O que você procura?

Parecia um domingo qualquer, desses que começam com uma ressaca brutal e terminam com algum “vale-deprê” na TV. Em minha geladeira, como sempre, havia pouco, e nada que pudesse ser encarado como café da manhã. Nem pizza remanescente de outros carnavais. Para ser bem honesta, a única coisa comestível e dentro do prazo de validade que existia dentro de casa era um bem-casado envolto por um laçarote lilás; lembrança de mais um casório repleto de clichês, pieguices e engravatados soltando a franga ao som de I Will Survive.

Meu estômago roncava ininterruptamente, clamava por carboidratos amanteigados e outras gostosuras que o meu cardiologista me mandou evitar. A vontade de comer, de tão grande, superava até mesmo o desejo de permanecer trançada ao edredom macio e afagada por um raio de sol que incidia sobre uma parte exposta de minhas coxas, levemente arrepiadas pela brisa matutina que não dava sossego às cortinas.

Então tomei uma atitude: fugi do acolhedor abraço da cama, joguei água gelada no rosto, escovei bem os dentes, mergulhei no primeiro vestido florido que me sorriu e parti rumo à padaria, onde me esbaldo em dias com toda a pompa de que não darão em nada além de nada. No entanto, um pouco antes de deixar meu prédio, dei de cara com o primeiro indício de que aquele, definitivamente, não seria um domingo ordinário: entre os envelopes que recebi do seu Cícero, meu porteiro, além das sempre assustadoras contas e de um cartão de crédito que apareceu sem ser convidado, havia também uma carta do Mathias, chileno de pais brasileiros que conheci no “osgásmico” verão de dois mil e treze, período que passei estudando espanhol – y otras cositas más calientes – em Santiago.

Agora você está curiosa para saber como é o Mathias, não está?

Ele é um cara bagunçado na medida exata para atordoar até mesmo as moças mais certinhas, um tipo naturalmente encantador que provoca tesão mesmo quando não está empenhado nisso; nas vezes em que está jogando videogame e mordendo os lábios, por exemplo, nervoso porque não consegue passar de fase ou fazer um gol. Graças aos quatro dias que passei literalmente colada a ele, em Valparaíso (uma cidade costeira bem próxima à capital do Chile), sem medo de mentir ou exagerar eu posso afirmar: o Mathias não se esforça nem um pouco para ostentar o ar largado e irresistível de rock star inglês. Nasceu no ponto, simplesmente. Pronto para deixar qualquer mulher a fim de remarcar a passagem de volta, a manicure, a ida à academia, tudo.

Para me deixar rapidamente molhada e me convencer a desistir dos passeios turísticos que eu havia programado antes mesmo de deixar o Brasil, o Mathias só precisava morder minha nuca uma vez; ou segurar firme em meu rabo de cavalo e me mandar ajoelhar; ou confessar em meu ouvido a vontade que tinha de me comer. Ou… Certa vez, quando eu já estava maquiada e à espera do elevador, com um português carregado de sotaque ele me disse: “Não vamos mais ao Pátio Belavista, guapa. Não agora e antes de você gozar para mim, bem gostoso!”. Eu fiquei, lógico. Depois daquele pedido, confesso: teria faltado até ao aniversário da minha mãe. Fiquei e, conforme o prometido, gozei maravilhosamente; no hall do elevador mesmo, impulsionada pela forma carinhosa como ele abraçava meus mamilos com os lábios úmidos e pelas sujas verdades que ele esfregava em mim enquanto me invadia, repetidas vezes, com o dedo anelar lambuzado daquilo que eu não conseguia nem fazia mais questão de esconder. Gozei sentindo que o vizinho do lado me observada pelo olho mágico, entrei em “modo terremoto” mordendo meu antebraço enquanto ele me chamava de “delícia” com um jeitinho só dele, que me deixa bamba apenas de lembrar.

Mas vamos voltar à carta recebida, pode ser? Antes que…

Apesar da enorme ansiedade para saber o que ele havia escrito, eu abri o envelope negro só depois que voltei da padaria, já adequadamente vestida – ou despida – para a ocasião. Por quê? Porque eu queria degustar cada palavra do Mathias, tim-tim por tim-tim, da mesmíssima e delirante forma que ele fazia quando percorria, sem pressa de chegar às minhas partes mais íntimas, o relevo do meu corpo; do jeitinho enlouquecedor que tirava a minha calcinha, sem desprender o olhar faminto do meu olhar de “sou sua para o que quiser”, fazendo com que o atrito entre a renda e as minhas pernas durasse quase uma eternidade, e que eu sentisse vontade de estremecer antes mesmo que a lingerie chegasse ao dedão do pé, coisa que só me parecia possível em filmes. E nem neles, se quer saber.

