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Ainda somos os mesmos e vivemos, como os nossos pais“.

Como Nossos Pais

A letra de Belchior imortalizada na poderosa voz de Elis Regina não é só o título do filme, mas ecoa sutilmente por toda a trama e subtramas desta obra humana da diretora Laís Bodanzky. A cineasta, desde o seu primeiro longa de ficção, Bicho de Sete Cabeças, trata o tema das relações em família e sociedade, remontando com sucesso este terreno perigoso em Chega de Saudade e As Melhores Coisas do Mundo.

Esta trajetória culmina no drama maduro Como Nossos Pais

Ele retrata as diversas dificuldades do convívio social, com foco na família, e discute o papel da mulher na contemporaneidade, que se equilibra entre esses dois mundos, acumulando múltiplas funções. Este acúmulo de funções é o que sufoca a personagem Rosa, vivida por Maria Ribeiro, que entrega uma atuação honesta e cheia de angústia.

Acompanhamos a rotina de Rosa a partir de um “inofensivo” almoço em família, que não por acaso está presente de modo irônico em um dos pôsteres de divulgação do filme. Antes de continuar a comentar sobre o filme, preciso contar a minha experiência com este pôster.

Como Nossos Pais

Certo dia estava esperando para assistir a sessão de Mulher Maravilha quando fui abordada para participar de uma pesquisa para votar em um pôster de filme a partir da exibição de seu trailer. Curiosa como sou, claro que fui e quando o trailer começou, reconheci Maria Ribeiro e lembrei que havia lido que a atriz trabalharia no próximo longa-metragem de Laís Bodanzky. O filme em questão era Como nossos pais, que desde o trailer se apresenta como um daqueles dramas densos em que os ditos e não ditos causam desconforto e mexem com a vida de seus personagens.

O momento da escolha

Por este tom dramático, votei no pôster mais claro em que a personagem Rosa (Maria Ribeiro) está em destaque, já que seu drama seria o fio condutor desta história de convívio em família e em sociedade, discutindo especificamente o papel da mulher na contemporaneidade. O outro pôster também tinha Maria Ribeiro em destaque, porém era muito vermelho, passando para mim uma impressão de que a personagem estava somente com raiva e não vivendo um turbilhão de sentimentos ao mesmo tempo. Ignorei completamente o pôster em que havia uma foto de toda a família, bem organizada, em que Rosa exibe um lindo sorriso, passando uma imagem de tranquilidade, podendo enganar o espectador desavisado que procurasse um filme familiar para se divertir.

Como Nossos Pais

Este pôster foi justamente o escolhido para divulgar o filme nos cinemas aqui em São Paulo, e a primeira vez que me deparei com esta família feliz em grande escala ri sozinha. Essa estratégia dialoga a meu ver com a proposta do próprio filme e com o estilo da diretora e co-roteirista.  A obra de Laís Bodanzky conta com uma fotografia que busca pela luz natural, diálogos afiados e planos que favorecem a interação entre os personagens e os ambientes em que vivem, com destaque sempre à protagonista. Seus filmes são compostos de sutileza, fazendo com que o espectador complete as entrelinhas, criando uma experiência singular. Este pôster da família feliz representa essas entrelinhas.

O que há por trás desta foto tão bonita? Quais são os conflitos? Onde acaba a perfeição?

Como Nossos Pais

Todas essas perguntas circundam a figura central de Rosa, uma mulher que trabalha, cuida dos filhos e da casa enquanto o marido faz um trabalho praticamente voluntário.

Logo na primeira cena de Como Nossos Pais, encontramos a “família feliz”, porém demoramos propositalmente a ver todos enquadrados juntos, e conhecemos aos poucos seus anseios por meio de diálogos desconcertantes.

Nesta cena inicial, nos deparamos com informações que já estavam no trailer, como a relação conturbada de Rosa e sua mãe, o machismo velado dos personagens masculinos e de algumas personagens femininas, que vangloriam as conquistas dos homens e ignoram os feitos das mulheres que “não fazem mais do que a obrigação”. A própria Rosa tem uma imagem de seu pai que é praticamente fantasiosa, com direito a flashbacks em tons quentes dos momentos da infância com esse pai idealizado.

E é neste momento cheio de conflitos, no almoço de domingo, que a mãe de Rosa lhe faz uma revelação que moverá a protagonista a embarcar em uma jornada para conhecer e encontrar ela mesma: como alguém que não quer ser uma supermulher que dá conta de tudo. A diretora nos conduz por este caminho e, em muitas partes do filme, temos planos detalhes em objetos simbólicos, como um certo tênis azul, uma panela de pressão, uma leiteira e planos com diálogos que focam apenas na protagonista.

Como Nossos Pais

Não deixe de conferir esta obra sensível e premiada do cinema nacional e se emocione com os conflitos de Rosa, que são os mesmos de tantas mulheres por esse Brasil imenso que estão cansadas de serem supermulheres.

P.S.: Atenção especial para um livro diferenciado sobre princesas que aparece em uma cena do filme.

Imagem: Reprodução/Como Nossos Pais


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