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A gente acha que já viu de tudo, até um grande jornal paulistano fazer uma matéria sobre cirurgia na vulva e nos mostrar que o caminho até o fim dos padrões de beleza ainda é longo.

Se você não soube da polêmica, a gente explica: a Folha de S. Paulo publicou no seu Facebook uma matéria com o título “Mulheres superam tabu e encaram laser e cirurgia para ter ‘vulva ideal’”. Em um primeiro momento, você pode achar que essa frase não tem problema nenhum, mas ela tem uma questão enorme envolvida.

A cirurgia na vulva não é uma quebra de tabu

Pelo contrário, a cirurgia na vulva é um reforço de que esse tabu ainda existe. Na verdade, ela não mostra que as mulheres deixaram de ter medo de lidar com as próprias vaginas (vamos combinar, não tem nada errado com essa palavra, ok?), mas que mesmo em relação ao órgão genital feminino elas precisam estar de acordo com um padrão de beleza para agradar aos homens.

A matéria original fala sobre reduzir os lábios (tanto os grandes quanto os pequenos) porque as mulheres ‘sempre se incomodaram com isso’ e falam até com uma personagem, chamada Fernanda, que decidiu pela cirurgia depois que o marido comentou que ela tinha ‘uma coisa pendurada’ e isso ‘mexeu com a feminilidade dela’.

 

cirurgia na vulva

Fernanda estava bem com a sua vagina até um homem apontar uma insatisfação em relação à sua aparência e ela decidiu fazer uma cirurgia na vulva para ‘corrigir’ essa imperfeição. Não estamos (nem podemos) julgar a escolha de uma mulher, mas é óbvio que ela comprou o tabu de outra pessoa e topou alterar a própria aparência para se encaixar no que é considerado bonito.

Esse é o problema com os padrões de beleza. Falando em termos muito práticos, ninguém consegue ver a vulva de ninguém, assim, sem um motivo. Porém, as mulheres foram levadas a acreditar que agora existe um tipo de ‘vulva ideal’ e que se você não está nesse time, você está errada e os homens estão no direito de reclamar de você.

cirurgia na vulva

A vulva é parte do corpo humano e só é sexualizada do jeito que vemos por aí por um fator que é a base da visão feminina em sociedade: acredita-se que o principal papel da mulher é servir aos desejos sexuais do homem. Ou seja, segundo o imaginário masculino (e o pornô entra aí como um fator de influência muito grande) há um tipo ideal de mulher que é bonita, está sempre disponível para o sexo e tem uma vulva cheirosinha, sem pelos e naturalmente lubrificada.

Porém, na vida real, as coisas são diferentes. A região íntima feminina tem cheiros e mucosas que são importantes para a sua manutenção. Ela tem um formato perfeito para o biótipo de cada mulher e, a não ser em casos de alguma deformidade, doença ou qualquer tipo de incômodo real (ou seja, que cause dor ou machucados) não precisa ser alvo de uma cirurgia que vai corrigir um erro que só o homem vê.

cirurgia na vulva

 

Alterar uma parte da anatomia ou aparência de uma mulher só para agradar ao sexo oposto (mesmo com cosméticos ou plásticas) – e porque não fazer isso implica em passar o resto da vida sozinha – é machismo. E é surpreendente que a repórter responsável pela matéria (sim, uma mulher) tenha reproduzido esse tipo de mentalidade em um veículo de grande porte.

A boa notícia é que, nas redes sociais, os internautas não perdoaram esse tipo de conteúdo e deixaram comentários com críticas, algumas bem duras, sobre o assunto – inclusive em resposta a tantos comentários de haters e discursos de ódio que apoiavam o texto e reforçavam o quanto as mulheres são inferiores aos homens e tem a obrigação de agradá-los.

cirurgia na vulva

A questão do racismo

Uma internauta, Letícia Bahia, fez um texto no Facebook que viralizou comentando sobre o título e a matéria em si e chamou atenção para um fato importante: o texto fala sobre clareamento da vulva (aparentemente, uma vulva rosada é o ideal e é possível alterar a cor das mais escuras para chegar nesse padrão) e isso implica em racismo.

É muito simples: a partir do momento que você diz que alguém precisa mudar de cor (e tanto faz se é do rosto ou da vulva) você determina que uma cor é mais bonita que a outra, que uma é melhor do que a outra e isso gera um problema entre raças.

Na última semana, a Dove enfrentou a fúria dos internautas por divulgar uma campanha em que uma mulher negra se transformava em uma mulher branca – clareamento, entende? – e foi acusada de racismo justamente por fazer esse movimento, de dizer que uma cor é melhor do que a outra e que as mulheres negras só seriam consideradas bonitas se clareassem a pele.

O álbum Lemonade, de Beyoncé, recebeu esse nome porque é sabido que as mulheres negras usavam o suco de limão para clarear a pele e tentar chega no padrão branco. Foi uma forma de ativismo da cantora, ao fazer um álbum recheado de elementos que falam sobre feminismo e a questão dessas mulheres na história e no mundo.

A vulva de uma mulher negra pode ser mais escura do que de uma mulher branca, que não necessariamente será igual à de uma mulher oriental, por uma questão de genética e raça. Dizer que um tipo de cor é ‘o ideal’ é desmerecer as demais. É racismo, sim.

Problematizações à parte, o que queremos é que as mulheres entendam que não existe um tipo ideal de vulva assim como não existe um tipo ideal de mulher. Existem mulheres diferentes, com vulvas diferentes e uma necessidade latente de aceitação. Mas a aceitação precisa ser de si mesma e não vinda dos outros. Por isso o feminismo é importante, ele luta para que as mulheres se sintam livres o suficiente para fazerem as próprias escolhas sobre o corpo e que sejam vistas como iguais aos homens – e quando isso acontecer não existirão padrões a serem seguidos.

Foto:StockSnap / Reprodução / Facebook


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