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A nova minissérie da HBO ‘Big Little Lies‘ baseada no livro homônimo de Liane Moriarte, “Pequenas Grandes Mentiras” no Brasil, é uma adaptação cheia de vivacidade que capta a atenção do espectador do começo ao fim. O slogan “uma vida perfeita é uma perfeita mentira” e a reunião de Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley, Zoë Kravitz e Laura Dern estrelas do cinema de diferentes gerações, prometiam uma trama conflituosa baseada em intrigas, mentiras e mistérios.

Big Little Lies: uma vida perfeita é uma perfeita mentira

É justamente o que a minissérie entrega, com estilo e identidade própria, considerando que em um enredo com essa premissa de conflitos velados, o caminho poderia ter sido novelesco com tendência para o melodrama. Big Little Lies passa longe desse caminho por conta da união de um elenco feminino talentoso e da direção meticulosa de Jean-Marc Valée, que já havia trabalhado com Reese Witherspoon em “Livre”, que também é uma adaptação de um livro escrito por uma mulher, com uma figura feminina no papel principal.

Mulheres no poder

Aliás, Reese Witherspoon, que protagoniza Madeline, é peça chave para a criação da minissérie. Como produtora, Witherspoon procura investir em histórias nas quais as mulheres sejam protagonistas e gosta de reunir o máximo de figuras femininas talentosas no set. No caso de Big Little Lies, a artista gostou tanto do livro que juntamente com a amiga Nicole Kidman, resolveu adaptar a história dessas mulheres para a televisão.

O formato de uma minissérie em sete capítulos foi uma escolha acertada, já que os conflitos são apresentados aos poucos e resolvidos sem prorrogação. Big Little Lies tem começo, meio e fim. Claro que como uma obra diferenciada, não entrega todas as respostas e deixa o espectador utilizar a imaginação para encaixar todas as peças.

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Desde a abertura da minissérie, com as personagens principais dirigindo levando seus filhos à escola com a praia de Monterey na Califórnia ao fundo que progride para uma provável festa de gala em que algumas personagens estão trajadas como Audrey Hepburn, percebemos que há muita simbologia e que adentraremos a uma trama em que nada é o que parece.

Big Little Lies

As personagens

O enredo se inicia com a chegada de Jane Chapman (Shailene Woodley), mãe solteira de um menino que deixa o passado para trás para iniciar uma nova vida em Monterey. Ela encontra em uma determinada situação Madeline Mackenzie (Reese Witherspoon), figura rica e influente na sociedade de Monterey, mãe de duas meninas, que se identifica com Jane. Madeline é amiga de Celeste Wright (Nicole Kidman), outra das poderosas mulheres de Monterey que é mãe de gêmeos e invejada por ter uma vida aparentemente perfeita.

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Depois, somos introduzidos à Bonnie Carlson (Zoë Kravitz), nova mulher do ex-marido de Madeline. Professora de yoga, mãe calma, e ainda é invejada por sua jovem beleza e estilo. E por fim, temos a figura austera de Renata Klein. Ela é uma atriz bem-sucedida que aprecia a calmaria de Monterey para criar sua filha pequena.

Como podemos perceber, temos mulheres com diferentes estilos de vida, idades, situação financeira em uma cidade aparentemente pacata. Contudo, todas estão envolvidas nessa trama por terem os filhos estudando no mesmo jardim de infância.

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Além da apresentação das personagens principais, temos por meio de entrevistas investigativas, com ar de documentário, os outros moradores da cidade comentando sobre a notícia de que houve um assassinato em Monterey, e que todas essas mulheres estão de algum modo envolvidas em tal crime.

O espectador fica preso a essa premissa e presta atenção a cada detalhe dos episódios para descobrir o que aconteceu. As subtramas envolvem adultério, violência, falsidade, traumas do passado e tudo mais que um bom drama pode trazer.

A série

Sem dar spoilers, é nesse ponto que a direção de Big Little Lies faz toda diferença. A cinematografia da minissérie coloca o espectador como voyeur das ações de todos os personagens. A câmera inquieta foca no que não estamos prontos para ver, e desfoca do que esperamos encontrar. As casas de vidro iluminadas chamam a atenção. Há a ilusão de enxergarmos o que acontece dentro desses lares. Mesmo não tendo certeza de nada, somos cúmplices de nossas personagens.

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Os flashbacks são usados com elegância na série. São sempre introduzidos por meio de expressões das personagens que se lembram de seus traumas. São cenas fortes. Afinal, a série trata de abuso, violência contra a mulher e comportamentos violentos em geral. O diretor confia plenamente em suas atrizes. Há planos focados nos rostos delas. Sem dizer nada, elas expressam a angústia de ter segredos desagradáveis escondidos.

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Detalhes técnicos e artísticos

O uso do som em algumas dessas cenas é inteligente. Temos cenas em que só ouvimos a interação dos personagens e olhamos para uma janela. E cenas e que vemos a violência crua, mas não ouvimos nada. Esse é um artifício que corrobora para que a minissérie tenha um estilo próprio sem cair no piegas. E tudo isso tratando de temas tão sérios que levaram à morte de um dos personagens.

A natureza de Monterey é outro personagem forte na série. Vemos cenas das ondas, do vento, das rochas entrecortadas com cenas conflituosas das personagens principais. Elas simbolizam que ignoramos nossa própria natureza humana, que é tão imprevisível quanto a “mãe natureza”.

Big Little Lies

Se você é amante de séries, assista Big Little Lies com atenção a esses mínimos detalhes. Eles permitem ao espectador desenvolver uma interpretação própria sobre o que a trama não mostrou. Se você gosta de desvendar mistérios, não se deixe enganar pelas pistas falsas. E se você é entusiasta do feminismo, aproveite para se envolver com essas cinco personagens que, após tantos conflitos, descobrem a importância da sororidade.

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