Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Adjetivar Elis Regina é fácil. A maior cantora do Brasil. Pimentinha. A voz de uma geração. A  grandiosidade certamentente não passa despercebida na cinebiografia que ganha seu nome, dirigido por Hugo Prata e estrelado por Andreia Horta. A carreira da cantora, que parece não caber em duas horas, foi marcada por uma rápida ascensão à fama, que a levou a ter uma vida cercada de polêmicas, aplausos e até mesmo vaias.

Cantora desde os treze anos, Elis deixa o Rio Grande do Sul para espalhar música pelo país. No Rio de Janeiro, quando já era estrela do programa “O fino da bossa” ao lado de Jair Rodrigues, apaixona-se pelo compositor e produtor Ronaldo Bôscoli, interpretado por Gustavo Machado. É um momento de virada em sua carreira. O programa, dirigido por Manoel Carlos, começava a desenhar os primórdios da MPB, enquanto Bôscoli, agora seu marido, criava belíssimas letras para que ela se apresentasse.

Elis por Andreia Horta

elis-02

Sem nenhum contato com a produção do filme, Andreia Horta lutou para interpretar Elis. No programa “Altas Horas”, a atriz contou que aos 14 anos já tinha cortado o cabelo para se parecer com a cantora. Aos 19, se apaixonou por uma biografia da “pimentinha”. Este ano, quando soube das primeiras movimentações da produção, Andreia recorreu às 48 horas de material arquivado que possui sobre Elis para mostrar que era a escolha ideal para o papel. No filme, ela canta todas as músicas, mas quem aparece em cena é a “voz da geração”.

Com tanto domínio sobre o assunto, era impossível que Andreia não desempenhasse uma performance surpreendente. A atriz conseguiu incorporar os trejeitos, a musicalidade e até o sorriso de Elis. O elenco, no geral, é tão bem caracterizado que alguns atores são somente reconhecíveis pela voz, como é o caso de Lúcio Mauro Filho, intérprete de Miéle.

“Foi tudo no mesmo ano, estou profissionalmente num grande ano, de apresentar para o público duas personagens muito fortes, a Joaquina e a Elis. Duas mulheres muito atuantes em seu tempo, muito brasileiras. É uma honra ser uma artista jovem e poder fazer as duas”, comemora Andreia, relembrando o papel de Joaquina, na minissérie “Liberdade, Liberdade”, produzida e exibida também em 2016.

A história da cantora que se confunde com a história do Brasil

Frases como “Eu sou foda para escolher repertório” e “O Brasil de hoje é governado por um bando de gorilas”, fizeram a cantora ganhar uma outra fama. Desbocada e de gênio forte, fazia jus ao apelido de “Pimentinha”. Embora seu lado político fosse menos conhecido, Elis se posicionava fortemente. Ao ser ameaçada pela ditadura militar, ela foi obrigada a se apresentar nas Olimpíadas do Exército e teve de retirar músicas em parceria com Chico Buarque de seu disco.

elis-03

Após esse episódio, ela é”enterrada” por um cartunista no semanário “O Pasquim”, já que, na opinião dele, a cantora colaborava com os militares. Após ser vaiada e escutar “o som mais aterrorizante de sua vida” em uma apresentação, decide liderar um grupo de artistas de esquerda (Fagner, Belchior, Gonzaguinha, João Bosco, entre outros) para arrecadar fundos para a Greve do Sindicado dos Metalúrgicos de São Bernardo, em 1979, em São Paulo.

Morreu também em São Paulo, por overdose, no dia 19 de janeiro de 1982. Quando foi enterrada, desta vez de verdade, vestia uma roupa que havia sido proibida de usar no show Saudade do Brasil. Era uma camiseta com um desenho da bandeira do Brasil, onde, no lugar de “Ordem e Progresso”, estava escrito: Elis Regina. Hoje, ninguém se lembra do desenho d’O Pasquim, mas todos se lembram de sua força.

O filme é inspirador para qualquer público, mas toca especialmente as mulheres. Durante toda a sua história, a cantora sofreu inúmeras repressões por ser uma mulher em uma indústria predominantemente masculina. Ainda assim, deixou sua marca ao ser precursora de um dos estilos musicais mais importantes do país, a MPB. Quase quarenta anos após sua morte, nós brasileiras ainda sofremos com o julgamento do conservadorismo da família tradicional.

Quando as luzes se acendem, uma certeza fica na cabeça do espectador. A de que fomos muito bem servidos e inspirados por duas mulheres incríveis e que já estão na história do país: Elis e Andreia. “A Elis era muito honesta com as coisas que ela acreditava. Nesse sentido, acho que a gente se parece um pouco. E talvez também por se posicionar, nem sempre da maneira mais delicada possível. Eu me sinto representada na fúria e na coragem dela”, Andreia.

Já assitiram ao filme Elis? Quais outros filmes em cartaz vocês estão doidas para ver?

Imagens: Pinterest

@ load more