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A emancipação de Klara Castanho e as crianças que casam

Marcela De Mingo

Colunista Superela

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Klara Castanho virou notícia no último final de semana depois que conseguiu a sua emancipação. Isso significa que agora ela é vista como adulta pela sociedade, tem todas as responsabilidades de um adulto e não precisa mais responder aos pais. Aos 16 anos, a atriz tomou a decisão por motivos puramente profissionais.

Porém, a primeira coisa que as pessoas se perguntaram foi se a decisão tinha alguma coisa a ver com casamento. Klara Castanho comentou durante o Encontro com Fátima Bernardes, nesta segunda, dia 17, que a decisão não tinha nada a ver com relacionamento ou como desejo de morar sozinha.

“Não pretendo morar sozinha, ficar mais independente”, disse. “A emancipação proporciona coisas que não são minha pretensão: posso casar e posso ser presa. Foi só por conta do trabalho mesmo”, comentou ela.

E essa notícia me fez pensar sobre um outro assunto que pode, sim, ser ligado ao que Klara Castanho comentou: o casamento de crianças. Agora emancipada, não dá mais para chamar Klara de ‘criança’, mas toda menina com menos de 18 anos ainda pode ser vista assim. Pelos olhos da lei, elas ainda são dependentes dos pais e precisam do seu suporte para a sobrevivência, e o mesmo vale para os meninos. Pelo menos na maioria dos casos.

Ainda assim, todo ano, mais de 15 milhões de meninas casam (muitas vezes à força) antes de completarem 18 anos. Isso significa que 28 meninas casam por minuto. Uma a cada dois segundos. É assustador, eu sei.

E a emancipação tem a ver com isso, claro, já que o casamento é uma forma de emancipação – ou seja, um desligamento dos pais. Qualquer que seja o caso, os pais sempre precisam aprovar o pedido de emancipação. E é por isso que esses dados são ainda mais assustadores, afinal, existem pais por aí aprovando (e incentivando) o casamento de suas filhas menores de idade.

O casamento de meninas no mundo

Quer mais uns dados assustadores? O Brasil tem o maior número absoluto de noivas crianças na América Latina, e ocupa o 4º lugar no mundo na categoria. Segundo a UNICEF, as porcentagens desse ano indicam que 11% das meninas casam até os 15 anos, e 36% até os 18.

Os motivos são muitos, mas o principal é a sensação de ‘segurança’ que um casamento passa, principalmente para as pessoas mais pobres e que não tem acesso às oportunidades que uma mulher com educação e de classe média têm.

Além disso, em um país católico e tão machista como o nosso, é normal ver que as pessoas ainda acreditam que uma mulher precisa casar quando engravida e, infelizmente, os números de gravidez na adolescência por aqui também são altos. Ou seja, o casamento é visto como uma forma de segurança econômica e pessoal e visto como algo desejável pelas famílias mais pobres.

A religião e a cultura também são um motivo para esse tipo de emancipação. A Índia é líder mundial em números absolutos, com mais de 26 mil casamentos por ano, a maioria arranjado por pais, seguindo o sistema de castas local.

Em porcentagem, a Nigéria é o primeiro lugar em casamentos infantis: 76% das meninas com menos de 18 anos são obrigadas a casar. Ou seja: 3 em cada 4 meninas casam antes dos 18 anos.

No fim das contas, usar Klara Castanho para falar sobre o casamento infantil é uma forma de mostrar um problema muito mais profundo. Para ela, a ideia do casamento pode apenas ter aparecido como curiosidade (ou para mostrar como a cultura machista existe e é muito presente), mas mostra um lado muito mais obscuro das vidas das meninas ao redor do mundo.

Não à toa, o Brasil também é o pior país da América Latina para as meninas. Tanto por causa do casamento infantil, quanto por problemas no incentivo ao desenvolvimento e independência das jovens brasileiras. No fim das contas, o buraco é sempre mais embaixo e é por isso que o feminismo é tão importante.

Se querermos oferecer mais oportunidades para as meninas no mundo todo e tornar um Brasil um lugar melhor para as futuras mulheres, então precisamos nos mover e parar de ter atitudes como perguntar para as Klaras Castanho do mundo se emancipação é igual a casamento.

Imagem: Instagram

Marcela De Mingo

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