Ricardo Coiro

Não estou aqui para substituir o seu psicólogo e, muito menos, para ser a sua dose de calmante. Nada disso! Aqui, no Superela, a quem quiser ouvir uma opinião sincera, direi o que eu realmente penso – mesmo que soe como um tapa bem no meio da consciência. Não importa o tema: não ficarei cheio de dedos e falarei aquilo que, muitas vezes, pelo potencial de chocar e pelo demasiado realismo, não será dito por ninguém – nem pelo seu melhor amigo, pelo seu cabelereiro, pelo seu amante e pelo seu guru espiritual.Não estudei o comportamento humano em Harvard. Não sou mestre dos magos em “amorologia”. Porém, graças ao meu ofício de cronista do cotidiano, passo os meus dias, todos eles, a observar as sutilezas mais encantadoras presentes nas relações humanas. Ando por aí, pelas ruas da vida, atento ao amor que, de tão singelo e misturado à rotina, é difícil de ser explicado até pelo Freud. Apesar de lê-los, aos montes, para ajudar você, não me basearei apenas nos livros, pois o amor vai muito além das páginas cheias de palavras e das ciências que geralmente são cuspidas nelas. O amor está presente em cada esquina e em cada retrato vivo que guardei em minha memória. Eu escrevo para provocar o leitor e para mostrar, através de personagens fictícios e de mundos inventados, aquilo que ele carrega, apesar de negar ou de não saber. Aqui não será diferente: não pouparei, para o bem de quem conversar comigo, a vontade que sinto de expor os venenos e loucuras que todos nós (da santa à puta) carregamos.Não acredito em fórmulas prontas e em mandingas para resolver os problemas do coração. Cada caso será um caso e, em cada um deles, buscarei uma clareira e uma forma de salvar alguém da perigosa zona de comodismo. Porém, uma coisa será sempre igual: em nenhum dos casos eu optarei por carícias desnecessárias – deixarei tal função para seus companheiros de cafuné e aos massagistas profissionais. Qual será o tom? Sentaremos em uma mesa de boteco imaginária, sem frescuras, trajes de gala ou necessidade de poses fingidas e, apesar da ausência da cerveja e das fritas, conversaremos francamente – sem julgamentos morais e desprovidos do vínculo sentimental que, em geral, acovarda o realismo necessário para que a verdade saia.