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Em passagem pelo Recife para lançar filme, Juliana Paes, Marcelo Faria e Pedro Vasconcelos bateram um papo muito divertido com a gente.

Juliana Paes

Foto: Reprodução/Instagram

O clima já começou muito descontraído e objetivo. Antes mesmo das perguntas começarem, após eu ter dito que vi o filme, e a mensagem que ele deixou para mim (leia a crítica), Juliana Paes já nos contava o seu ponto de vista sobre a versão que protagonizou. Como toda mulher defende sua cria, também defendeu com unhas e dentes sua crença na essência da história, sem querer desvirtuar o real significado do filme.

Vamos lá!

A história passa nos anos 40. Acha que mudou muita coisa de lá pra cá nas relações? O que acha das relações não-monogâmicas? Acha possível amar mais de uma pessoa?

Juliana Paes: eu acho que o filme no final das contas não se trata muito disso. Eu fico até preocupada de entrar nessa seara, porque eu acho que desvirtua mesmo, sai do foco. O que eu acho é que hoje em dia a gente tem nome pra tudo, mas Jorge Amado já vislumbrava esse tipo de situação. Já falava sobre isso de maneira lúdica, mas mais aberta mesmo. Ele sempre foi muito moderno e pra mim um autor feminista, nesse sentido. Pra mim, o que fica em primeiro plano é a questão  da libido feminina, da sensualidade e da sexualidade feminina, seja colocada de maneira natural, seja tirada desse contexto tão patriarcal sufocante que a gente vive.

Mas, você não acha que muita gente vai assistir o filme com o foco no triângulo? E que, infelizmente, vai levantar como discussão principal esse assunto ao invés da questão da liberdade sexual, inicialmente?

Pedro Vasconcelos:  O que rege, na verdade, a monogamia é o amor. Enquanto houver amor por uma pessoa, você vai ficar com aquela pessoa. Se o seu amor diversifica para outras pessoas, você vai viver o seu amor diversificado com outras pessoas e em lealdade com todo mundo, todo mundo sabendo de tudo. Mas o que rege a lealdade é o amor, fora isso, é diversão.

Depois de tê-lo feito no teatro, quais foram os desafios de trazer Vadinho para o cinema?
Você se inspirou de alguma forma na interpretação dos outros atores?

Marcelo Faria: Nunca me inspirei em outros atores fazendo algo que eu iria fazer. Vi e revi o trabalho do Lázaro Ramos e do Wagner Moura no filme “Ó Paí, Ó” que, para mim, são os caras que mais se aproximam do meu Vadinho. Principalmente nas cenas em que o Boca, personagem de Wagner, discute com o Roque, personagem do Lázaro. Trazer para o cinema foi só tentar fazer um pouco menor do que fazia no teatro, trazer mais para a intimidade, já que a câmera nos lê mais de perto.
Pedro Vasconcelos: Na verdade a gente namorava a Dona Flor no teatro e resolvemos pedir  ela em casamento para levar para o cinema. (risos).

Juliana Paes

Divulgação

E Juliana, como foi fazer mais um papel que foi da Sônia Braga? 

Juliana Paes: Pois é, na verdade viver Dona Flor é um presente por três razões principais: primeiro porque qualquer personagem do universo Jorge Amado é um sonho pra qualquer ator fazer, por ele ser um gênio da nossa literatura, por ele falar tão bem da alma feminina. Depois, é maravilhoso viver papeis que foram da Sônia Braga. Ela é mais do que uma musa pra mim. Ela é uma inspiração pra mim, sempre! Querendo ou não, independente do que o diretor quer que você se espelhe ou não no que já foi feito, existe uma memória afetiva aí. Existe o que eu tenho dela marcado, impresso, na minha memória, no meu corpo que, pra mim, todas as vezes que me foram apresentados personagens que foram vividos por ela, foi fazer com muita humildade uma homenagem. Eu sou uma grande fã. Depois, pelo empoderamento. A gente poder trazer para uma geração que não conhece ainda a obra um filme que aborda uma escolha tão livre de uma mulher.

Eu consegui perceber uma crescente na versão atual da Flor, em relação a ela mesmo. Tem cenas que você percebe o dilema muito intenso e depois você sente o equilíbrio se manifestando. Isso realmente existe?

Juliana Paes: Sim, sim. Que bom! Justamente, essa questão do tabu e da moral é um aspecto muito importante dessa obra. Então, eu queria mesmo que essa angústia dela, que é a angústia de toda mulher até hoje (e é por isso que essa história não fica velha nunca), que é “O que é ser a mulher da rua? A mulher de casa? A mulher pra casar? Que liberdade é essa que a gente ainda vive? Que liberdade é essa que a gente acha que tem e não tem?”. Esse aspecto do filme é um aspecto muito importante. E eu achava que ele só iria tocar mesmo as pessoas com uma Flor muito angustiada: “Eu  amo meu marido, eu sou casada, eu quero gostar dele! Mas, ainda me falta alguma coisa. Eu tenho desejos.” Os mesmos desejos que o Vadinho tem, que o Teodoro tem, cada um no seu universo.

E eles não têm poder nenhum em lidar com os desejos deles, não é mesmo?

Juliana Paes: Exatamente. 
Pedro Vasconcelos: Vou fazer um paralelo bobo aqui, mas é tipo como se Dona Flor saísse do armário né?! A causa libertária da mulher não é só da mulher. Na verdade, ele fala muito do que hoje serviria para a diversificação sexual. A liberdade de ser quem você quer ser, seja do jeito que você quer ser, desde que você não agrida ninguém. Desde que você não desrespeite o outro, e você, por favor, saia do armário e seja livre!

Juliana Paes

Divulgação

Bom, pra finalizar, Juliana, você pode deixar um recado para as meninas do Superela? 

Juliana Paes: meninas do Superela: continuemos! O importante é continuar. Ainda falta muita coisa, a gente ainda precisa caminhar muito nessa questão do feminismo. Agora a gente tem outros nomes, novas siglas, sororidade, empoderamento… Mas não adianta se a gente não fizer com amor. Eu não acredito muito no pé na porta, sabe? Tem o seu espaço, mas não é o meu jeito de dialogar com outras mulheres. Eu acredito no amor, nas pílulas diárias, no pouquinho, no papo de bar que você fala para o amigo: “homem, não é assim…”. Eu não sou de confrontar, eu prefiro ter paz do que ter razão. Então, eu acho que é isso, a gente tem que continuar com o nosso discurso que assim a gente vai muito longe.

E foi isso! Uma experiência incrível, com pessoas incríveis e que deixaram belos recados para nossa comunidade. Que no final das contas, estamos todos e todas caminhando pelo mesmo objetivo! Vamo que vamo! 😉

Imagem: Divulgação


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?


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