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Durante grande parte da minha vida eu fui o patinho feio, sabe? Minha mãe não costumava me arrumar que nem bonequinha. Uma constante no meu cotidiano era não manchar a cara de batom na hora de comer. Hoje eu agradeço demais por isso, mas na época eu era a única. E isso parecia incomodar as pessoas.

Incomodava tanto que, conforme a idade avançava, as cobranças cresciam. “Você se veste que nem um menininho”, “por que não dá um jeito nesses cachos?”. “Sua cara é cheia de espinha, passa uma base nisso daí”.

Passa uma base nisso daí…

minha vida

No auge dos meus 11 anos, chegando na escola, me deparo com uma amiga que, mais tarde, parou de conversar comigo porque “era bonita demais para andar ao meu lado”. Ela estava diferente, com o cabelo penteado e lápis nos olhos. Ao elogiá-la, descobri que o motivo de tanta arrumação era um menino com o qual ela estava “ficando”. Minutos depois entendi que isso significava “namorar por um dia”.

Todas as meninas que passavam lápis de olho “namoravam por um dia”. Aquele gloss da Avon de morango/menta começou a fazer sucesso entre elas. Os cabelos estavam mais lisos, as bochechas mais rosadas e os cílios incrivelmente maiores. É… elas tinham todos os meninos em seus pés. E eu não…

Quero ~ namorar por um dia ~

Comecei a me interessar por um romance em potencial por cobrança. Por não ter um namoradinho, eu era infantil demais. Por não me arrumar, era descuidada, desleixada. Pegava mal andar comigo, e eu CUSTEI a perceber.

Quando o “sininho” soou em minha cabeça, pensei: preciso ser mais feminina. Tenho que arranjar um gel para espinhas, uma base para tampá-las e o tal do gloss da Avon. Dito e feito. Pedi um lápis de olho para meu pai que era vendido na fila do supermercado e, de brinde, ganhei um esmalte vermelho. Show de bola! Com muito custo consegui o tão sonhado brilho de morango (que depois de 12 anos ainda não acabou, e jajá explico o porquê). Minha mãe comprou uma prancha e eu aprendi, com custo, que pra alisar o cabelo com ela era preciso secá-lo com o secador antes.

Fui me embonitando, me transformando em uma bonequinha. Mas, mesmo assim, minha vida amorosa e social não parecia sair do lugar. Acontece que eu não conseguia me achar mais bonita depois de passar horas e horas passando tudo aquilo no meu rosto. Me dava trabalho, e eu precisava estar na escola às 7.

minha vida

A maquiagem mudou a minha vida (parte 1)

Digo parte 1 porque foi pra pior. Eu não me achava bonita com a maquiagem, e sem ela também. Tudo aquilo não era confortável, mas eu me sentia três vezes pior se saísse na rua sem estar com um lápis preto nos olhos. A obsessão chegou num nível em que eu dormia maquiada, acordava e renovava tudo ao invés de lavar o rosto. Me poupava tempo.

Quando comecei a pegar o jeito da coisa (depois de fazer um curso de auto maquiagem e comprar os produtos certos) recebi um presente do destino que foi o terçol (aquela bolinha vermelha que dá na pálpebra). Fui obrigada a abrir mão do lápis e tive que entrar na faculdade acostumada a olhar para o chão de tanta insegurança.

Com o tempo fui acostumando a me reconhecer sem maquiagem e fui gostando daquilo que via. Passei por uma fase em que me sentia uma palhacinha de blush. Em toda festa que ia, todo mundo me elogiava pela make elaborada. Mas eu me achava super estranha. Meu Deus, e a vontade de tirar aquele lápis dos olhos?

Mas sabe o que foi o melhor de tudo?

minha vida

Todo mundo me cobria de elogios depois de MUITO TEMPO sendo a patinha feia. E eu não concordava com elas. Pela primeira vez, a “opinião geral” não me afetava. Eu gostava era de um delineado com, NO MÁXIMO, um corretivo bem levinho, ou então o rosto limpinho. Ao me olhar no espelho, me reconhecia como LINDA MARAVILHOSA DONA DA PORRA TODA.

Hoje em dia confesso que ainda manjo um cado de maquiagem, mas minha marca registrada é a tal da “nasci linda”, sabe? De vez em quando me divirto com o fato de que demoro mais de meia hora para fazê-la, mas pelo menos me sinto melhor e mais verdadeira comigo mesma.

E aí eu te respondo: o que a maquiagem mudou na minha vida?

Ela me fez ver que cada um tem o seu gosto e deve ser respeitado por isso. O lápis preto nunca deu certo pra mim, e tudo bem. Depois que eu parei de usá-lo por pressão dos outros, comecei a me sentir ainda mais linda. E se esse lápis fica bem em você, abuse dele.

A gente tem que aprender a se achar linda independente do que os outros dizem, e toda aquela minha bolsinha de maquiagens antiga, junto ao meu gloss da Avon que existe até hoje me provam isso.

minha vida

Imagem: Pexels


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?


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