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A gente achava que o Marcos do BBB já tinha falado tudo o que podia para conseguir os seus 15 minutos de polêmica, mas ele foi além durante a entrevista com Fábio Porchat, na noite de quarta-feira, dia 2.

De todas as barbaridades que ele falou (tipo ‘eu não sou machista’), a que mais me surpreendeu foi a forma como ele se gabou do fato de suas ‘fãs’ não verem o que aconteceu como agressão. Tanto que, quando foi eliminado do reality show, ele se deparou com faixas de mulheres pedindo ‘Marcos, me bate’, como se isso fosse normal.

Olhando para isso de forma mais objetiva, consigo pensar em dois pontos de atenção que podemos explorar aí:

1.As pessoas defendem homens como o Marcos do BBB

Infelizmente, existem muitas pessoas por aí (talvez uma maioria) que defenda homens como o Marcos do BBB, por mais que seja claríssimo tudo o que ele fez. É mais ou menos como o goleiro Bruno, que assassinou uma mulher, mas ainda assim tem uma orla de fãs que o defende, pede selfies e torce para ele conseguir um novo trabalho em um time de futebol.

Isso nos mostra o quanto ainda somos cegos para a violência contra a mulher, e como ainda passamos a mão na cabeça de agressores, minimizando um assunto tão sério e suas ocorrências. É um fato que Emily tem muito a aprender quando se fala em humildade, mas isso não justifica a violência que ela sofreu ou a torna inexistente.

Nós vivemos numa bolha. A internet parece gigantesca, mas ainda é limitada em alcance. Não é todo mundo que tem acesso às informações que nós temos, às hashtags do Twitter ou aos textões do Facebook. Existe uma questão de prioridade também: uma pessoa que batalha todos os dias para sobreviver, dificilmente tem interesse em ler e estudar sobre violência contra a mulher e feminismo, a não ser pelo o que ela consome na televisão.

É por isso que homens como o Marcos do BBB não são vistos como vilões, mas como uma vítima de uma mulher oportunista e interesseira. O fato de ele parecer charmoso e saber falar bem em público pode ajudar também, e a pinta de bom moço parece vender bem fora da telinha. Mas muita gente não vê o que nós vemos porque não tem acesso ao mesmo tipo de informação que a gente.

O problema do machismo e da violência contra a mulher não são alguns atores babacas que assediam mulheres nos seus camarins. Ele é 100% estrutural e está muito mais enraizado na nossa sociedade do que a gente imagina. As fãs de Marcos são uma prova disso.

A defesa vem de um lugar de não entendimento de um assunto sério e de um deslumbramento por uma pessoa ‘famosa’. A televisão vira, nesse caso, a melhor fonte de educação que podemos imaginar, e oferecer conteúdos que eduquem sobre esses temas se torna imprescindível para ajudar nessa mudança de mentalidade. Por isso que a gente fica tão decepcionada quando vê tramas que exaltam o machismo ou que fazem pouco caso da agressão contra a mulher.

2.As pessoas precisam deixar de ser tão autocentradas

Outra coisa que me chamou atenção na entrevista é o quanto Marcos tem certeza absoluta que o mundo gira em torno dele. Tanto que ele, muito erroneamente, estava certo que a campanha #MexeuComUmaMexeuComTodas era sobre ele – e não sobre o caso José Mayer, que teve uma repercussão imensa na mídia.

O nome disso é ego, é autocentramento. Tudo o que importa para ele são as suas próprias ações e o que ele acha delas. Dá para perceber que em nenhum momento ele olhou de verdade para Emilly e o que ela estava sentindo quando a agressão aconteceu. É por isso também que a briga toda parece algo muito menor para ele do que foi de verdade.

Em relacionamentos abusivos, normalmente pessoas de fora conseguem perceber mais facilmente o que está acontecendo do que quem está envolvido. Isso é bem óbvio, afinal, amigos e familiares tem um certo distanciamento e são mais isentos do que o casal em si. Com o caso de Marcos e Emilly, é a mesma coisa. O ex-brother só vai acreditar que o que fazia era errado a partir do momento que olhar com desprendimento para o que aconteceu.

A pergunta que fica é: será que ele quer isso? Será que ele, como tantos outros agressores, tem interesse em perceber o que fez e faz e, de fato, mudar a sua postura? A arrogância dele vem desse lugar. De acreditar que não fez nada errado, que está tudo certo e que ele tem mais que continuar a sua vida defendendo que Emilly estava descontrolada.

A educação aparece, mais uma vez, como um ponto muito importante. Afinal, enquanto os homens – e as mulheres – não forem educados sobre o que é um comportamento abusivo e agressivo, sobre o que é violência contra a mulher e quando ela acontece, esse reconhecimento dos próprios atos não acontece.

O resultado disso são homens que não acham que fizeram nada errado e espalhando por aí que as mulheres são histéricas e exageradas. Vemos juízes absolvendo estupradores e amenizando casos de feminicídio, afinal, ‘os homens são assim mesmo’ e a gente tem mais é que aprender a lidar mesmo.

#SóQueNão

Imagem: Reprodução


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