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A gente já comentou várias vezes sobre a Katy Perry aqui no Superela – principalmente sobre a tal ‘briga’ envolvendo ela e Taylor Swift, um dos exemplos mais recentes sobre como a rivalidade feminina funciona na prática. E gostaríamos de dizer que a cantora acertou em cheio em com o clipe de Swish Swish, mas não foi o caso.

O clipe de Katy Perry quis seguir uma tendência da cantora: fazer um conteúdo que seja engraçado e divertido, no melhor estilo pastelão americano. Na fórmula, ela conseguiu: o clipe meio sem pé nem cabeça tem bem o estilo dos filmes à la ‘Não é mais um besteirol americano’. Mas, falando em 2017 e no movimento de empoderamento feminino e aceitação, eu não poderia deixar passar um detalhe específico disso: o claro momento de gordofobia no clipe.

O que me chamou atenção para isso foi esse tuíte aqui:

Na hora ainda não tinha visto o clipe ainda e assisti prestando atenção para tentar entender do que estavam falando lá na outra rede: dito e feito, a cena aparece mais ou menos no começo e me deixou bem incomodada. Uma mulher gorda engole uma bola de basquete, só para ‘cuspi-la’ de volta mais para frente no clipe. Bem a vibe de besteirol americano, mas também bem gordofóbico.

É assim: você pega uma mulher gorda e faz com que ela coma muito em um filme ou clipe, reforçando que ela é gorda porque come muito e só o que ela sabe fazer, como uma pessoa gorda, é comer. Daí você vai além e coloca ela comendo coisas que não são comida (como uma bola de basquete), porque, afinal de contas, ela é muito gorda e come tudo o que vê pela frente, até o que não é de comer.

O que isso faz? Pode parecer altamente inofensivo e até ‘engraçado’, mas ela só reforçou uma ideia errada que temos sobre as pessoas gordas. A sensação é de que, quando olharmos uma pessoa gorda na rua, vamos lembrar dessa imagem – e de tantas outras – e pensar que não existe outra coisa que uma pessoa gorda faça além de comer.

E tem mais, o clipe de Katy é muito diverso – tem pessoas orientais, negras, altas, baixas, magras, gordas, novas e velhas. Mas ela criou um time diverso para fazer chacota dele mesmo e brincar com as suas diferenças. Ela usou da diversidade para fazer pouco caso dela – tudo isso com uma música que fala sobre a rivalidade que ela tem com outra mulher.

É uma receita para ser bad vibes. Nunca foi 100% confirmado que a música é mesmo sobre Taylor, mas é possível encontrar na letra uma série de referências ao Bad Blood (para falar de outra música feita sobre toda essa questão) entre as duas. Desde o começo, a música e o clipe são o contrário do que a gente defende tanto por aqui

O novo clipe de Katy Perry pode mesmo ser divertido para algumas pessoas – e eu tenho certeza que os fãs da cantora sempre ficam contentes quando ela lança um conteúdo novo. Mas eu não consigo parar de pensar em como não dá mais para aceitar esses ‘errinhos’.

Pessoas morrem por causa de gordofobia. As mulheres ficam doentes porque não conseguem alcançar um padrão de beleza e têm certeza que nunca serão felizes se forem gordas. Elas têm certeza também que as suas amigas não são amigas de verdade e que todas vão precisar dar o seu melhor para conseguir um homem no fim da história. Porque não serão felizes solteiras. Nunca.

Tudo isso é mentira. São alguns dos estereótipos e padrões que estamos lutando para dissolver, criando um mundo mais igualitário para homens e mulheres. A gente começa aceitando o próprio corpo e ensinando que uma pessoa gorda pode ser gorda se ela quiser – e ninguém tem nada a ver com isso. Ela não deixa de ser bonita só porque é gorda. E peso também não é nenhum sinônimo de saúde, como a gente já comentou outras vezes por aqui.

Eu acredito também que passou da hora de fazermos humor com essas coisas. É possível criar conteúdos engraçados e que divertem sem que a gente faça uso desses estereótipos, sem que reforce ideias que fazem mal para as pessoas. Pensar em como divertir e entreter, sem machucar outras pessoas no caminho deveria ser a norma, não é?

Imagem: Reprodução / Youtube


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