O que você procura?

No ano passado, estava fazendo anotações de aula enquanto minha professora (especialista, mestre, doutora, pós-doutoranda, PHD, PHF, PHG, PHH em Fucking University of Mars e ostentadora de um currículo Lattes maior que carta de fã clube dos 90) concedia uma entrevista para alunas sobre um determinado tema acadêmico. Após a entrevista, as estudantes pediram para tirar uma foto com a docente. Segundos antes de registrar o momento, a doutora em questão profere em alto e bom som a seguinte frase: “eu não quero sair gorda na foto”.

Seguramente ela nunca imaginou o quanto suas palavras me feriram e oprimiram naquele instante. O “eu não quero sair gorda na foto” soou como “não quero sair feia na foto”. Se ela fosse mais direta, ou desconhecesse a palavras “gorda” e “feia”, poderia dizer apontando para mim: “eu não quero sar como a Bárbara na foto”.

A gordofobia nossa de cada dia

Não é novidade que mulheres gordas sofreram, sofrem e sofrerão pré(conceitos) por parte de mulheres magras. Principalmente as que não querem sair gordas nas fotos. Ou em qualquer outra coisa. No entanto, vivemos uma época de ensaio de reconhecimento, valorização e consolidação do que chamo de “cultura plus size”, não é mesmo?

Estranhou o termo “cultura plus size”? Eu também confesso que não achei dos melhores. Mas é inegável que as gordas ganharam um pouquinho (ênfase no “pouquinho”, pois é “pouquinho” mesmo) mais de representatividade e respeito nesse mundo onde o padrão de beleza feminino é ser magra.

Já reparam que há maior variedade de roupas para mulheres gordas? Já repararam que as mídias de massa estão aumentando (sutilmente) o número de personagens gordas? E que algumas capas de revistas famosas estão sendo estampadas por gordas? Já reparam que a apresentadora do Miss Universo desse ano foi a Ashley Graham?

Achou os meus exemplos superficiais?

gordofobia

É. Talvez sejam. Mas vocês não imaginam o quanto fico feliz quando encontro uma roupa G ou XG que não é a camisa preta mais larga da loja, pois as únicas roupas bonitas eram destinadas ao tamanho P ou no máximo M há alguns anos. Ou ainda quando vejo uma mulher gorda na televisão não sendo vítima de gordofobia em algum programa de “humor”. Ou não fazendo piadas depreciativas consigo mesma. O quanto eu fico feliz quando vejo uma mulher gorda não sendo vista como uma mulher gorda, mas sim apenas como uma mulher. Independente do seu peso.

Tendo em vista o cenário do segundo parágrafo desse simplório texto, você deve estar pensando algo mais ou menos assim: então, se houveram tantas mudanças, se você não se sente mais na sessão infantil da loja, se existem gordas na TV, se essa tal de Ashley Graham apresentou o Miss Universo – não sabia quem era, pesquisei no Google, mó gata – por que tá reclamando?

“Tá mal? É só emagrecer, fia!”

Devaneios à parte, estou “reclamando” pois, apesar de ter mais opções de roupa, ínfima representatividade nos meios de entretenimento, e até em concursos que sempre enalteceram a magreza feminina, ainda me sinto oprimida pela gordofobia quando me deparo com frases banalizadas em nosso cotidiano. Tipo as frases da minha ex-professora magra, das minhas “amigas” magras, da minha mãe magra e de qualquer outra magra que esteja no mesmo ambiente que eu, prestes a tirar uma foto. Pois frases como essa, sobre “não querer ser/estar/parecer gorda” são ditas de forma indireta, mas afetam diretamente a gorda mais próxima. Afinal, a forma que vocês falam denota que a palavra ‘gorda’ é um sinônimo de uma a palavra feia. E não somos feias, migas. Só somos gordas e não saímos gordas esporadicamente em fotos, mas em todas as fotos que tiramos.

Parece assustador para você sair gorda em todas as fotos?

Repito em capslock ou letras garrafais em bom português: SAIR GORDA EM TODAS AS FOTOS? Imagino que deva ser, mas não se preocupe. Você não sairá gorda nas fotos. Se sair, não quer dizer que você automaticamente sairá feia. Acha que estou mentindo? Dê uma olhada nas minhas fotos do Facebook. Saio gorda em todas e bonita em todas (exceto nas fotos marcadas, porque nem mesmo mulheres magras são fotogênicas perante a um(a) amigo(a) mal-intencionado(a) com uma câmera na mão na opção selfie).

Em síntese, migas: parem de falar aos quatro ventos frases como a do título do meu texto. Vocês não imaginam as consequências negativas que esse tipo de fala possui para as gordas ao seu redor. Principalmente as gordas que ainda não se aceitaram como gordas e acham que você está certa em não querer sair gorda na foto. Afinal, nem elas querem sair gordas nas próprias fotos que tiram.

Não há nada de errado em você gostar de ser magra. E nem em querer sair magra em fotografias, selfies e qualquer coisa que revele sua imagem corporal. Mas respeite as gordas. Não incentive a gordofobia! Não custa nada, não mata e nem engorda!

Imagem: Pitch Perfect 2 (2015)


E o que você responderia para ajudar a essa nossa leitora aqui embaixo, que está sofrendo gordofobia do próprio namorado?


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