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Toda vez que eu visito a minha mãe, a minha avó faz aquela famigerada pergunta ‘e os namoradinhos?’. Eu amo muito a minha avó e jamais vou ficar irritada com ela por conta de algo tão pequeno quanto isso – sei que, no fundo, ela só quer o que ela julga ser o melhor pra mim –, mas tem uma decisão que eu tomei que eu sempre lembro quando ela me pergunta isso e todas as vezes que alguém quer saber como vai a minha ‘vida amorosa’: eu desisti de uma vez por todas de conquistar um namorado.

Não me entenda mal. Eu sou apaixonada pelo amor. Eu vivo de amor e eu vivo pelo amor. Mas essa coisa toda de conquistar um namorado não é para mim. E por mais que esse pareça um daqueles textos em que o foco é falar sobre como é possível ser feliz solteira, não tem absolutamente nada a ver com solteirice.

Nada. Nem uma vírgula. Nem um nada de nada.

Eu sempre senti que era um ponto meio fora da curva e que tinha alguma coisa em mim que era diferente. Era um pensamento meio equivocado (eu sou igual a todo mundo), mas tinha um fundo de verdade aí: a vida como a gente conhece, no mundo, não era pra mim.

O fato de não ter conquistado um namorado sempre me incomodou muito porque eu sentia que precisava disso para ser feliz. Era uma das coisas que eu precisa riscar ‘lista de coisas a fazer na vida’. Ter um namorado e casar eram duas delas (apesar de que nunca tive vontade de ter um filho). Mas encontrar um grande amor era algo que buscava muito.

Curiosamente eu tive só um namorado a vida toda.

Isso tem um motivo, claro, e é nesse motivo que eu quero chegar: eu estava buscando no mundo, em um comportamento pré-determinado, uma coisa que já estava dentro de mim. Mas eu me enganei tanto, por tanto tempo, que esqueci. E eu sai desse amor que já é meu para sentir falta. Falta de um amor que eu julgava ser ideal e necessário e perfeito.

O problema também de sentir essa falta e de ficar idealizando o que era o amor perfeito me trouxe um outro problema. Nenhum amor era bom o suficiente para mim. E mesmo quando alguém se aproximava, as expectativas me lembravam que aquilo não era exatamente o que eu queria e eu me afastava. Era como se a outra pessoa me traísse e eu não pudesse mais aceitar que ela não estivesse de acordo com o padrão da minha mente.

O que não significa que eu tenha desistido de conquistar um namorado porque estou desiludida. Pelo contrário. Eu só aprendi a ver as coisas de um outro jeito, de uma forma verdadeira. E a verdade é: todo amor e felicidade que eu preciso já estão dentro de mim. O que faltava era estar em contato com isso.

E onde fica a parte do namorado? Fica assim: esse amor que eu tenho dentro de mim existe dentro de todos, não existem diferenças entre mim e a pessoa que está do meu lado no ônibus. Então, se somos todos a mesma coisa, como eu posso escolher uma pessoa só para ser ‘minha’? Não tem sentido.

Claro que eu ainda sinto vontade de beijos apaixonados, abraços apertados e dormir de conchinha de vez em quando. E eu nunca falei que não recebo isso olhando pra vida desse jeito. Na verdade, recebo isso tudo vezes mil e sempre com um carinho tão grande que faz meu coração sorrir o dia inteiro.

Tem gente que pode achar que isso é bobagem, que ninguém consegue viver assim, que é mentira e uma tal de ‘falsa felicidade’. Mas eu posso afirmar com uma certeza total e absoluta que não existe nada tão bom quanto entender que tudo o que eu preciso já está dentro de mim e aprender a compartilhar isso com todos, independentemente do tipo de relação que a gente tenha. Se é namorado, mãe, amigo, padeiro, porteiro… Que diferença faz se tudo é amor?

Eu não consigo mais falar pra uma pessoa que ela é especial pra mim. Porque isso significa que ela se destaca das outras, que ela é diferente. E sendo diferente, ela é imediatamente tachada como melhor ou pior que as outras. E eu não quero mais que as pessoas se sintam assim. Eu quero que todas vejam que são importantes indispensáveis e, acima de tudo, amadas.

Eu também não quero mais ser especial para ninguém. Eu quero ser o que eu sou, eu quero viver o amor que está sempre dentro de mim pedindo pra ser dividido com todos e eu quero, principalmente, que o mundo viva o sonho feliz que merece.

Se eu ganhar uns beijinhos no meio do caminho e uma companhia pra esquentar o meu colchão, então isso é só a pontinha de uma coisa muito maior e melhor do que ter alguém pra ir comigo nas festas da família.

Imagem: Luisa Chequer Fotografia

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