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De 1990 pra cá, muita coisa mudou né? A internet se consolidou e surgiram novos modelos de negócios e emprego. Assuntos considerados tabus hoje são falados mais abertamente. O feminismo está mais vivo do que nunca e o empoderamento feminino é incentivado constantemente, seja na tv, nas revistas, nos comerciais e até em casa. Mas voltemos aos anos 90, que foi quando nasci. O mundo era outro, principalmente se tratando de dois assuntos: a mulher negra e seu cabelo. Ou melhor: a cobrança em alisar os cabelos.

alisar os cabelos

Imagem: Reprodução/Pinterest

Tudo bem em alisar os cabelos: fortaleça sua autoestima e se empodere!

Durante anos, o cabelo crespo e cacheado praticamente não existia para as marcas de produtos de beleza. Encontrar um shampoo e condicionador próprio para esse tipo de fio era dificílimo, já que o poder de compra e o interesse de venda era somente para a mulher branca e de seu cabelo liso. Penteados para cabelo crespo e cacheado? No máximo algumas tranças e, claro, ele sempre preso. Solto jamais!

Volume não é legal; prende esse cabelo; seu cabelo é muito seco, né? É melhor passar alguma coisa para domar essa juba, vai ficar mais fácil de cuidar“. Era esse o discurso comum, até que com uns 9 ou 10 anos, comecei a alisar o cabelo.

Usei 2 produtos que me lembro bem

Comecei com o Henne, que alisava e ainda deixava ele mais preto do que nunca. Não me adaptei. Talvez por ser criança, eu nem poderia usar um produto desses. Passei pela minha primeira transição para poder começar a usar outro alisante. Dessa vez, foi o Hair Life da Embelleze, – altamente divulgado na mídia-, principalmente pelo extinto programa do Netinho de Paula, “Dia de Princesa”. Meu sonho de princesa era um cabelo lisinho e bonito como das meninas que participavam. Como elas usavam o tal alisante, minha mãe comprou.

Cheiro forte, ardia os olhos e o couro cabeludo. Mas todo sofrimento é válido pra gente ficar linda, né? Fiquei dos 14 aos 21 anos usando Hair Life. E a procura incessante pelo cabelo lindo não estava ligada ao fato do alisamento, pois ele deixava as pontas secas, o fio quebradiço, frizz e de claro, meu cabelo começou a cair.

Tive o primeiro corte químico

Sempre tive pavor de ir ao cabeleireiro, pois sabia que iria ouvir críticas a respeito do meu cabelo, por mais que eu fizesse de tudo para deixá-lo bonito, hidratado e ajeitadinho. Mas nada era suficiente, ele nunca estava bom, “mesmo liso”.

Com mais queda dos fios, tive o segundo corte químico. Na minha cabeça era “normal” passar por tudo aquilo, fazia parte. Entrei na faculdade e a chapinha morava na bolsa, sempre pra ajeitar o cabelo durante o dia. Queimei o cabelo, ele cheirava a fumaça.

Aos 22, desisti do produto e conheci um salão que era especializado em cabelo afro. Já estava quase sem cabelo, cortei um pouco mais e passei por mais uma transição para que todo o produto que usei há anos pudesse sair completamente e eu pudesse fazer uma progressiva menos danosa aos fios. Depois de meses, fiz a tal progressiva e coloquei mega hair. Meu segundo sonho de princesa era cabelo comprido, quem nunca? Realizei com o mega hair. Mas era um saco! Doía para colocar, os tufos caíam, era horrível lavar e desembaraçar. Mas fiquei quase dois anos com ele para que o meu próprio cabelo pudesse crescer.

Cresceu! Com 24 anos eu tinha cabelo de novo!

Eu me olhava no espelho e me via. E desde então, uso um produto que não é tão agressivo ao cabelo, ajuda a crescer e nunca esteve tão bonito. E tá tudo bem em alisar os cabelos. Empoderamento é (entre algumas coisas) sentir-se no controle de si mesma. É ter poder sobre nossas escolhas e decisões, mesmo que elas entrem em choque com o que nos foi socialmente ensinado.

Tudo isso para dizer que: ninguém precisa crescer odiando o próprio cabelo! Ninguém precisa perder o cabelo, passar por cortes indesejáveis ou ouvir que seu cabelo está horrível, mesmo cuidando horrores. Nem se privar de brincar, de tomar chuva, ou de entrar na piscina porque vai estragar a chapinha. Ninguém, principalmente as crianças que estão em formação de identidade.

alisar os cabelos

Imagem: Apryl Ann Photography

Em 2017, temos a Dove com uma campanha linda sobre Ame Seus Cachos. Nela, Rayza Nicácio exalta os cabelos crespos e cacheados com linhas próprias para esse tipo de cabelo, como na SalonLine e a Lola Cosméticos.

Temos milhares de vídeos no YouTube de como cuidar e finalizar, passar pela transição (se assim você desejar), escovas próprias para esse tipo de fio e referências de mil penteados lindos para fazer em crianças.

E mesmo assim, as pessoas ainda acham que alisar os cabelos resolve todos os problemas

Pelo contrário. isso desenvolve muitos outros: como baixa autoestima, falta de amor próprio, reconhecimento e insatisfação.

O cabelo mexe muito com a nossa autoestima e se ele não está bom, o famoso bad hair day, o dia não rende como o normal. Imagine isso para uma criança? Desde pequena ela ser ensinada que o cabelo dela é ruim e que o bom é alisar. Que ao invés de estar brincando com os amiguinhos, está no salão esticando os fios. Com tanta informação, as pessoas ainda preferem fechar os olhos para as mudanças.

alisar os cabelos

Imagem: Reprodução

Nossas crianças precisam ser empoderadas e incentivadas de que independente de como o cabelo delas sejam, elas são LINDAS e MARAVILHOSAS. E ninguém tem o direito de dizer o contrário. E se disser, mande-o catar coquinho, porque seu cabelo É LINDO, não importa a forma ou textura.

alisar os cabelos

Imagem: Reprodução/Pinterest

O problema, na maioria das vezes, não é VOCÊ… São as ideias desajustadas da sociedade sobre aceitabilidade e beleza. Então, mantenha-se firme. Você não é um erro! E se no futuro, por decisão própria quiser alisar os cabelos, não tem problema nenhum. Mas não imponha isso as nossas crianças.

Quando ensinamos uma criança a se amar, ensinamos toda uma geração!

alisar os cabelos


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo sobre assumir os cachos, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?


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