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Eu nunca combinei muito bem com dietas. Não que eu não tenha feito várias delas. Na verdade, por muito tempo fui à nutricionistas tentar aprender a comer melhor e até controlar um pouco a minha alimentação compulsiva. Mas nunca pensei que ficaria bem sem comer doces. Isso, pra mim, deveria ser um dos 10 mandamentos: não matarás, não cobiçaras a mulher do próximo e não passarás um dia que seja sem chocolate.

Eu também nunca fui gorda, nem magérrima. Sempre me achei ‘na média’. O quadril largo é herança de família, a pele boa também. Eu tenho alguns problemas com o cabelo e uma aversão à legumes e frutas, mas fora isso, nunca vi muita necessidade em cuidar da minha dieta que não fosse puramente estética.

Euzinha, em dias normais – ‘Eu vou comer doce para o jantar!’

Mas, de uns tempos para cá, eu comecei a sentir coisas estranhas. Não é que eu tinha sintomas horríveis, mas parecia que o meu corpo não estava recebendo tudo o que ele precisava. Faltava alguma coisa e eu comecei a ficar muito enjoada de tudo o que comia. Mesmo ficar sem comer doce pareceu exagero – mas a minha TPM, ao contrário, foi totalmente impiedosa e me trouxe uma vontade incontrolável de comer latas de leite condensado puras a qualquer momento do dia.

Pode ser a chegada dos 30. Pode ser maturidade e mais um monte de coisas. Mas eu percebi que o meu corpo estava precisando de mudanças para ficar bem – e eu preciso que ele fique bem, sempre. Meu corpo é a minha ferramenta mais preciosa de trabalho. Sem ele, eu não consigo cumprir a minha missão no mundo, e eu não sei quando, exatamente, eu vou chegar no fim dessa jornada. Então, sim, o meu corpo precisa durar bem até lá.

Daí que eu fui no nutricionista. Tudo certo, meus exames estão em ordem. Ele me disse que eu tenho muita gordura no corpo e que preciso trocar isso com massa magra. O fato de eu treinar três vezes na semana ajuda. Mas eu preciso mudar essa retenção de líquidos e lidar com essa gordura. Preciso comer mais legumes e verduras e aprender a jantar. Não preciso fazer nada extremo. Toma um monte de vitaminas também para ajudar com o que precisa. Tudo certo? Volta daqui um mês.

Só  observo essas recomendações todas

Agora a bola estava na minha mão e eu tinha duas opções: ou ignorar tudo o que o médico me falou e tentar fazer as coisas do meu jeito, ou então seguir à risca o que ele passou e fazer a tal dieta detox de um mês e esperar os resultados. Ficar sem comer doce pareceu uma tragédia, num primeiro momento, mas a minha animação em cuidar de mim era tanta que isso ficou meio esquecido.

O que é ficar sem comer doces para quem se atacou com comida a vida inteira?

Eu já sabia que tinha uma compulsão por comida (principalmente por carboidratos – quem não ama pão quentinho cheio de manteiga?), e que a coisa ficava muito pesada quando eu estava ansiosa ou estressada. Eu comia sem prestar atenção, comia muito mais do que devia, ficava tantas outras horas em jejum só pra me empanturrar de novo. O nome disso é ataque.

E o meu corpo sentia, claro. Crises de enxaqueca. De sinusite. Falta de energia, sono durante o dia, garganta seca… A lista de sintomas é infinita. Muito do que eu achava que era cansaço, na verdade, era o meu corpo dizendo que eu não estava comendo o que precisava para ficar bem, para usar a minha ferramenta direito.

Achava um jeito de comer doce até quando não dava. Bem Lexie Grey mesmo.

Então, lá fui eu. Comecei pelo açúcar, que sumiu dos meus dias. Depois foram os carboidratos brancos, pães e massas. No máximo, um arroz ou macarrão integral. Uma tapioca antes dos treinos. Eu virei o tipo de pessoa que toma proteína depois de se exercitar. E que pesa a comida também. Agora eu uso uma balança para pesar se estou comendo as medidas certas das coisas certas. Eu. Que um dia jurou que nunca ia deixar de devorar um pacote de Fandangos enquanto fazia maratona de série trash no computador.

Agora eu peso a comida. Tomo um litro de chá de hibisco todos os dias e completo o que falta da cota do dia com água. Como legumes, como dois ovos no café da manhã e iogurte desnatado com aveia a noite (dica: os light com sabor são mais gostosos e tem o mesmo efeito). Tenho alarmes no celular para comer na hora certa e não pulo nenhuma refeição. AH! Eu falei do mamão? Eu odiava mamão. O-D-I-A-V-A. Mas agora como metade de um todo dia com canela. É bom demais e eu fiquei apaixonada por essa combinação.

Eu sei, olhando a descrição assim parece que é extremo. Talvez seja, levando em consideração o que eu comia antes e como eu comia. Mas, com essa experiência toda, eu percebi algumas coisinhas:

  1. Eu parei de sentir sono durante o dia – ‘milagrosamente’
  2. Eu estou dormindo muito melhor, apesar de ter dificuldade nos primeiros dias
  3. Eu tive muita dor de cabeça uns 3 dias depois – me explicaram que é o meu corpo desintoxicando por causa da falta de carboidrato
  4. Eu percebi que a fome que eu sentia não era fome, mas vontade de comer (e que a diferença entre os dois tem um nome: ANSIEDADE E ESTRESSE)

E o mais importante:

  1. Não. Senti. Vontade. De. Doce. Nem. Uma. Vez.

Para quem não vivia sem um bombom depois do almoço ‘um docinho’ no fim do dia, não sentir vontade de doce foi a maior recompensa desse tempo. Minha mente desanuviou e eu consegui viver essas duas semanas e meia de dieta sem pensar nisso tanto quanto eu pensava antes.

Claro, eu não sou de extremismos: se no fim de semana alguém me convidar para comer um bolo, eu vou de bom grado e como um pedaço. Se me levarem numa padaria maravilhosa, eu vou comer meu pãozinho com manteiga. Mas é legal demais passar 90% comendo o que me faz bem para aproveitar de tudo: os momentos pé na jaca e os que eu ‘preciso tomar meio litro de chá de hibisco antes do dia acabar e já são 21h da noite’ sem sentir culpa. E, sim, sabendo que eu estou cuidando bem de mim e me tratando com um carinho que eu nunca tive antes.

Imagem: Reprodução/Harry Potter e a Pedra Filosofal


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