Receba nossos e-mails incríveis
Amor Sexo Autoestima Corpo Vida Carreira & Finanças Beleza Estilo Vídeos
Escreva seu texto

Leia temas do seu interesse:

/

Alexitimia: pensar o que não se sente e sentir o que não se pensa

Sarah Duni

Colunista Superela

Mais textos

Quem nunca esteve numa fase onde pouco já se torna muito? Já sentiu aquele turbilhão de sensações, uma explosão interna, mas acontecendo no lugar e na hora errada?

Certo dia pensei que estava enlouquecendo, no meio de uma prova na faculdade veio aquele surto interno, as mãos suaram frio (as escondi nos bolsos) e quis sumir. O que poderiam pensar de um surto naquele silêncio todo, no meio de uma prova do pior professor da faculdade? Eu estava lúcida, pálida, inerte e com cara de “já posso sair daqui?”.

Eu estava tendo a minha primeira crise de Alexitimia! O problema é que eu não sabia disso.

O que é Alexitimia?

Palavra estranha, tanto quanto é a vivência do seu significado. Alexitimia está relacionada à dificuldade em verbalizar emoções e descrever sentimentos, bem como sensações corporais.

A palavra alexitimia começou a ser usada por Peter Sifneos (1973), em trabalhos de psicologia, e foi conceituada como “ausência de palavras para as emoções”. Vale enfatizar que alexitimia não é um transtorno mental, embora pareça. Trata-se de um traço da personalidade de alguns indivíduos, um traço bem torto eu diria.

Mas não vá confundir alexitimia com uma “fase de vida difícil”, pois é bem verdade que todos nós passamos por aqueles momentos em que não conseguimos mais expressar nada, tudo dói e sempre achamos que tudo é difícil. Não, alexitimia não é só uma fase. Não é sofrer calado por aquele amor que não deu certo, a perda do emprego, um ente querido que faleceu recentemente (embora  isso possa desencadear um processo de alexitimia), mas conseguir se restabelecer em algumas semanas ou meses.

Alexitimia está presente em todos os momentos da vida do indivíduo, no não saber expressar toda e qualquer tipo de emoção ou comportamento físico que estas nos causam.

alexitimia - 1

Desvendando as sensações do Alexitímico

Emoção e sentimentos são duas palavras bem conhecidas e usadas em nosso dia a dia, mas cuja distinção e conceituação ainda são bastante confusas, mesmo entre especialistas.

No cérebro humano não existe um sistema único dedicado à emoção. Steven Rose diz que buscar a localização da emoção em alguma área especifica do cérebro é cometer um “erro de categoria”, porque os processos emocionais “são feitos não em uma localização, mas em um padrão de interações dinâmicas entre regiões múltiplas do cérebro”, as várias classes de emoções são mediadas por sistemas neurais distintos. Não existe a faculdade da emoção, e tampouco existe um sistema cerebral único encarregado dessa função fantasma.

Emoção é um conceito complicado, e imagine para nós mulheres que já somos confusas por natureza, sentimos uma coisa e demonstramos outra, falamos algo que não é bem o que estamos sentindo ou falamos o que sentimos mas às vezes ninguém entende nada.

Imagine aí: um mudo brasileiro querer falar o que está sentindo para um coreano surdo, e este cara ser a única pessoa que pode lhe ajudar naquele momento. Essa é a sensação de um alexitímico o tempo todo.

alexitimia - 2

É o sentir demais e não conseguir dizer nada, internalizar tudo e ser tachado de insensível, louco e frio. Quando na verdade, os sentimentos gritam por dentro. É ter uma alma cega num corpo que enxerga até demais tudo que se passa no mundo.

Para Antônio Damásio, as emoções são quantificáveis (as respostas químicas e neurais) e observáveis na pessoa “emocionada”, por uma terceira pessoa: expressão facial, ritmo e movimento do corpo, sudorese, etc. Sentimentos são resultados da percepção dessas reações pela própria pessoa: ela “sente” a emoção.

São, portanto, experiências subjetivas, somente accessíveis à própria pessoa. Isso admite que exista uma sequência no processo de geração de emoções e sentimentos. Primeiro, há a percepção de um evento ou objeto pelo organismo, a qual aciona automaticamente determinados circuitos subcorticais que provocam alterações no corpo e no próprio cérebro em resposta à percepção (moléculas químicas e sinais eletroquímicos), predispondo o organismo para determinados comportamentos: isso é a emoção. Por último, as alterações sofridas pelo corpo acionam outros circuitos cerebrais, tornando-se conscientes para a pessoa: isso é o sentimento.

Há certo problema nessa fase de alterações sofridas pelo corpo até a ação dos circuitos cerebrais, pois o alexitímico parece não ter alterações físicas visíveis e muito menos consegue tomar consciência do que é aquela emoção. Logo não há expressão de sentimento.

Associações à Alexitimia

Os alexitímicos têm sido descritos como robôs humanos, portadores de uma espécie de analfabetismo emocional. Embora a alexitimia seja um construto clínico já testado, ela não constitui uma doença diagnosticada, mas sim um aspecto clínico associado a algum outro problema médico, tal como desordem de stress pós-traumático, anorexia nervosa, desordens de personalidade: como narcisismo ou TOC. Também foi associada ao câncer, desordens alimentares, depressão, alcoolismo e doenças psicossomáticas.

Todavia, existem evidências que possibilitam considerá-la como uma condição independente, uma disfunção afetivo-cognitiva, duplamente associada a alguma condição físico-patológica e por danos à vida relacional do indivíduo.

alexitimia - 3

Mas tem tratamento?

