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Foi uma semana difícil para tinha um crush em Chuck Bass, o personagem de Ed Westwick em Gossip Girl. Isso porque o ator recebeu não uma, mas duas acusações de estupro (a segunda veio de uma atriz que usou a sua página no Facebook para contar o que aconteceu, em agosto de 2014).

O que ficou na nossa cabeça, aqui no Superela, é como as pessoas têm muita dificuldade em acreditar que um galã ou um ídolo delas tenha cometido um crime desse tipo. Estupro e violência contra a mulher não são nenhuma novidade no mundo, pelo contrário – sua frequência só tem ficado mais escancarada com a onda de denúncias e discussões sobre o assunto. Mas como ainda vivemos num mundo que dá mais destaque para o homem do que para a mulher, parece impossível acreditar que os nossos ídolos sejam capazes desse tipo de coisa.

A gente pode até fazer um paralelo com a história do Marcos, do BBB. Ele, em rede nacional, não só agrediu como manipulou uma mulher e ainda assim seguiu com muitos fãs – e algumas das suas seguidoras até pediam para que ele ‘batesse nelas’. É, no mínimo, curioso, certo?

Assim como para as mulheres, os homens também seguem um padrão de beleza. Não é tão limitante quanto para o nosso lado, claro, mas ainda assim, ele existe. A questão é: um homem mais velho ou considerado feio (segundo esses termos) tem menos credibilidade do que um galã, um cara bonito e que as mulheres desejam.

É um referencial de geração também: José Mayer foi galã para nossas mães e avós, mas para nós, que estamos nos vinte e tantos, ele já não é a referencia de homem bonito. Ed Westwick, por outro lado, é um galã da nossa época, assim como o foi Johnny Depp. E quando mexem com os nossos ídolos, a coisa pesa para o nosso lado.

Até porque, parece que essas pessoas, por terem o status e a relevância que têm no meio em que trabalham, possuem uma ‘carta branca’ para agir como agem. Eles são galãs, então podem fazer o que bem entenderem com uma mulher, porque afinal, são Ed Westwick e Johnny Depp. Eles podem. Provavelmente, Harvey Weinstein, apesar de não ser nenhum galã de cinema, pensou a mesma coisa por causa da sua posição de poder.

O problema de ter ídolos como Ed Westwick

A questão vai além dessa relação de poder em Hollywood. É a nossa mania de criar ídolos que só podem seguir um padrão que criamos na nossa cabeça. Acreditamos que uma pessoa pública, por ter esse espaço na mídia, deve seguir um padrão de conduta considerado ‘certo’ – e esquecemos que elas acreditam tanto na cultura humana quanto qualquer outra. Elas tiveram uma criação em uma sociedade machista, elas tiveram experiências que comprovaram isso e, especialmente no caso dos homens, as mulheres foram oferecidas como um prêmio, em algum ponto dessa caminhada.

Ou seja, como esperar algo diferente levando em consideração todo esse histórico? É óbvio que uma criação, uma sociedade machista, não obriga ninguém a estuprar, assediar e usar esse histórico para cometer atos de violência contra a mulher – e isso não é nem um pouco justificável também, como vimos no caso José Mayer e naquela carta em que ele disse que o problema foi a sua criação.

Porém, colocamos as pessoas em um pedestal. E o resultado é uma decepção difícil de engolir, quando o ídolo não supera ou encontra as nossas expectativas.

Jared Leto também é um exemplo disso. Ele foi acusado de estupro e assédio sexual mais de uma vez – inclusive de transar e flertar com meninas menores de idade, na faixa dos 15 anos. Ainda assim, não só ele ganhou um Oscar por sua atuação em Clube de Compra Dallas (mesmo também sob acusações de transfobia), como segue sendo considerado um galã. No ano do Oscar, inclusive, um dos assuntos mais comentados era como o ator e músico estava bonito por causa do cabelo comprido.

Durante o Rock In Rio desse ano, a apresentadora Titi Müller tirou uma foto abraçada com Jared e brincou na legenda, dizendo que estava ‘grávida de gêmeos’ do ator. É óbvio que a internet não perdoou e deu uma problematizada no assunto, afinal, brincar sobre um assunto desses com um homem acusado de estupro de menores é, no mínimo, preocupante.

Mas aí entra a discussão do consentimento: se Titi permitiu que Leto a abraçasse daquele jeito, se tudo foi consentido e ele respeitou o que ela queria, não é preciso dizer mais nada. Caso contrário, aí, sim, temos um problema. Existe também uma segunda questão que é: as acusações contra Leto nunca foram formalizadas ou veiculadas pelos grandes veículos de mídia, apenas por postagens nas redes sociais e portais muito pequenos ou desconhecidos. E sabendo como a internet é, é difícil confiar numa informação que, no mínimo, não foi publicada por um grande jornal ou passou na televisão. E não é nosso papel – ou de ninguém além dos órgãos públicos responsáveis, diga-se de passagem – julgar uma pessoa em cima de uma situação em que houve consentimento.

A dificuldade de acreditar nas mulheres

É óbvio que, vendo toda a discussão em torno do caso Ed Westwick e lembrando das polêmicas envolvendo Jared Leto, Johnny Depp e tantos outros astros de Hollywood (Kevin Spacey sendo o mais recente – e chocante – de todos), a gente se pega em outra questão: a dificuldade em acreditar no relato de uma mulher.

Essa dificuldade em aceitar que um galã cometeu um crime contra a mulher está muito ligado com o descrédito do discurso feminino na sociedade. É assim: se duas pessoas vão dar uma opinião sobre um assunto, uma é um homem e outra é uma mulher, a opinião do homem será mais valorizada – as pessoas acreditarão mais nele do que nela. E isso vale para tudo, porque na visão da sociedade, o homem tem mais credibilidade, maior importância, do que a mulher.

Por isso, é óbvio que quando falamos de um crime contra a mulher, a defesa do homem será mais valorizada do que a acusação da feminina. Esse é um dos motivos pelos quais essas acusações passam tantos anos escondidas e porque as mulheres evitam denunciar um crime desse tipo – é um medo de ser deslegitimada e de não ser levada a sério.

Fora isso, a gente já viu que a carreira das mulheres sofre um efeito muito maior do que a de um homem, quando abordamos esse assunto. A começar pela diferença salarial, e passando por situações mais extremas, como homens acusados de abuso sexual ganharem Oscars.

O que a gente faz, então, para reverter toda essa cultura de idealização e machismo, de violência contra a mulher? Em primeiro lugar, é olhar para todas as pessoas – incluindo Ed Westwick e todos os outros galãs do mundo – como iguais. A visão da igualdade quebra esse ciclo de ‘ele é meu ídolo, jamais faria isso’ e coloca a pessoa no mesmo patamar que todas as outras – o que não deixa de ser verdade, porque ela é mesmo igual a todo mundo, só teve uma história de vida diferente.

Depois é expandir essa visão de igualdade para tudo – homens e mulheres vistos como iguais perante a sociedade. Isso vai acabar com essa diferenciação entre um gênero e outro e as mulheres passarão a ter a mesma importância que os homens na visão geral do mundo. Isso não acontece de um dia para o outro, é um processo que exige uma desconstrução do que a gente foi ensinada a acreditar – entra aí do papel do feminismo nesse contexto.

No meio tempo, a gente luta para que as acusações sejam levadas a sério, investigadas e cada dia mais esses casos tenham um peso igual para ambos os lados – e não afete apenas aquele que é visto como inferior.

Foto de capa: Reprodução


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