O que você procura?

O que Woody Allen chama de “caça às bruxas”, a gente prefere encarar como justiça. Neste mês de outubro, o machismo em Hollywood foi mais uma vez escancarado quando atrizes como Ashley Judd, Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Cara Delevingne compartilharam histórias de assédio, e até estupro, que sofreram pelo produtor de cinema americano Harvey Weinstein,  O produtor é responsável por filmes como Sete Dias com Marylin, Shakespeare Apaixonado e Gangues de Nova York.

Woody, outro conceituado nome do cinema norte-americano, por sua vez, já foi acusado pela própria filha adotiva Dylan Farrow de abuso sexual em 1992, e em 97 casou-se em com Soon-Yi, filha adotiva de sua ex-mulher Mia Farrow. Na época das declarações polêmicas de Dylan, Mia havia encontrado fotos de Soon-Yi nua na casa de Allen, o que na verdade incentivou que as acusações se tornassem públicas. Como acontece na maioria dos casos de violência contra a mulher, as investigações foram encerradas e o diretor foi considerado inocente. Ao ser questionado sobre o caso de Harvey Weinstein, Allen disse: “Você não vai querer entrar numa atmosfera de caça às bruxas, onde qualquer cara que pisca para um garota em seu escritório de repente tem que ligar para seu advogado para se defender”.

Ao contrário do que Woody Allen pode pensar, a verdadeira caça às bruxas que ocorre, seja em Hollywood, na indústria midiática ou na vida real, é contra as mulheres, e não contra os homens. Se cada vez mais existem atrizes denunciando casos de machismo, é porque, como disse Robin Wright, intérprete de Claire Underwood em House of Cards, “a dominação masculina ainda é muito presente no trabalho. É algo condicionado. E a única forma de mudar isso é mudando o condicionamento dos homens.”

A lista a seguir reúne seis casos em que o machismo em Hollywood afetou de formas diferentes a carreira de homens e mulheres. É a prova concreta de que não importa a posição que ocupe na sociedade, a mulher ainda precisa do feminismo:

6 casos que escancaram o machismo no trabalho

Kevin Spacey vs. Robin Wright

machismo

Imagem: Reprodução/ Netflix

No início desta semana, o ator Anthony Rapp, do seriado Star Trek: Discovery, revelou que em 1986, Kevin Spacey, intérprete de Frank Underwood em House of Cards se aproximou de Rapp enquanto trabalhavam juntos em um musical da Broadway, convidou o ator para uma festa em seu apartamento e, no final da noite, o jogou em cima de uma cama e o assediou sexualmente. Na época, Kevin Spacey tinha 26 anos e Rapp 14.

A post shared by Kevin Spacey (@kevinspacey) on

Spacey soltou um comunicado no Instagram, revelando “não se lembrar do encontro”, mas que se desculpava pelo possível comportamento provocado pela bebida. No mesmo pedido de desculpas, o ator afirma pela primeira vez que agora “escolhe viver como um homem gay”. A publicação foi criticada por ignorar toda uma luta da comunidade LGBT, que vêm tentando se afastar dos estereótipos da relação com a pedofilia, e por insinuar que a homossexualidade seria uma escolha, um opção, ao invés de orientação. Além disso, internautas enfurecidos acusaram o ator de tentar “abafar o caso”.

No mesmo dia em que a entrevista de Rapp foi divulgada, a Netflix, serviço de streaming responsável pela exibição de House of Cards, decidiu cancelar a série. Segundo o ABC News, a decisão teria sido tomada antes das acusações contra Spacey. Porém, outro órgão importante na indústria de Hollywood decidiu retirar seu apoio ao ator. A organização do Emmy Internacional, premiação que se assemelha ao Oscar da televisão, anunciou nas redes sociais que não dará mais um prêmio honorário a Kevin Spacey, de acordo com “os acontecimentos recentes”.

Fãs do desenho Family Guy relembraram um episódio de 2005, no qual o bebê Stewie, caçula da família, passa correndo nu por um shopping dizendo que “escapou do porão de Kevin Spacey”. O fato demonstra que ainda que as alegações não tivessem vindo à tona, por dentro da indústria os boatos já eram amplamente conhecidos, a ponto de serem mecionados em um programa de televisão.

Embora seja reconfortante que homens acusados de machismo em Hollywood estejam sendo punidos devidamente, é bom lembrar que mulheres inocentes são oprimidas no trabalho diariamente. Claire Underwood, a personagem de Robin Wright em House of Cards, chegou a ser mais popular que o próprio protagonista da série. Ao perceber essa aceitação, a atriz exigiu que ganhasse o mesmo salário que Kevin Spacey. Robin foi a público em maio de 2016, e um ano depois, ao ser questionada sobre a quantia, ela afirmou que ainda não estava recebendo o mesmo salário, apesar de ser produtora executiva da série e ter dirigido alguns episódios.

