Enviaremos nos próximos minutos um email para você confirmar o recebimento de nossos conteúdos.
Os melhores conteúdos do Superela.
Um único email por semana.
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Vamos ser amigas? :)
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Qual conteúdo você gostaria de ver no Superela?
A gente escreve sobre o que você quiser e ainda manda no seu email :)
Obrigada!
Recebemos sua sugestão.

Hey, você já conhece o Clube Superela? Lá você pode perguntar o que tem vontade anonimamente :)