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Claudia Leitte vira e mexe está nos trending topics das redes sociais. Seja por uma lançamento de música novo ou por alguma polêmica, ela, com certeza, sabe como se fazer o centro das atenções. A sua última entrevista, porém, nos deixou com a pulga atrás da orelha.

Em uma conversa com o portal de notícias G1, ela comentou que os gays são importantes para ela porque eles ‘são felizes’:

Eu amo o público gay e sou uma pessoa que tem necessidade de tê-los por perto, me cercando, porque eles são enérgicos, alegres, como meu público é. Então, eu não posso viver sem eles. Não posso fazer uma dissociação. Quando eu vejo a massa lá de cima, eu vejo gente feliz. E gay é feliz. Sou uma representante, e se quiserem me aceitar, sempre serei, disse ela.

O que deixou a gente encucada com essa história é que Claudia Leitte não é a primeira – e parece não ser a última – a usar a comunidade LGBTQ+ para ganhar audiência. O público gay, por natureza, é bastante engajado com os seus ídolos, vide os fãs de Lady Gaga e Katy Perry, além da própria Beyoncé, que tem uma orla de fãs gays. Porém, isso não significa que eles são diferentes dos demais fãs ou, ainda, que eles possam ser usados como ferramenta de ibope só porque são engajados.

O que Claudia Leitte disse, além de ser muito errado, reforça um estereótipo que a própria comunidade está tentando destruir. Nas últimas décadas, o tal do ‘amigo gay’ se tornou um sonho de consumo das mulheres. Aquele homem homossexual que comenta com ela sobre os crushes, dá dicas de moda e está sempre bem, animado. Ele é sempre bem-humorado e nunca vê tempo ruim – é o BFF da protagonista de comédia romântica.

Claudia Leitte e outras cantoras ignoram as necessidades da comunidade

É como se os gays fossem todos iguais e servissem a um único propósito: deixar Claudia Leitte feliz (e comprar os seus discos e ir aos seus shows). É reforçar uma ideia de que todo gay é igual, assim como acontece com as próprias mulheres. É desumanizar toda uma comunidade que tem lutado tão fortemente por direitos iguais e reconhecimento – Lady Gaga, inclusive, é altamente engajada nessa causa.

Mas a brasileira não é a primeira a usar desse recurso. Por aqui e lá fora, outros nomes da música também já deram indícios que usam a comunidade com esse intuito. É comum cantoras darem a entender de que são bissexuais, mas nunca se assumirem de verdade, para conseguirem algum tipo de conexão com esse público. Elas dizem que são como eles, mas nunca levantam a bandeira , e ficam num engajamento superficial – mais ou menos como Taylor Swift e o feminismo.

Ao contrário, existem celebridades que assumem a sua sexualidade e o seu posicionamento de verdade e usam a visibilidade para lutar em prol da comunidade LGBTQ+. É o caso de Miley Cyrus, que criou uma ONG para ajudar jovens gays e trans que são moradores de rua. É um fato que as pessoas dessa comunidade não são felizes o tempo todo, principalmente porque lidam diariamente com a homofobia e a violência, além da rejeição da sociedade (e, mutias vezes, da própria família) e a exclusão social e profissional.

É óbvio que ninguém é obrigado a virar um militante só por conta da sua orientação sexual ou identidade de gênero, mas é fácil perceber quando as pessoas usam desse artifício apenas como uma forma de conseguir audiência. É também o que acontece com a apropriação cultural na música (da qual a própria Miley fez uso, por sinal).

Outro ponto importante é que muitas pessoas ainda acreditam que a bissexualidade é só uma fase até a pessoa se assumir parte do outro time. O próprio Elton John, nos anos 80 disse que era bi antes de revelar que, na verdade, era gay.

Mas ser bissexual não é uma fase. É uma orientação como a homossexualidade ou a heterossexualidade. As pessoas bi normalmente não são levadas a sério porque o resto do mundo acredita que elas são gays e usam desse argumento para não assumirem 100% a sua orientação- talvez por medo do que os outros vão pensar ou para fazer ‘pose’ de mente aberta. E essa mania de cantoras e cantores usarem esse recurso reforça um estereótipo negativo sobre essas pessoas – cala as suas vozes em prol do dinheiro, da fama e do ibope.

O momento não é de dizer, como Claudia Leitte fez, que gosta dos gays porque eles ‘são felizes’, mas de ajudar na luta por um mundo igualitário e que não defina as pessoas por sua orientação sexual. Até agora, parece que estamos falhando nessa missão.


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