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Não existe Merthiolate para coração partido

Gyl Rangel

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A gente cresce e descobre que não existe mertiolate para coração partido. Crescemos e substituímos os joelhos arranhados, queixo cortado e braços quebrados por um coração rachado e cara uma quebrada (leia mais aqui). Quando eu era criança, acreditava que a vida adulta seria perfeita, que os adultos não tinham medo de nada, não choravam, que tinham as respostas para tudo, que não havia nada que não pudessem fazer ou resolver.

Eles sabiam as respostas para todas as perguntas, sabiam curar nossas dores, previam quando ia chover ou fazer sol, sabiam espantar os fantasmas, sabiam se alimentar direito e pareciam ter certeza sobre tudo aquilo que nos ensinavam. Então eu virei adulta e descobri que não muda muita coisa, a gente continua com medo, só substitui o fantasma. Aquele que antes habitava o nosso armário ou a parte debaixo da nossa cama, agora habita a nossa conta bancária, a nossa caixa de e-mail ou a sala da diretoria.

Brigávamos com nossos melhores amigos, chorávamos, prometíamos que nunca mais iríamos nos falar novamente, riscávamos algum muro com “fulano é falso” (eu sempre fui rebelde, gente), mas depois que a raiva passava, esperávamos ansiosamente, enquanto assistíamos a “TV Cruj”, o dia seguinte, para pedirmos desculpas e dividirmos um Fandangos de queijo na escola.
Hoje a coisa não mudou muito, a gente briga, fica magoado, posta textão no facebook, assiste uma serie na netflix pra distrair, espera uns dois dias, olha se ele já te desbloqueou do WhatsApp e manda um “oi, você ta bem?”. E se ficar tudo bem, vocês dividem uma cerveja, porque ninguém aguenta mais sequer o cheiro do Fandangos de queijo.

Amamos profundamente, nos entregamos, fazemos planos e quando, por algum motivo, temos o nosso coração partido por alguém, ou pelas expectativas que nós mesmo criamos, diferente de como seria na infância, descobrimos que não vai “sarar” com mertiolate. Você vai quebrar a cara algumas vezes (muitas), e vai descobrir que não tem Band-aid que remende seus planos que foram por água abaixo e cure toda a frustração de um projeto que não deu certo.

Os adultos não sabem se escolheram a profissão certa, se serão felizes no amor, se vão conseguir alcançar seus objetivos e algumas vezes eles choram antes de dormir. A gente se esforça pra mostrar para as crianças que a vida adulta é legal – até porque seria muito cruel mostrar a realidade frustrante que é a vida adulta para esses pequenos que já possuem seus próprios medos.

Antes tínhamos medo do abandono, agora temos medo da solidão. Continuamos sentindo ciúme, os brinquedos e as pessoas apenas cresceram. Continuamos dizendo: ”É meu” e agarrando com força tudo aquilo que gostamos de verdade. Quando somos rejeitados por alguém que amamos, choramos tanto quanto aquele guri que não foi escolhido por nenhum time, e nos frustramos pelo fato da “bola” não ser nossa e não podermos parar o jogo e ir embora.

A gente continua querendo chamar atenção, continua chorando por não possuirmos aquele brinquedo da moda e ficamos tristes quando somos rejeitados ou substituídos. Crescemos e até amadurecemos, mas nossa criança interna ainda permanece viva; E como toda criança, necessitamos de amor, atenção e cuidados. A vida seria muito mais simples se olhássemos para os outros como olhamos para as nossas crianças, enxergando suas limitações, seus medos, e entendendo que aquele adulto rabugento, no fundo só deseja uma única coisa: ser amado.

Imagem: Pinterest

Gyl Rangel

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