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Cabelos soltos dançando com o vento, vestido rodado dos anos 50 para combinar, olhos na estrada na garupa do seu amor, com ele, ela vai para qualquer lugar, ela é o seu bebê.”

Não seria de se espantar se essa descrição te levasse a algumas músicas mais antigas da Lana Del Rey. Afinal, ela se descreveu assim durante parte de sua carreira. Um exemplo gritante de todo esse modelo está no álbum Ultraviolence, lançado em 2014.

E por que esse álbum, mesmo lançado há 3 anos, é perigoso?

Porque ele retrata, publicamente e em grande escala, o perfil de uma doce garota, pronta para dar todo o seu amor para aquele que lhe pegar no colo e lhe salva do mundo. Mostra a mulher perfeita, que sempre ofertará carinho incondicional. Que estará em casa esperando por ele, mesmo que ele volte com cheiro de outras tantas. Afinal, ela é a preferida dele. Então pra ela está tudo bem, desde que ele volte para casa no final do dia. É triste aceitar que tantas de nós já nos sujeitamos a isso. E pior…

já tivemos orgulho de ser essa “versão antiga” de Lana Del Rey da vida.

Lana Del Rey

Crescemos sendo ensinadas a cozinhar, passar, cuidar do lar, dos filhos e maridos. Somos ensinadas a dizer somente “sim” enquanto o “não” só existe no nosso vocabulário quando é permitido. Por que nos contentamos com tão pouco? Por que doamos tanto a quem nada nos dá? Por que somos ensinadas a buscar um homem que possa nos proteger de todo o mundo, mas esquecemos de que ele também deve ser capaz de nos proteger dele mesmo?

O poder da influência

Alguns anos atrás, Lana Del Rey chegou a declarar que não se interessava pelo feminismo, o que explicaria todo o contexto que gira em torno do Ultraviolence. Apesar de não compactuar com os mesmos valores nos dias atuais, sua declaração negativa sobre a luta pela igualdade de gêneros ainda ecoa até os dias atuais, assim como suas canções do álbum em questão, podendo gerar desentendimentos. Afinal, o público que ainda não conhece ou não acompanha as evoluções de carreira da artista tendem a acreditar que ela é a mesma “Amélia” de 3 anos atrás.

Isso é perigoso porque, como influenciadora, suas palavras e canções propagam pelo mundo em questão de minutos, deixando um espaço aberto para que qualquer um estabeleça uma opinião a respeito dela. Tanto as novas quanto as antigas. E tudo o que menos precisamos hoje é de um modelo de mulher submissa, né?

Por que endeusar um modelo de mulher Amélia pode ser tão nocivo?

Podemos dizer que a cantora conseguiu embelezar e idealizar essas questões com seus clipes antigos e cabelos maravilhosos. Com certeza em algum momento você já desejou ou conhece alguém que tenha desejado viver um romance à la Lana Del Rey. É doloroso, mas infelizmente temos que admitir que quase todas nós já vivemos isso e sabemos o quão horrível e devastador isso pode ser.

Um homem mais velho, com a aparência bruta e gasta, que não tem tempo a perder com mais nada, de fato pode soar um tanto sexy. Com isso a gente cresce buscando um ideal de homem que seja capaz de nos dar o mundo, mas esquecemos de nos colocarmos como prioridade e entender que devemos ser escolha única e não uma das demais opções.

No começo tudo é realmente muito lindo, afinal, somos a menina dos olhos deles. Somos mimadas, amadas e agraciadas, mas uma hora as coisas começam a desandar e é aí onde tudo se rompe e distorce. Esse tipo de comportamento acaba sendo o empurrão que faltava para situações tóxicas onde o homem exerce um poder de manipulação em cima de sua companheira, agindo de forma abusiva e sempre falando que é em nome do amor. Afinal, “ele é mais velho, tem mais experiência e sabe o que está fazendo, ele só se preocupa demais” não é mesmo?

Então, se torna comum ir dormir enquanto quando já é tarde e ele ainda não chegou, acordar no meio da noite com ele cheirando a perfume de outra mulher. Se torna comum ter amigos mostrando a verdade sobre as coisas, mas a gente deixa passar porque afinal “eu sou a oficial e no final da noite é pra mim que ele volta”.

Nos colocamos em posição de submissas e acabamos sendo manipuladas nas mãos de quem um dia jurou nos proteger.

Propagando esse estereótipo de mulher indefesa que precisa de seu homem para salvá-la dos males do mundo, Lana Del Rey apenas afirmava e fortalecia o ideal de mulher perfeita, aquele criado por homens e que estamos fortemente tentando quebrar. Vocês conseguem enxergar que quando se aceita ser “o final da noite” você aceita ser a última opção porque nada deu certo antes? Não precisamos disso. Não precisamos ser colocadas como uma opção de fim de festa, porque não somos isso. Não devemos nos contentar com tão pouco, quando nós merecemos o mundo.

Vale salientar que Lana Del Rey é uma artista muito boa e tem músicas ótimas (há quem goste e quem discorde), mas o álbum Ultraviolence não é, nem de longe, um exemplo para se ter como trilha sonora de uma vida amorosa. Infelizmente, todas ou a maioria de nós acaba vivendo um amor “Ultraviolence – 2014”, então se até mesmo a própria Lana del Rey superou essa era (e diga-se de passagem veio mudando seu estilo de lá pra cá), nós também podemos fazer isso e enterrar de vez a era Ultraviolence no nosso passado.

Por isso, sejamos inteligentes e fiéis a nós mesmas. Vamos repetir em voz alta quantas vezes for necessário até que todas entendam que somos todas uns mulherões da p*rra e não merecemos e nem precisamos desse modelo e amor.

Lana Del Rey

Imagem: Reprodução/Vogue Australia


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