Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

A frase “repara bem naquilo que não digo” é do poeta curitibano Paulo Leminski e aplica-se perfeitamente em diversas situações, como no machismo nosso de cada dia, proferidas em cada palavra, gesto ou pensamento. Sim, naquilo que não é pronunciado, mas que berra, sobrepondo às vozes, vontades e vidas de milhares de mulheres diariamente.

No que não é dito explicitamente, é entendido nas entrelinhas. É lido com um nó na garganta, engolindo a seco e nunca digerido. A gororoba do machismo enfiado goela abaixo, não digere. E nessa má ingestão que todos os dias – sutilmente – somos obrigadas a passar, há a ânsia, há o nojo. Principalmente quando a ficha caí e você percebe de onde vem seu estômago embrulhado.

Sim, minhas amigas, botar para fora toda essa porcaria é uma libertação. O problema é perceber que até nas ações de quem é próximo, de quem se tem carinho, há a ocorrência desses episódios. Mas, a vida – por mais difícil que possa aparentar – irá caminhar para a compreensão – ou pelo menos devo acreditar nisso para continuar na caminhada.

Compreensão essa que acontece quando se consegue perceber que muitas situações que são depositadas nas contas das mulheres como culpa, têm raiz e histórico no machismo estrutural que constitui nossa sociedade. O serviço doméstico e educação dos filhos que ficam só para ela. O medo de ser rejeitada por não seguir os padrões estéticos – que fique bem claro que não são os dela. O salário menor e o trabalho maior. O boy que acha que você está exagerando ou que é seletivo nas respostas. Na pressão no emprego, na dúvida que as pessoas têm do seu potencial pelo simples fato ser mulher.

Repara bem naquilo que não digo – o sutil berro do machismo no dia a dia 1

Repare naquilo que não é dito, mas grita entre palavras e machismo!

Quando colocam à prova a sua capacidade

É comum que no ambiente de trabalho ou acadêmico que as mulheres sejam confrontadas diariamente – colocam em cheque todas as suas ações, a competência, a capacidade, a aparência, a intelectualidade, a firmeza e a moral.

Por mais que você seja pica and fodona, sempre haverá um homem que se apropriará de suas palavras, ideias e status. Além deles quase nunca serem contestados. Tudo isso é sutil, porque para a sociedade, é normal questionar – e atacar – quem eles consideram mais frágil.

E em empresas, laboratórios, lares e ruas as mulheres têm que provar por A + B que estão certas. E se erram, porque todos são passíveis de erros, a situação só piora.

Quando questionam as suas escolhas

Até um tempo atrás, as mulheres tinham que pedir permissão para poder trabalhar ou até mesmo sair de casa. E, se pensar bem, nem faz tanto tempo assim. A ideia de liberdade de escolha nunca foi ou é associada às mulheres – e para tê-la, deve se preparar para a enxurrada de questionamentos sortidos e incríveis barreiras que nascem como erva daninha. Se arranca uma, nascem 3.

Se você trabalha, vão perguntar se dá conta das atividades domésticas – porque uma mulher que não se importa com esse item é catalogada com vários adjetivos não muito edificantes. Se quer estudar, quando irá parar com essa história de ser doutora e se dedicar para o que é importante, constituir família. Se não quer casar e nem ter filhos, questionam o porquê de fugir do curso natural da humanidade. Se não gosta de cozinhar, é preguiçosa. Se não segue o padrão estético imposto, não é feminina. Se é chefe, é megera. Se bebe, não pode ser respeitada. Se usa a roupa que bem querer – tá vendo, pediu, né. E falar sobre vida sexual, o tempo fechou e acabamos aqui essa conversa.

Repara bem naquilo que não digo – o sutil berro do machismo no dia a dia 2

E em cada questionamento, o machismo fala baixinho e sorrateiro, prendendo mais e mais mulheres no silêncio. Porque a ideia de liberdade é arbitrária. Ou melhor, seletiva para àqueles que convêm.

Quando no relacionamento o seu questionamento é ignorado

Quem nunca teve uma DR e os seus questionamento foram deixados de lado? Ou quando você recebe uma resposta seletiva? Mais um vez, você teve que engolir mais essa. Em relacionamentos, o ideal é que haja troca. Ambos falam, ambos ouvem. Se você não está sendo ouvida, logo é um relacionamento unilateral. É cilada, Bino!

Descobrindo o velho mundo

E isso não é novo, isso é tão antigo como andar para frente. E aí que se encontra o paradoxo. Se querem uma sociedade mais justa e igual, a humanidade tem que andar para frente sem oprimir e silenciar os que são considerados minorias, entretanto essa minoria é a maioria dentro da sociedade. Estranho, não é?

Obviamente, como diz o ditado: uma andorinha apenas não faz verão. Então, vamos à luta! Para sair desse inverno rigoroso e deixar que as mulheres floresçam, devem haver mais e mais andorinhas por aí, livres de seus gaiolas.

Muitas pessoas não fazem a mínima noção do que tudo isso se trate, repetindo, por sua vez, padrões já gastos, pelo simples fato de não serem ensinadas a terem outros comportamentos. A mudança começa quando se consegue ler o que está sendo dito nas entrelinhas, ou seja, no que não foi dito.

 

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