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Globeleza vestida: o fim da objetificação da mulher no Carnaval

Marcela De Mingo

Colunista Superela

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Globeleza vestida. Se você acompanhou a internet no último domingo, dia 8, com certeza viu essas duas palavras rechearem a timeline. Pela primeira vez na sua história, a Globo criou uma vinheta do Carnaval, com a sua tradicional Globeleza, em que a dançarina Erika Moura aparece vestida e não mais nua com o corpo pintado e cheio de glitter.

Pode parecer uma coisa mínima, mas a vinheta já foi considerada uma das melhores da história da emissora pelos internautas, e tudo isso por um motivo muito simples: não só ela deixa de colocar o corpo feminino como um destaque, como também celebra tantas outras culturas brasileiras.

Ter uma Globeleza vestida mostra como evoluímos quando o assunto é o feminismo – por mais que pareça não existir uma ligação entre as duas coisas. Se a ideia é vermos homens e mulheres como iguais e não mais termos as mulheres como inferiores e apenas como objetos que estão presentes apenas para servir aos prazeres do outro, é, sim, um motivo de comemoração ver a dançarina mais famosa do país com roupas – e o melhor, de diferentes comprimentos e estilos.

Aqui no Superela, nós já falamos inúmeras vezes, e de muitos jeitos diferentes, que o corpo feminino é apenas da mulher. Isso significa que ela é a única que tem direito e poder de decisão sobre o próprio corpo. A relação com a Globeleza vestida é que, ao invés dela ser colocada para o público como um objeto sexual, um corpo a ser cobiçado pelos homens e invejado pelas mulheres, ela é apenas mais uma representante da nossa cultura. A emissora mostra, assim, que ela não exige mais que uma mulher tire a roupa para representar algo que marca um país inteiro, entende? Ou seja, ela coloca o poder de decisão sobre o corpo na mão da mulher mais uma vez.

E, a partir disso, entramos no segundo ponto desse texto: a importância da combinação da Globeleza vestida com outras culturas. O Brasil é um país enorme e muito diverso e acreditar que o samba carioca como o conhecemos é unanimidade por aqui é, no mínimo, uma ingenuidade. Por isso, é preciso celebrar as diferentes formas de comemoração e de folclore que marcam o nosso território, passando pelo frevo e pelo Bumba meu boi. É uma questão de representatividade. Quem não samba, mas dança frevo vai se sentir representado ali.

2017 mal começou e já provou ser um ano incrível. Uma Globeleza vestida é um passo e tanto para uma luta de décadas, que não quer mais ver a mulher e o seu corpo meramente como objetos sexuais, sobre os quais qualquer um – menos ela própria – tem poder.  Fora que o talento de Erika, que representa todas as danças brasileiras, fica ainda mais em evidência e merece mais espaço ainda. A sua beleza é apenas mais um traço que representa o nosso país.

Com uma vinheta como essa, dá até mais vontade para celebrar o Carnaval, você não acha? Você gostou da nova vinheta com a Globeleza vestida?

Imagem: Reprodução/Rede Globo

Marcela De Mingo

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