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Quando falamos em Câncer de Mama, também falamos bastante em prevenção, o que sem dúvidas é muito importante e para isso temos algumas campanhas bem válidas, como o Outubro Rosa (leia mais aqui). Mas o fato é que, mesmo tomando todas as medidas, fazendo os exames regulares, algumas mulheres acabam enfrentando a doença.

Por isso, hoje vamos falar de um assunto igualmente importante: a recuperação da autoestima em mulheres com câncer de mama. É claro que superar o tumor e alcançar a cura física é o grande objetivo de quem passa por algo assim, mas não podemos nos esquecer do quanto as emoções da mulher são atingidas desde o diagnóstico, durante todo o tratamento e até a sua conclusão.

Ao realizar as sessões de quimioterapia, ela normalmente perde seus cabelos, seus cílios, suas sobrancelhas. Passa por intervenções nos seios e muitas delas sentem como se a sua feminilidade estivesse sendo agredida. Além disso, precisam lidar com a doença em si e toda a pesada rotina de cuidados médicos. Sua imagem física muda em pouco tempo, o que poderá causar maior vulnerabilidade e insegurança.

Amparar psicologicamente as mulheres que enfrentam ou já enfrentaram o câncer de mama é colaborar com o sucesso do tratamento, já que as emoções terão papel fundamental na postura que a paciente irá adotar diante desse desafio, refletindo imensamente nos resultados.

Se você é uma mulher que tem ou já teve câncer de mama, é muito importante frisar que ter uma compreensão mais profunda sobre si mesma, sobre o significado do seu próprio corpo e sua relação com ele, são fatores que ajudarão no processo de recuperação da autoestima. Muitas vezes, a mulher é ensinada a se considerar feminina valorizando apenas suas características físicas e quando algo atinge exatamente este ponto, passa a se sentir “menos mulher”.

No entanto, quando começamos a nos conhecer a fundo e descobrir nossa essência, reelaboramos nosso conceito de “feminino”, de nos relacionarmos, de sermos amadas e de amar. Daí a importância de participar de grupos onde as mulheres que já viveram ou vivem a mesma situação trocam suas experiências de medos e conquistas. Quando nos identificamos, conseguimos força para assumir um novo olhar acerca de nós mesmas.

Mas, ainda falando sobre a autoestima ligada às transformações do corpo, é válido lembrar que esses momentos são passageiros, ainda que sejam muito delicados. Durante esse período, algumas dicas podem ajudar, como manter seus cuidados pessoais e de beleza como de costume, por exemplo. Outra dica é a de descobrir novas habilidades ou começar a fazer coisas que você sempre teve vontade – um curso novo talvez.

Buscar acompanhamento psicológico é sempre uma boa opção (temos indicações aqui). As sessões serão momentos muito especiais onde a mulher poderá contar abertamente sobre os seus medos, tudo o que vive, tudo o que sente e, com certeza, encontrará acolhimento e poderá recuperar sua autoimagem. Muitas mulheres trazem para a psicoterapia o fato de estarem se adaptando, por exemplo, às cirurgias feitas nas mamas.

Em geral, primeiro a mastectomia e depois a reconstrução com próteses. Primeiro um “luto” pela perda de seu seio – onde muitas vezes está depositada grande parte da imagem que ela criou sobre ser feminina – e depois a adaptação a esse novo seio, um novo “eu”, uma mulher sob nova perspectiva. Essa redescoberta terá um significado único para cada mulher e acontecerá também de forma diferente para cada uma, mas, sem dúvidas, será melhor se ela se sentir amada e amparada.

Se você conhece ou convive com uma mulher com câncer de mama, lembre-se que é fundamental compreender o momento que ela está passando e que é comum que apareçam medos, fantasias sobre o que poderá acontecer, angústias e incertezas. Nesse momento é preciso oferecer apoio, encorajar e mostrar que ela não está sozinha. Ajudá-la, também, a buscar orientações psicológicas adequadas, bem como grupos de apoio, o que fará com que essa fase seja enfrentada da melhor forma possível.

Lembre-se ainda de ter atenção aos sinais emocionais, pois muitas mulheres têm dificuldades mais profundas em superar a notícia do diagnóstico ou as mudanças que o tratamento acarreta e acabam desenvolvendo transtornos como a depressão (leia ais aqui). Ter por perto uma orientação especializada é de grande valia.

Imagem: Pinterest 


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