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mansplaining

Foto: Reprodução

A gente fala tanto de machismo por aqui, que é quase um desserviço não explicarmos alguns dos termos que definem tanto a prática no nosso dia a dia. Pode ser que você nunca tenha ouvido falar em mansplaining, mas com certeza já foi vítima dele.

Com a evolução do feminismo, é óbvio que alguns termos novos apareceram para nos ajudar a entender como tornar a busca pela igualdade mais palpável e o que precisamos mudar para que isso aconteça. Relacionamentos abusivos e a violência contra a mulher parecem ser mais fácies de identificar (e se você acha que não, pode fazer esse teste aqui para te ajudar), mas mesmo no ambiente corporativo, no trabalho, essa violência aparece de formas mais mascaradas.

São os seus amigos machistas que não te deixam dar opinião sobre futebol porque você é mulher, o colega de trampo que levou o crédito pelo trabalho que você fez ou pela ideia que teve, ou aquele tio que faz questão de explicar mil vezes coisas que você já sabe, como se fosse uma criança. Cada uma dessas pequenas práticas machistas ganharam um nome específico (como mansplaining, bropriating, entre outros) para você saber identifica-los melhor. Olha só:

1.Mansplaining

Esse, talvez, é o mais fácil de entender. O mansplaining acontece toda vez que um homem explica para uma mulher algo que ela já sabe de uma forma totalmente desmerecedora (quem lembra do caso William Waack?). Ele explica algo que é óbvio para essa mulher, como se ela não tivesse capacidade de entender do que ele está falando. É uma explicação desnecessária, já que o homem acredita que sabe mais do que a mulher sobre o assunto.

No futebol, isso fica muito claro. Pense em uma mulher que comenta sobre um jogador que está impedido. Automaticamente, um homem do grupo explica para ela o que é um impedimento, sem que ela peça por essa explicação. O homem fala devagar e de uma maneria que ele considera altamente didática, sendo que a própria mulher, que gosta e acompanha futebol, sabe exatamente do que ele está falando, porque entende muito bem o que é um impedimento – tanto que ela disse que o jogador estava impedido.

O objetivo do mansplaining é mostrar que a mulher não tem conhecimento sobre o mundo no geral – tanto que muitos homens acreditam que sabem mais sobre ser mulher do que as próprias mulheres. É uma forma de tratar a mulher como inferior e como menos capaz, intelectualmente falando.

2.Bropriating

No ambiente de trabalho, essa é uma prática muito comum. O bropriating (uma junção das palavras ‘bro’ e ‘appropriating’ – ‘irmão’ e ‘apropriação’, em português) acontece quando um homem leva o crédito pela ideia de uma mulher durante uma reunião, conversa ou ata de trabalho. Ele se apropria da ideia que ela teve e recebe todos os louros por ela.

Como nós somos menos ouvidas no ambiente corporativo, é normal uma mulher dar uma ideia durante uma reunião e não ser ouvida. Em seguida, um homem repete exatamente o que ela falou e imediatamente recebe o feedback pela sua ideia, que é aceita como se fosse dele.

3.Manterrupting

Um dos termos mais famosos do nosso dicionário de machismo, o manterrupting acontece toda vez que um homem interrompe a fala de uma mulher e não permite que ela termine a sua linha de pensamento. Em uma tradução livre, o termo significa ‘homens interrompem’, e não importa se ela está cercada por um, dois ou mais homens, com certeza ela será interrompida simplesmente por ser mulher.

Talvez o episódio mais conhecido de manterrupting da história aconteceu em 2009, durante o VMA. Kanye West invadiu o palco quando Taylor Swift recebia o prêmio de Melhor Clipe, e foi ferozmente interrompida pela frase: ‘Hey, Taylor, eu estou muito feliz por você e vou deixar você terminar, mas a Beyoncé tem o melhor clipe de todos os tempos’. Kanye não só tirou a voz de uma mulher que estava tentando se expressar, como também falou em nome de outra, se achando no direito de colocar palavras onde ele achava que elas deveriam estar.

4.Gaslighting

Um tipo de violência emocional que faz com que as pessoas ao redor da mulher acreditem que ela enlouqueceu ou que não é capaz de fazer alguma atividade. É uma artimanha que faz a mulher duvidar da sua própria capacidade e do que ela acredita ser real – ela duvida das memórias que têm, da sua percepção, do seu raciocínio e da sua própria sanidade.

Essa não é uma prática que acontece exclusivamente com mulheres – mas nós somos o alvo mais fácil, justamente porque  somos desmerecidas pela sociedade o tempo inteiro. Por isso, é comum uma mulher que está sofrendo gaslighting ouvir coisas do tipo ‘Você está exagerando’, ‘Você está louca?’ ou ‘Mas você não aceita uma brincadeira?’.

Essa é uma prática que surgiu por conta de um filme chamado Gaslighting, lançado em 1944. No filme, o protagonista percebe que pode ficar com a fortuna de uma mulher se for comprovado que ela é louca e for internada por conta de sua doença mental.  Por isso, ele faz muitas artimanhas (como acender e apagar as luzes sem que ela saiba) para tentar fazer a mulher acreditar que está maluca. Na prática, é uma forma de opressão e controle, em que a mulher abre mão das próprias escolhas porque está duvidando daquilo que ela acredita ser real.

 

Qualquer uma dessas práticas é identificável no dia a dia, a gente pode perceber quando um homem não nos deixa falar, quando outro levou os créditos pela nossa ideia ou quando um terceiro está nos fazendo duvidar da nossa sanidade. A questão é saber se posicionar: se você percebe que está sendo vítima de mansplaining, para e explique para o homem que você não precisa ser tratada dessa maneira. Eduque-o sobre o que ele está fazendo (pode ser que ele nem perceba) e mostre que você sabe o que está falando e não precisa de explicações. O objetivo é ajudar todos a mudarem de ideia sobre essa visão retrógrada e desistirem dessas práticas de violência contra a mulher (porque, sim, são formas de violência).


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