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Caroline Martins é PhD em física e tem quatro títulos acadêmicos de peso, mas decidiu trocar a carreira na área para tentar um novo sonho: virar chef de cozinha. Tanto que participou do Masterchef, programa da Band, famoso pelas batalhas culinárias e premiar o vencedor com cursos, investimentos e equipamentos.

A questão de Caroline Martins, e de tantos outros participantes do programa, é que ela foi eliminada da atração e precisou ouvir dos jurados que ‘o seu sonho acabou’. Mas, na sua página no Facebook, ela mostrou que o sonho dela estava apenas começando e que mesmo tendo deixado a atração, ela conseguiu o prêmio máximo sozinha: fazer um curso na renomada escola Le Cordon Bleu, em sua filial em Londres, na Inglaterra.

Caroline Martins e o medo de mudar de carreira aos 30 anos

No texto, a ex-Masterchef explica que é comum as pessoas ficarem chocadas com alguém que quer mudar de carreira aos 30 anos – isso porque essa é uma idade para a mulher casar, ter filhos, comprar uma casa… Enfim, fazer aquelas ‘coisas de adulto’ que todo mundo acha que a gente, no nosso papel de mulher, é obrigada a fazer quando chega essa idade.

Na verdade, essa é uma visão muito verdadeira sobre o que passamos diariamente e as pressões que sofremos para nos encaixarmos em um certo padrão: aos 30 anos, além de termos uma carreira firmada, precisamos estar em um relacionamento estável, de casamento marcado, prontas para termos filhos e ‘com a vida encaminhada’.

Mudar de carreira em qualquer fase da vida parece um problema – ou, no mínimo, uma perda de tempo. Você passa pela faculdade, começa a trabalhar e daí ‘joga tudo fora’ para começar do zero. Mas o problema não é recomeçar, é achar que todos estamos aptos a escolher o que fazer o resto da vida aos 17 anos, quando prestamos vestibular e iniciamos a vida universitária.

Caroline Martins não é um ponto fora da curva – ela não é a primeira nem será a última mulher que vai decidir mudar de carreira na vida e trabalhar duro para ser bem-sucedida nessa transição  –, mas ela questiona, muito publicamente, esse medo de ter sonhos e buscar, de novo e de novo, formas de irmos além.

Ninguém precisa se contentar com uma coisa só

Dizem que a gente precisa ter um diploma e uma carreira estável. Na época dos nossos pais, quando a economia era mais instável a política também, isso poderia ser verdade e até uma necessidade em questões de sobrevivência – a estabilidade financeira e de carreira era importante numa época em que tudo era incerto.

Mas o mundo hoje é outro. Verdade, nem tudo é tão estável assim e parece que tudo está cada dia mais maluco – e vamos combinar que o dinheiro é curto e as oportunidades parecem tão curtas quanto. Mas a mesma instabilidade que existia nos períodos entre guerras e por tantos outros motivos já não é mais a realidade de hoje, e as necessidades e preocupações são outras.

O resultado disso é um mundo com mais liberdade e mais espaço para as pessoa se descobrirem e tentarem coisas novas. Ou seja, ficar com uma só carreira a vida inteira, não é mais algo tão necessário ou desejável. Com o tempo de vida mais longo, é normal que as pessoas pensem em mudar de área ou fazer coisas diferentes ao longo do tempo. Ou ainda que elas percebam que a carreira que escolheram num primeiro momento foi pensada totalmente para agradar outra pessoa que não a si mesma e isso tem um peso muito maior do que se imagina no emocional de alguém.

Defender a ideia do ‘faça o que você ama’ pode parecer altamente utópico e coisa de gente privilegiada (e é mesmo), mas é um fato que a consciência de que fazer algo que se goste minimamente é muito maior hoje do que há 50 anos. E as pessoas buscam isso como um caminho para a felicidade.

Por mais que seja difícil aplicar essa ideia para todos, em um mundo onde a desigualdade social, o racismo e o preconceito ainda determinam posições sociais, é um fato que limitar uma mulher (ou qualquer outra pessoa) a cumprir um papel só porque ela é mulher é uma visão altamente limitada e retrógrada do mundo, não é mesmo?

Foto: Reprodução / Facebook


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