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Os fãs de Lady Gaga ficaram tristes e preocupados ao mesmo tempo. Na última semana, a cantora anunciou que não viria mais ao Brasil para o Rock In Rio porque estava sofrendo com a fibromialgia. Não só isso, mas além de cancelar a vinda ao país, ela explicou que estava no hospital, internada, e que também precisaria cancelar outros shows da sua turnê Joanne na Europa.

Você sabe o que é a fibromialgia?

A fibromialgia, assim como o lúpus, é uma doença crônica e sem cura. É uma síndrome em que o paciente sente dores no corpo por longos períodos de tempo (ou seja, são dores constantes), além de sensibilidade nas articulações, nos músculos e tendões. Basicamente, quem sofre com essa condição sente muitas dores sem um motivo específico.

Aliás, os médicos ainda não sabem porque as pessoas desenvolvem a fibromialgia e quais são as suas causas. Os profissionais entendem que essa doença tem relação com a forma como o cérebro das pessoas registra a dor. É mais ou menos como se a região que cuida da dor estivesse ‘desregulada’ e qualquer pequeno estímulo lhe causasse dor – como encostar no batente da porta ao passar de um cômodo para o outro.

A Dra. Mayara Rangel Pico da Cruz, médica residente de medicina da família e comunidade da FMUSP, dá um exemplo muito fácil de entender: “Imagine que você instalou um alarme na sua casa, para tocar sempre que um ladrão entra na propriedade. Acontece que o alarme dispara o tempo inteiro, quando alguém passa na calçada, quando um gato pula o muro ou quando alguém passa na rua de trás. Isso é a fibromialgia”.

Quem sofre dessa condição também costuma lidar com alguns outros sintomas, além da dor crônica:

  • Fadiga: a pessoa já acorda muito cansada, mesmo tendo dormido várias horas seguidas, e passa o dia assim;
  • Dificuldades de concentração e foco (os chamados ‘problemas cognitivos’)
  • Alterações de sono (a pessoa não dorme bem e o sono não repara o corpo como deveria)

A Dra. Mayara explica que esses sintomas principais podem ser acompanhados de outros, os sintomas somáticos: diarreia, mãos e pés inchados, dores estomacais e variações de humor. Além, disso, por causa das dores que duram longos períodos (pelo  menos três meses), os pacientes de fibromialgia acabam se sentindo inaptos, não capazes, de fazer exercícios físicos.

O diagnóstico dessa doença é totalmente clínico, ou seja, depende do histórico do paciente e de um exame físico. Até hoje, não existe um exame laboratorial (como os de sangue) que determine a existência dessa doença no organismo. É muito comum, no entanto, os médicos pedirem exames que possam descartar outras doenças com sintomas semelhantes – criando um sistema de diagnóstico por exclusão.

Como lidar com uma doença como essa?

Segundo a Dra. Mayara, o primeiro passo é entendê-la. Muitos pacientes acabam ouvindo de pessoas próximas que estão inventando a dor e duvidam do que sentem, não indo adiante com o diagnóstico ou o tratamento, principalmente porque a fibromialgia não tem nenhuma causa evidente. Por isso, entender do que se trata a doença, buscar um médico especializado e saber exatamente o que acontece com o corpo de quem sofre dessa condição é o primeiro passo para conviver com ela.

O segundo ponto é entender que a fibromialgia, apesar de ser uma doença crônica, não tem chances de piora ou ainda se tornar uma doença maligna, que causa um risco à vida do paciente. É óbvio que a doença tem os seus efeitos no dia a dia de uma pessoa, porém ela não pode evoluir para um câncer ou alguma doença mais grave.

A fibromialgia é uma condição que depende totalmente da adaptação do estilo de vida do paciente, e não tanto do uso de medicamentos e tratamentos farmacológicos. “Não tem um remédio que sustente um paciente com fibromialgia, se ele não mudar de estilo de vida”, explica Mayara.

Para isso, ele precisa prestar atenção no seu sono e melhorá-lo, manter o hábito de praticar atividades físicas e de engajar em atividades que promovam o seu bem-estar mental – pense em ter hábitos que você gosta de fazer na sua rotina ou aos finais de semana.

Em relação aos exercícios físicos, eles precisam ser de baixa intensidade e duração, mas de alta frequência. Os aeróbicos, como uma caminhada, são os mais indicados. Esse ponto é muito importante no tratamento porque o exercício ajuda a aumentar o limiar de dor do paciente, é uma forma de ele aumentar a sua resistência a essa sensação. “Eu recomendo que ele comece com uma caminhada de 10, 15 minutos, todos os dias, do que fazer uma hora duas vezes na semana. Por isso a baixa duração e intensidade e alta frequência”, completa a médica residente.

O sono é o segundo ponto de atenção: focar nos hábitos do paciente antes de dormir (se vê televisão, se passa muito tempo no celular ou ainda se tem o costume de tomar bebidas estimulantes, como o café, logo antes de ir para a cama) é importante para determinar pontos de melhora e como ele pode aprimorar a relação que tem com os seus períodos de descanso.

É comum esses pacientes caírem em quadros de depressão e ansiedade, porque a dor constante os colocam em um estado de isolamento: a pessoa para de trabalhar, deixa de sair de casa e fazer coisas que gosta. Por isso, é importante quem sofre com essa condição fazer um esforço de se manter inserido em situações sociais (trabalhar, sair com os amigos aos finais de semana, fazer atividades coletivas) – e seguir uma vida o mais próximo possível do normal.

Quanto aos medicamentos, só o médico saberá dizer exatamente qual o melhor para cada caso, mas antidepressivos podem ser uma opção – já que lidam diretamente com a química cerebral e ajudam com a dor. Porém, o principal é sempre levar um estilo de vida que seja saudável e que promova o relacionamento e mantenha o corpo ativo, para aumentar a resistência durante as atividades do dia a dia.

Foto: Instagram / Lady Gaga


 


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