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Anitta barrada no Rock In Rio. A notícia com certeza vai fazer os haters saírem em polvorosa internet afora: ‘ela não tinha nada que se apresentar por lá’, diriam. A gente discorda e acha que tem muita coisa a ser pensada sobre o assunto.

A gente bem sabe que a cantora, por si só, é muito polêmica – que o diga a campanha que ela fez em parceria com a Vivara, que rendeu inúmeros comentários preconceituosos e ofensivos na página oficial da joalheria no Facebook. E Anitta barrada no Rock In Rio só mostra mais uma vez como esse preconceito vai longe quando o assunto é a cultura da favela.

Segundo o colunista Leo Dias, a família Medina, que cuida de toda produção do festival, ‘não gosta de funk’. E essa seria a justificativa para a cantora, que já tentou mais de uma vez participar do evento de música, continuar recebendo ‘nãos’ como resposta. Tudo bem, a gente sempre defende por aqui que ninguém é obrigado a gostar de nada – ainda mais quando o assunto é música ou sexo, por exemplo. E essa justificativa faria muito sentido se o Rock In Rio fosse, como diz o nome, um festival exclusivo de bandas de rock.

Mas não é assim tem muito tempo. O festival deixou de ser algo puramente regional e nacional para se tornar uma vitrine de músicos para o mundo todo, ainda mais aqueles do Brasil que tentam carreira internacional. Nomes da música brasileira como Ivete Sangalo e Claudia Leitte – que cantam axé – já passaram pelos palcos do evento, e, até onde a gente sabe, ninguém reclamou. Pelo contrário, pelas transmissões ao vivo a gente viu muita gente pulando pra lá e pra cá ao som da música.

E artistas como Rihanna e Katy Perry – que de rock também não tem nada – já tiveram a oportunidade de participarem do festival, tal qual tantos outros nomes da música pop. É porque são artistas internacionais? É porque já são conhecidas no mundo todo? É porque são americanas e, por isso, ‘melhores’ do que as brasileiras?

Anitta barrada no Rock in Rio e a síndrome do vira-lata

Vamos combinar que o funk tem se tornado uma ferramenta empoderadora e tanto nos últimos anos. Nomes como a própria Anitta, Mc Carol, Valesca Popozuda e tantas outras têm criados músicas incríveis que estão se tornando hinos não só na favela, mas no cenário musical brasileiro como um todo.

Ainda assim, existe uma resistência enorme ao funk em ambientes mais ‘elitizados’, vamos colocar assim. Um festival de música do porte de um Rock In Rio não é lugar para funk, mas axé tudo bem. Até porque, o que seria das festas de formatura sem ‘e vai rolar a festa, vai rolar’ no fim?

Se Anitta é a melhor pessoa para introduzir esse tipo de som em um evento desse porte, isso não tem como saber. Porém, se os números são qualquer indicativo, no Brasil as cinco cantoras mais baixadas no Spotify são, nessa ordem: Rihanna, Anitta, Ariana Grande, Beyoncé e Katy Perry. A brasileira está em segundo lugar.

Muitos podem chiar, mas a intérprete de ‘Bang’ já provou que tem tudo para ser a Beyoncé brasileira. Se, no passado, ela deu algumas escorregadas em relação ao feminismo, hoje em dia, mais madura, ela já se mostra alguém pronta para representar a mulher brasileira de verdade – popular, que vai no baile funk de fim de semana e que pode não ter ideia do que é assistir um show de alguém como Katy Perry uma vez por ano.

Agora, conta pra gente. O que você acha dessa história toda? Anitta deveria ou não participar do Rock in Rio?

Você acha que Anitta deveria participar do Rock In Rio?

Imagem: Instagram/Anitta

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