Coloquei um bom disco do Orishas (eles são cubanos, tô sabendo, mas o Mathias adorava, cantava todas as letras) para rodopiar na vitrola e comecei a leitura:

“Guapa,

Na semana passada eu voltei ao pub onde nos conhecemos e, coincidentemente, colocaram-me na mesma mesa em que você me endureceu pela primeira vez, arranhando minha coxa com suas unhas vermelhas e repetindo que estava louca para fugir dali, ‘imediatamente’, para qualquer lugar onde pudéssemos matar aquele desejo incontrolável que sentíamos de nos misturar, da mais íntima e justa maneira.

E, desde aquele dia, estou com uma vontade de você que não passa por nada neste universo.

Em meus banhos, em todos eles, tenho reconstituído as nossas transas enquanto faço a palma da mão deslizar em meu pau duro e ensaboado, como você adorava admirar tocando-se sentada sobre a borda da banheira; mirando-me, fixamente, e pedindo – sem precisar pedir auxílio às palavras – que eu gozasse junto a você. Ou sobre seus seios. Ou… Você sabe!

Deixo a ducha forte (aquela que você amava, lembra?) bater em minhas costas e começo a me lembrar de algumas das tantas memórias inesquecíveis que construímos juntos no verão mais quente e úmido que já rolou em Santiago; como a vez em que você, depois de uma longa e insinuante lambida na colher suja de petit gateau, me disse que queria ser comida, de quatro e com força, no banheiro do restaurante chique em que estávamos. Como eu poderia me esquecer do momento em que levantei seu vestidinho preto e fui surpreendido pelo esquecimento proposital da sua calcinha? Hein?

Não imagina como fico louco quando me recordo das vezes em que eu era obrigado a tapar sua boca com a palma da mão para que o cinema todo não ouvisse você suspirar, ofegar, gemer e me pedir para parar ‘só um pouquinho, por favor!’. Não via a hora de as luzes se apagarem para, com meu dedo do meio, começar a pressionar a calcinha contra sua bocetinha já melada, fazendo movimentos circulares que antes mesmo do final do trailer deixavam você sem controle e explodindo de vontade de abrir o zíper da minha calça, independente do risco de ser flagrada com meu pau na mão. Ou na boca. Ou dentro de você, como aconteceu naquela vez em que a sala estava vazia o suficiente para que passasse metade do filme rebolando em mim com as mãos apoiadas nos braços da poltrona. Lembra?

Sinceramente, é muito difícil dizer qual das nossas trepadas me enlouqueceu mais. Fodemos tanto, né? Fodemos em todo canto e sem ligar para nada além do nosso vai e vem, do meu eu dentro do seu, dos seus pedidos masturbando meus fetiches e das minhas ordens tocando os mais sensíveis pontos de suas taras.

Nus e sem qualquer pudor, ouvimos apenas a nossa moral – a única que realmente importa. Não fizemos ‘sacanagens’ ou qualquer ato que possa receber um título tão inadequado. Também não demos gritos teatrais ou pela metade. Não! Encontramos uma forma perfeita de fundir nossos anseios mais simples e urgentes, e conseguimos transformá-los em prazer real, do tipo que, ao que tudo indica (espero estar sendo pessimista), nada mais será capaz de nos proporcionar. Ou você conhece alguma maneira de chegar a algo parecido com o êxtase que sentíamos quando nos roçávamos, esfregando nossas carnes, faiscando, até tudo terminar numa erupção indescritível de sentidos? Turbilhão de sensações que não conseguiria descrever aqui, nesta carta, que além de ter nascido com o objetivo de agradecer pelo que tivemos, tem uma função ainda mais importante: avisá-la de que estou no Brasil, em um hotel pertinho de você. Aliás…

Logo mais, às oito horas em ponto, tocarei sua campainha levando muita vontade de bater em sua bunda e um estoque de pedidos que, quando entrarem em seu ouvido, certamente farão com que você perca o controle de tudo. O que acha? Levarei duas garrafas do vinho chileno que você mais gostou e um desejo sem fim de beber todo o seu tesão.

Até logo.”

Texto do livro Entre o Soco e o Sopro, que pode ser comprado AQUI!

Imagem: Hoffer Photography

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