Eduardo Rocha

Sou marujo nascido do mar que morre de medo de se afogar em amores rasos. Navego pra onde aponta meu coração, essa bussola cega que age como bem entender. Até o momento não tenho do que reclamar, a viagem tem sido incrível. Meu barco é espelho do meu coração: repleto de remendos. São cicatrizes que não me deixam esquecer as tempestades que enfrentei; dos insuportáveis momentos à deriva; de quando estive prestes a naufragar. Marcas que, aliado a dor, trouxeram grande aprendizado. Sigo desbravando os sete mares com intuito de encontrar um porto para enfim atracar. Por enquanto vou sacolejando mais do que folião descendo as ladeiras de Olinda. Como todo bom marujo, em meu peito há um mar, e decretei a seguinte lei: mal nenhum ancora e amor algum naufraga. Acredito que navegar é amar. Então navego. Amo.