Muitos dizem que existe tratamento, e ele não vem em comprimido. O tratamento é terapêutico e consiste em ensinar o indivíduo a reconhecer e identificar os tipos de emoções; num nível mais avançado, aprender a diferenciá-las também, por exemplo a tristeza da depressão. É como mostrar para uma criança a figura de um rosto triste e dizer-lhe que aquela expressão da imagem é de tristeza e logo, se ela fizer igual estará se sentindo triste.

Mas quem dera fosse assim fácil como parece ser a explicação para uma criança, pois eu como alexitímica até posso registrar essa imagem do que é ser/estar triste, mas olhando para mim mesma eu não consigo coordená-la, verbalizá-la e expressar com veemência. E não porque eu não quero, é porque não consigo. E eu sinto, ah como eu sinto coisas. Eu sempre sinto, e sinto MUITO. Essa frase é usada constantemente por um alexitímico, “eu sinto muito”, mas na maioria das vezes é recebida com tom de pouca credibilidade, dita por dizer. Isso significa que um relacionamento entre alexitímico e não-alexitímico poderá ser conflituoso, pois o universo simbólico-emocional de cada um não é compreensível para o outro: eles não possuem a chave interpretativa para decodificar a mensagem um do outro.

Por não ser uma doença, no sentido físico do termo, e por suas características, que dirige o foco da atenção da pessoa para o externo, o alexitímico não se percebe desajustado: quase sempre resiste a um tratamento. A terapia convencional (apoiada na verbalização de emoções) tem pouco ou nenhum efeito sobre ele. Pode-se prever que terapias específicas, baseadas em processos de reeducação e reaprendizagem emocional venham a ser desenvolvidas para corrigir essa deficiência funcional cerebral aprendida, de pessoa para pessoa, uma vez que o sentir é algo tão subjetivo.

alexitimia - 4

Testes para saber se você tem Alexitimia

Há o TAS-20, que é o considerado o método mais eficaz para se identificar e medir a alexitimia, em duas versões brasileiras. O TAS-20 é um instrumento de auto-avaliação constituído por 20 itens. É pedido ao sujeito que registre o seu grau de concordância para cada um dos itens numa escala de cinco pontos:

  • 1. Discordo totalmente
  • 2. Discordo em parte
  • 3. Não concordo nem discordo
  • 4. Concordo em parte
  • 5. Concordo totalmente

Um segundo instrumento bem aceito é o BVAQ (Bermond-Vorst Alexithymia Questionnaire). Esse instrumento pretende identificar cinco fatores da alexitimia, os quais são descritos em inglês com as palavras emotionalizing, fantasizing, identifying, analyzing e verbalizing (emocionando-se, fantasiando, identificando, analisando, verbalizando). Há um questionário online disponível aqui. O texto está em inglês, mas nada como uma ajudinha do nosso amado, idolatrado, salve e salve Google tradutor!

Ao final do teste, que conta com 37 perguntas, há o seu resultado sobre ter ou não alexitimia. O meu, bom, nem preciso dizer o resultado não é mesmo?! Mas por favor não se desespere com o resultado, se automedique ou faça algo pior… Procure a ajuda de um psicólogo e fale sobre sua suspeita quanto à Alexitimia.

Para Panksepp (que usa o conceito de afeto, para reunir emoções e sentimentos), o sofrimento do alexitimico se resume em um parágrafo:

“Sem afeto, podemos nos sentir sem vida; sem afetos positivos, existem poucas razões para viver… sem afetos, não há alegria nem dor. Afeto é a fonte de toda intimidade… encorajando as pessoas a cavar profundamente em sua “alma” biológica – para encontrar empatia, comunicar seus interesses sinceramente e esperar reciprocidade para sua profundidade de sentimento”.

Mas nós sentimos, e sentimos MUITO!

Imagem: Pinterest

Sarah Duni

Colunista Superela

Mais textos

Leia temas do seu interesse:

/

Leia temas do seu interesse:

/

E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
Um email por semana só com o melhor conteúdo do Superela
Você vai adorar ❤
Obrigada!

Recebemos seu pedido de cadastro e enviamos a você um email com o link para você confirmar o recebimento dos nossos emails.

Por favor, acesse seu email e click no link de confirmação.


Click aqui para voltar ao site.
Não perca mais nenhuma novidade!
PGlmcmFtZSBzcmM9Imh0dHBzOi8vd3d3LmZhY2Vib29rLmNvbS9wbHVnaW5zL3BhZ2UucGhwP2hyZWY9aHR0cHMlM0ElMkYlMkZ3d3cuZmFjZWJvb2suY29tJTJGU3VwZXJlbGFPZmljaWFsJTJGJnRhYnMmd2lkdGg9NTIwJmhlaWdodD0yMjAmc21hbGxfaGVhZGVyPWZhbHNlJmFkYXB0X2NvbnRhaW5lcl93aWR0aD10cnVlJmhpZGVfY292ZXI9ZmFsc2Umc2hvd19mYWNlcGlsZT10cnVlJmFwcElkPTE3MTExNDI3NjM4MDkzNiIgd2lkdGg9IjUyMCIgaGVpZ2h0PSIyMjAiIHN0eWxlPSJib3JkZXI6bm9uZTtvdmVyZmxvdzpoaWRkZW4iIHNjcm9sbGluZz0ibm8iIGZyYW1lYm9yZGVyPSIwIiBhbGxvd1RyYW5zcGFyZW5jeT0idHJ1ZSI+PC9pZnJhbWU+
Curta o Superela no Facebook ❤
teste
teste