Robert Downey Jr vs. Winona Ryder

machismo

Imagem: Divulgação

2001 foi um ano marcante para Winona Ryder e Robert Downey Jr. A atriz, que havia atuado em clássicos da década de 90 como Edward Mãos de Tesoura e Garota, Interrompida, viu a carreira entrar em declínio após ter sido acusada de roubar mercadorias no valor de US$ 4,8 mil (cerca de R$12,7 mil reais) de uma loja de departamentos de luxo em Los Angeles. No mesmo ano, Robert foi demitido da série All McBeal e se internou em uma clínica de reabilitação depois de ser preso pela segunda vez, na Califórnia. Porém, é curioso observar que os acontecimentos do início da década perseguem Winona até hoje- mesmo após duas temporadas brilhantes em Stranger Things, enquanto Robert Downey Jr parece ter sido “perdoado” do passado, já que desde 2015 ele praticamente lidera a lista de atores mais bem pagos do mundo.

Embora a atriz não tenha ficado longe das telas desde sua estreia em 1986, os projetos de 2001 a 2015 são produções claramente abaixo do nível com as quais ela costumava trabalhar, ou foram papéis pequenos em filmes grandes como Cisne Negro. O papel de Joyce Byers em Stranger Things, finalmente pôde ser considerado seu grande retorno, e ainda assim, a mídia tradicional insiste em focar na posição desconfortável de Winona em aparições públicas. Depois da premiere da segunda temporada da série, a atriz admitiu estar cansada de ridicularizarem mulheres por serem sensíveis e vulneráveis: “É bizarro. Eu queria não saber disso, mas existe uma percepção de que eu sou super sensível e frágil. E eu sou super sensível, e não acho que isso é uma coisa ruim.”

Já a redenção de Robert Downey Jr seguiu um caminho diferente. Em 2008 ele foi convidado para viver o excêntrico bilionário Tony Stark, popularmente conhecido como Homem de Ferro. Desde então, ele já atuou em 8 filmes no papel do herói, todos eles parte da terceira maior franquia de cinema do mundo: o Universo Cinemático da Marvel. O ator dificilmente é lembrado pelo passado, porém, em 2015, em uma coletiva de imprensa para a divulgação do filme Os Vingadores: A Era de Ultron, Robert foi questionado pelo relacionamento problemático com o pai e as crises relacionado a álcool e drogas. Ele se recusou a responder as perguntas e foi embora da coletiva. Nesta comparação, percebemos que o machismo em Hollywood permita que os homens possam simplesmente esquecer de seus erros, enquanto as mulheres serão eternamente perseguidas.

Justin Timberlake vs. Janet Jackson

machismo

Imagem: Divulgação

O show do Super Bowl de 2004, uma performance anual na final de futebol americano dos EUA, ficou conhecido como “Nipplegate”. Assim como Winona, Janet Jackson entrou em uma espécie de “listra negra” de Hollywood depois que Justin Timberlake puxou o sutiã da cantora e expôs o seu mamilo diante do público, das câmeras e dos milhares de espectadores do evento esportivo. Logo após o episódio, os representantes da cantora afirmaram que o “erro de figurino” não havia sido intencional, mas isso não impediu que a Viacom, empresa responsável pela transmissão, punisse Janet pelos “atos de obscenidade”.

A Viacom, empresa dona dos grupos MTV e CBS, tirou todos os clipes da cantora dos canais MTV, VH1, estações de rádio e qualquer outro meio de comunicação relacionado ao conglomerado. A restrição acabou se expandindo para outras empresas além da Viacom, fazendo com que a mídia passasse a ignorar a cantora. Na cerimônia dos Grammys daquele ano, Justin se desculpou pelo episódio (depois de ganhar inúmeros prêmios), enquanto Jackson foi banida do evento.

Corta pra 2018. Sei que ainda não chegamos lá, mas certos acontecimentos merecem ser mencionados. Justin Timberlake foi convidado novamente para ser a atração principal do show do intervalo do Super Bowl. A NFL, liga de futebol responsável pelo evento, elogiou no anúncio de confirmação os prêmios e as performances anteriores de Timberlake no Super Bowl, incluindo a de 2004, quando ocorreu o famigerado Nipplegate”. Não seria essa uma ótima oportunidade para se desculpar pelo episódio de machismo e convidar Janet para mais uma performance? A cantora se mostrou disposta, e a gente fica esperando a indústria se tocar.

Imagem de capa: Divulgação/Viacom


Agora que você já refletiu sobre o machismo em Hollywoodque tal ajudar uma amiga no Clube Superela? Você pode responder a pergunta abaixo ou clicar aqui.


@ load more
E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
Obrigada, agora falta pouco...
Por favor, fique de olho em sua caixa de entrada (às vezes, pode acontecer do email estar no SPAM ou na aba Promoção caso use GMail). Quando receber nosso email é só clicar no link de confirmação ;)
Enviaremos nos próximos minutos um email para você confirmar o recebimento de nossos conteúdos.
Os melhores conteúdos do Superela.
Um único email por semana.
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Vamos ser amigas? :)
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Qual conteúdo você gostaria de ver no Superela?
A gente escreve sobre o que você quiser e ainda manda no seu email :)
Obrigada!
Recebemos sua sugestão.

Hey, você já conhece o Clube Superela? Lá você pode perguntar o que tem vontade anonimamente :)