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Caiu na minha mão essa semana um texto muito legal da blogueira Mari Rodrigues (você pode ler clicando aqui) falando sobre o uso do fat suit – quando atores magros vestem uma roupa que simula o corpo de alguém gordo. Achei a discussão tão relevante, que senti que deveríamos trazê-la também para o Superela.

Eu não sou gorda – nunca fui – e sempre tive questões com o meu corpo, um típico corpo de brasileira, com cinturinha e quadrilzão. Nunca vesti menos do que um tamanho 42 e comprar calças era complicado, porque ficavam bem no quadril, mas sobravam muito na cintura (amém pelas calças de cintura alta). Por um lado, sim, eu entendo o que não é ser representada pelos padrões de beleza, por outro, eu não posso falar que sei exatamente como uma pessoa gorda se sente, porque isso seria mentira.

Voltando à discussão levantada pela Mari: eu sempre achei estranho o fato de atores magros usarem roupas de gordo para papéis no cinema. Sei que a fama trouxe uma liberdade criativa para muitas dessas pessoas em nome da comédia (vide Eddie Murphy, que fez um filme inteiro interpretando personagens diferentes, todos gordos, quando ele próprio é magérrimo) – chegando até a extremos que, vistos hoje, são exemplos altamente machistas (estou falando de John Travolta vestido como uma mulher gorda em Hairspray).

hairspray mulheres gordas

O ponto todo é: até quando vamos voltar aos padrões impostos para representar pessoas que não estão nesse padrão? É como usar uma mulher branca para fazer o papel de uma guerreira asiática no cinema ou de um homem branco como um indígena. É tanto black face, yellow face e red face que fica difícil de acompanhar.

Mas não é difícil pensar que Hollywood (e as novelas também, quem lembra de Vera Holtz com a roupa de Dona Redonda em Saramandaia?) pode muito bem abrir o seu leque de atores para buscar pessoas gordas, indígenas, asiáticas e negras que podem interpretar os papéis que eles tanto querem. E, mais do que é isso, é possível também imaginar que essas pessoas podem viver outros papéis que não apenas o de pessoas gordas, indígenas e negras.

É uma questão de representatividade vs. quebra de estereótipos

Podemos dizer que o mundo ideal é aquele sem rótulos, em que as pessoas podem ser quem são sem o peso de um rótulo sobre as suas cabeças. ‘Gorda’, ‘magra’, ‘negra’, ‘indígena’, ‘asiática’. O ‘branco’ não entra nessa lista, porque todos esse estereótipos foram criados com base em uma cultura que vê a pessoa branca como superior às demais.

O movimento que o mundo precisa fazer agora é um de inclusão. É uma mudança de visão, em que a gente deixa de olhar apenas para o que conhece e o que acha que conhece e dá espaço para quem teve a voz calada por tanto tempo.

Uma atriz magra usar um fat suit para representar uma pessoa gorda não é representatividade, é uma reprodução da mentalidade gordofóbica, já que a mídia já mostrou, de novo e de novo, que tem muitos problemas em colocar pessoas fora do padrão nas suas capas, campanhas e publicidades. Querendo ou não essas representações ainda são minoria e a ideia é que elas sejam a norma.

Então, além de abrir esse leque para pessoas que são o que esses papéis querem representar (vamos, lá, Hollywood, você jura que não consegue encontrar uma mulher gorda incrível para fazer o papel da mãe de Tracy?) precisamos para de usar as características físicas de alguém para reproduzir um estereótipo que as limita e não dá espaço para que elas explorem outras temáticas e mostrem que têm dificuldades como todas as outras.

No cinema, a pessoa gorda é aquela engraçada, leve, é o alívio cômico da trama. Em This Is Us, Chrissy Metz nos mostra um pouco mais de profundidade de discurso ao viver Kate, uma mulher que briga com o seu peso a vida inteira. Porém, ainda é focado na sua aparência. E o seu par romântico, Chris Sullivan, é um homem grande que usa um fat suit. Ou seja, são dois lados da moeda.

A meta, então, precisa ser que todas as pessoas se sintam livres o suficiente para serem quem são sem medo de serem definidas por um traço da sua aparência ou herança cultural. Mas, para isso, a gente precisa começar a contratar mulheres gordas, negras, asiáticas, e dar espaço e oportunidades para essas pessoas contarem suas histórias e provarem por a + b que somos todos iguais na busca pela felicidade.

Foto: Reprodução / Saramandaia


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