O que você procura?

Com a discussão cada vez mais aberta a respeito de doenças mentais como depressão e ansiedade, podemos acreditar que falar em terapia já não é mais um tabu. Na prática, não é bem assim que a coisa toda funciona – na verdade, as pessoas ainda são muito relutantes em buscar ajuda profissional para cuidar dos problemas da mente.

A gente decidiu quebrar o preconceito sobre a terapia jogando na roda tudo o que os pacientes têm medo e dificuldade em falar entre quatro paredes. Com a ajuda da nossa psicóloga e colunista Camila Reis, conversamos sobre o que as pessoas mais têm medo de comentar durante as sessões e como reverter essas ideias.

“No geral, as pessoas têm medo do que é novo, incerto. Por si só, ir até um novo profissional que você não tem noção do que vai acontecer é desconfortável. Além disso, as pessoas sabem e entendem que na terapia elas vão falar daquilo que mais as incomoda, as angustia, os medos, inseguranças. E muita gente acredita que expor isso é se mostrar frágil”, diz Camila. Ou seja: o medo de ficar exposto, de ser julgado pelo terapeuta e de mostrar o quanto se sentem culpadas de verdade são algumas das barreiras que as pessoas colocam à terapia.

Mas o objetivo desse tratamento mental é o contrário, é tirar esse fardo das costas e ensinar uma forma de lidar com os sentimentos sem que eles sejam reprimidos e causem danos além dos mentais (pense em doenças físicas que são de origem emocional, como enxaquecas, gastrite, etc.).

8 coisas que as pessoas têm medo de falar na terapia

1.Eu sinto raiva de alguém ou de alguma situação

De brincadeira, na leveza, todo mundo já soltou ‘ai, eu odeio isso’ ou um ‘ai, que raiva’. Mas falar sério, de verdade, que sente raiva profunda de alguém ou de alguma coisa é algo que as pessoas não bancam. Elas têm medo de mostrar o quanto desgostam de alguma coisa de verdade.

2.Eu sinto inveja das pessoas próximas a mim

Apesar do mito de que existe uma ‘inveja boa’, assumir que você inveja alguém, uma amiga próxima ou até alguém da sua família, é pesado. São poucas as pessoas que conseguem falar sobre isso sem sentirem que são horríveis.

3.Eu tenho medo de morrer

A morte é uma das poucas certezas que o ser humano tem, e lidar com ela é algo muito assustador. Por mais que falar sobre morte não seja algo tão tabu assim, alguém assumir que sente um medo genuíno de morrer é mais complicado – e isso pode ditar comportamentos e a forma como essa pessoa encara a vida.

4.Eu temo não ser amada por ninguém

Você já achou que vai morrer sozinha? Sem um amor para chamar de seu? Pois bem, esse é um medo que a maioria das pessoas compartilha, o de não se sentir amada ao longo da vida.

5.Eu tenho medo de não conseguir o que eu quero

Lembra quando a gente falou sobre o medo de chegar nos 30 anos sem ter a vida encaminhada e alguns sonhos realizados? É mais ou menos isso.

6.Eu sinto medo de machucar alguém

Mas machucar no sentido real, de ser violenta, agressiva fisicamente com alguém – e dos pensamentos que te levam a perceber isso, como pensamentos odiosos e uma raiva que você sente que não consegue controlar.

7.Eu sinto atração por alguém que não deveria

Pode ser um homem casado, alguém do mesmo sexo, um familiar… Pessoas por quem você considera errado sentir atração.

8.Eu penso em acabar com a minha própria vida

A gente já comentou muito sobre o suicídio por aqui e esse é um assunto sobre o qual as pessoas têm muita dificuldade de conversar a respeito. Elas sentem que é errado pensar em matar a si mesma e que isso as transforma em pessoas ruins.

Como reverter essas ideias com terapia

O objetivo da terapia é fazer com que você olhe sem medo para o que pensa e sente e tenha uma orientação direta sobre como encarar cada uma dessas sensações. Por isso, é importante que você se sinta confortável com o profissional: “Como em toda profissão, os profissionais são diferentes e a primeira coisa que a pessoa precisa considerar quando ela vai a uma primeira consulta com uma psicóloga é se ela se sente confortável com aquela profissional e se sente confiança”, diz Camila.

A partir disso, o trabalho do terapeuta é perguntar e ajudar você a refletir sobre as questões que traz para a sessão. “É importante explicar que todos nós vamos sentir sentimentos ‘negativos’ e eles são normais, assim como os ‘positivos’. Então, aí começa mais um trabalho de aceitação e ação. O que ela pode fazer com o que ela sente, pensa, fez..”, explica a psicóloga. O primeiro estímulo é sempre o do autoconhecimento: o profissional vai incentivar você a olhar para si mesma e tentar entender de onde surgem os pensamentos e sensações que você tem.

No caso de doenças como a síndrome do pânico e a depressão, existem estratégias específicas de tratamento, mas todas são pautadas no autoconhecimento e na importância de olhar primeiro para o que você sente sem medo do que pode encontrar ali.

Ainda não estou pronta para a terapia, e agora?

Se você acha que não está pronta para encarar a terapia, Camila diz que o primeiro passo precisa ser buscar a consciência sobre o que se sente e pensa. Você pode começar respondendo as seguintes perguntas:

  1. Por que estou sentindo isso?
  2. Quando eu sinto isso, o que eu faço? (ou quais são os meus comportamentos?)
  3. Quando eu sinto isso, quais os meus pensamentos?
  4. Pensando isso e fazendo isso, quais as consequências? (como isso repercute no meu mundo?)

Se abrir com pessoas próximas também faz parte desse processo, mas o principal é aprender a se olhar com mais compaixão: “E buscar pegar mais leve consigo mesma, ter mais autocompaixão. Às vezes, a gente é tão compreensivo com os outros e tem dificuldade de aceitar que vamos errar, vamos sentir angustias, nos sentiremos fracos em alguns momentos, mas que isso tudo pode vir para nós fortalecer ainda mais”.

Imagem: Pinterest


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