O que você procura?

As minhas amigas sempre acharam que eu era louca, mas eu tenho um carinho muito especial pelo São Paulo Fashion Week. Eu gosto muito de moda, leio muito sobre e já cobri o evento mais vezes do que consigo contar, mesmo nos meus poucos anos como jornalista. Depois de um ano e meio afastada desse meio, eu entrei na Bienal do Ibirapuera animada e empolgada com o que veria por lá, mas com uma missão um pouco diferente.

O meu objetivo não era cobrir os desfiles, mas entender o que se passava ali dentro e perceber como eu me encaixava ali, sendo representante do Superela. O que me veio à cabeça tem tudo a ver com autoestima, um tema sobre o qual eu escrevo muito por aqui: o que senti ao entrar no prédio da Bienal e ver todas aquelas pessoas que frequentam um evento desse porte?

A resposta é: inadequação. Eu me senti inadequada. E foi um susto, apesar de não ser surpresa. Mas prestar atenção no que eu sinto me mostrou uma infinidade de coisas que a gente pensa toda vez que acredita que a nossa aparência é mais importante do que a gente é de verdade.

spfw

1.Eu achei a minha roupa horrorosa

E, confesso, estava usando um vestido novo que eu amei comprar e uma roupa que eu sentia que me representava 100%. Me vesti como me visto todos os dias, coloquei um tênis confortável porque ninguém merece pegar dois ônibus de salto (e eu nem tenho um salto para usar) e a minha jaqueta preferida. Ainda assim, meu primeiro movimento foi de me comparar com as outras pessoas e achar que eu estava malvestida.

2.Eu me senti feia

Quando você está cercada de modelos brancas, loiras e magras, é o mínimo que você vai sentir, eu acho, porque esse é o padrão de beleza vigente. E isso porque eu sou branca e magra (tenho quadrilzão e bunda, mas não deixo de ser magra). Mas é muito louco como eu não me vi representada por tantas pessoas que estavam ali que eram semelhantes a mim porque elas estavam mais bem-vestidas e bonitas, segundo o que eu acredito ser beleza. Era muita capa de revista pro meu look de dia a dia, sabe?

3.Eu pensei que deveria ter me maquiado mais

SPFW é um evento de muitos: muitos looks, muitas marcas, muita gente… Muita maquiagem também. E era cada maquiagem impecável que o meu combo de blush + delineador pareceu irrelevante em comparação.

4.Eu me comparei MUITO

A cada esquina, uma comparação diferente. Essa roupa é mais bonita que a minha, essa bolsa é mais cara que a minha, esse cabelo é melhor que o meu, essa pessoa é mais popular que eu… E assim vai.

5.Em resumo: me senti pequena

É tanta gente importante passando por ali, tanta celebridade, estilista, produtor, músico, que eu me senti pequenininha ali no meio, com o meu bloquinho de anotações e as minhas ideias de pauta.

Mas… (e ainda bem que tem um mas)

Foi um baita exercício para lembrar de um detalhe: ali dentro, ali fora, em todos os lugares, todo mundo quer se sentir aceito e amado. A diferença entre aquelas pessoas do SPFW e eu é que elas se vestem de um jeito diferente, algumas vezes na semana, para participar de um evento. Elas pensam nos looks, elas imaginam as fotos, elas planejam tudo nos mínimos detalhes, porque isso é importante para elas.

Para mim, isso já foi muito importante. Hoje não mais. Eu fui para o SPFW como me vestiria normalmente, com roupas que eu amo, uma maquiagem simples e que é a minha marca registrada e, principalmente, prezando pelo conforto – estar confortável é sempre o mais importante para mim – porque eu precisava entender isso. Estilo tem tudo a ver com usar as roupas para mostrar quem a gente é e não para provar que é melhor ou pior que outra pessoa. É uma forma de expressão como qualquer outra.

A gente tem uma mania maluca de se comparar a cada cinco segundos e esquece que a outra pessoa (com quem a gente se compara), faz exatamente a mesma coisa. Todo mundo se diminui porque acha que a outra pessoa é mais bonita, mais magra, mais alta.

Aliás, toda essa comparação começa porque a gente vive segundo um padrão de beleza que diz exatamente isso: toda mulher precisa ser magra, alta, loira e muito bem vestida e produzida para ser bonita. Se sair sem maquiagem: errado. Se sair com roupa de ficar em casa: errado também. Se não se depilar: meu Deus, isso é muito errado. O trabalho que a gente tem que fazer, então, é de autoaceitação.

Como observadora, eu olhei para todas essas coisas horríveis que senti no SPFW e fiz uma anotação mental de que nada disso representa quem eu sou de verdade. A minha aparência estava ótima, a minha roupa estava super legal e eu cumpri a minha função lá. Se não posei para os fotógrafos de street style ou se não fui tietada pelo pessoal da moda, tudo bem. O objetivo não é isso e o glamour todo, eu sei, é só fachada. Todo mundo ali trabalha duro, todo mundo está em busca da felicidade e as roupas que a gente usa são só um detalhe minúsculo perto de quem a gente é mesmo, sabe?

Imagem: Carina Caldas


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