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Camila Cabello se tornou o centro do mundo da música no último mês ao anunciar que estava deixando o grupo Fith Harmony, uma das Girl Bands mais bem-sucedidas dos últimos tempos. Polêmicas à parte, a cantora, que agora está gravando um álbum solo, comentou sobre um ponto que sempre é muito presente em artistas femininas: a sexualização da mulher na música.

Conversando com a atriz Lena Dunham, Camila Cabello explicou que mais de uma vez se viu ‘forçada’ a ser mais sexy do que gostaria e a passar uma ideia de sex appeal com a qual ela não se sentia de todo confortável. Vale lembrar, aliás, que a cantora está agora com 19 anos. Quando começou no grupo, ela tinha 15.

“Principalmente por estar em uma girl band, existiram momentos em que em que as pessoas tentaram nos sexualizar para conseguir mais atenção. Infelizmente, o sexo vende. Com certeza tiveram momentos em que apareceram coisas com as quais eu não estava confortável e eu precisei ser firme na minha decisão de não acatar com elas”, explicou.

Camilla Cabello, claro, não é a primeira a passar por uma situação como essa. Jessica Simpson também já chegou a falar que se sentiu muito forçada a ser sexy e mostrar o corpo quando, na verdade, não era exatamente essa a mensagem que ela gostaria de passar.

Ainda assim, a ex-Fifth Harmony explica que mostrar a sua sexualidade não é um problema, desde que ela seja genuína e parte de quem você é. O problema aparece quando o mercado tenta usar desse recurso puramente para vender CDs e conseguir mais audiência – é uma parte da cultura do estupro que usa o corpo feminino como um objeto de desejo para faturar.

“Não existe problema nenhum em mostrar a sua sexualidade. Se você tem isso dentro de você, é apenas uma expressão de quem você é. E se você quer compartilhar isso com as pessoas, isso é incrível! Eu amo isso. Olhe para a Rihanna. Ela é muito sexy. Ela veio do Planeta Sexy. Eu admiro muito ela”.

Sendo tão nova, é no mínimo compreensível que Camilla Cabello tenha se sentido dessa maneira. Esse é um segundo problema dessa visão machista do mundo: enquanto as mulheres que passam dos 30 começam a ser vistas como ‘velhas demais’, espera-se que as muito novas já tenham noção suficiente de sexo e do que é ser sexy para conseguir vender isso para o mundo.

E, por isso, tantas estrelas teen acabam indo para um caminho complicado que envolvem casos de depressão e até envolvimento com drogas. A pressão para atingir um padrão impossível aumenta a insegurança justamente porque essas meninas estão precisando bancar para o mundo todo algo que elas não são – e, em algum nível, essa insegurança fica visível e precisa ser compensada.

Qualquer que tenha sido o motivo para Camila Cabello deixar o Fifth Harmony, ela tem razão quando diz que tanto ela quanto outras mulheres foram forçadas a serem mais sexy por dinheiro (que muitas vezes, nem vai para elas próprias).

Por outro lado, é incrível também outras tantas cantoras, como Beyoncé e Madonna, uma pioneira nesse assunto, explorarem a sua sexualidade a ponto de mostrar que não tem problema algum em uma mulher gostar de sexo e expor o seu lado sensual – desde que seja da vontade dela e algo natural da sua personalidade.

Assim como a tentativa de sexualizar demais meninas jovens, o mercado rechaça aquelas que são sexualizadas demais. Ou seja, são dois pesos e duas medidas na tentativa de manter um padrão que desperta o desejo dos homens, mas não caia no que é vulgar e exagerado. Esse padrão limita e humilha e é por isso que, como tantos outros, precisa ter um fim.

Imagem: Instagram

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